Trem Caipira anda pela terceira vez

Foto: Romildo Sant'Anna

O Trem Caipira andou pela terceira vez, na manhã de domingo (10). A composição saiu da estação ferroviária de Rio Preto e foi até a estação do distrito de Engenheiro Schmitt. A viagem, com percurso de aproximadamente 10 km, levou cerca de 30 minutos.

A obra, que já custou cerca de R$ 1,4 milhão aos cofres públicos, andou pela primeira vez em dezembro de 2008, ainda no governo de Edinho Araújo. Passados seis anos, o ex-prefeito Valdomiro Lopes reinaugurou e fez uma viagem em março de 2014.

Completamente remodelado, os vagões foram envelopados com obras do artista naïf José Antônio da Silva, graças a uma parceria público-privada. “A arte do Silva é para valorizar a cultura e a arte rio-pretense”, comentou o secretário de Desenvolvimento Econômico Liszt Abdala.

O trem partiu de Rio Preto pouco depois das 10 horas da manhã e retornou por volta das 14 horas. Foram 55 passageiros, entre autoridades, convidados e imprensa, mais nove tripulantes que fizeram a viagem.

Foto: Romildo Sant’Anna

Em discurso antes da partida, o prefeito contou um pouco da história da ferrovia e relembrou a construção da ponte rodoferroviária em Rubineia. “Ali era o final da linha e hoje é só o começo. Um dos pontos mais importantes de entrada e saída de mercadorias do Estado de São Paulo”, comentou Edinho.

O prefeito também falou da importância do projeto para o incentivo à educação e cultura. “A gente sabe que as crianças gostam do que é diferente. Todos vão poder se encantar e, principalmente os mais velhos, vão poder relembrar de como eram os passeios de trem. A cultura rio-pretense está literalmente estampada nos vagões, com a obra do Silva”, disse o prefeito.

Além de artista, José Antônio da Silva pode ser considerado um dos idealizadores do projeto, segundo o livro “Silva: quadros e livros, um artista caipira” do escritor rio-pretense Romildo Sant’Anna.

Na página 43 do livro, Sant’Anna conta que Silva chegou a conseguir a doação de uma locomotiva a vapor, no entanto, a administração da época não se interessou pelo projeto: “Pretendia o pintor-escritor conseguir uma locomotiva a vapor – uma Maria Fumaça, de bitola estreita -, e fazê-la funcionar periodicamente ao redor das praças centrais da cidade, “para mostrá às criança de amanhã o que era o Brasir de onte”. Reconheçamos que se tratava de uma disposição arrojada e factível. Depois de superar os trâmites burocráticos necessários (e não foram poucos nem fáceis), e tendo finalmente conseguido a doação, no dia de seu transporte para São José do Rio Preto, Silva foi avisado de que a cidade não necessitava de ferro-velho e a Prefeitura não se encarregaria do transporte da máquina, nem das demais providências necessárias”, diz o trecho.

A ANTT, Agência Nacional de Transportes Terrestres, autorizou novos passeios para o último domingo de cada mês. Quem tiver interesse, já pode reservar Secretaria de Desenvolvimento Econômico pelo telefone 3203-1152. Foram divulgadas as datas: 28 de janeiro, 25 de fevereiro, 25 de março, 29 de abril e 27 de maio. As viagens são gratuitas, por enquanto. Os custos são cobertos pelo patrocínio de empresas nessas datas iniciais.

Da Reportagem

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