Transtorno neurobiológico pode afetar crianças e adultos

TDAH é um transtorno neurobiológico mais comum do que muita gente pensa, porém ainda pouco compreendido pela população. O transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) possui causas multifatoriais, como fatores genéticos, biológicos e neuropsicológicos, sendo caracterizado como um transtorno neurobiológico. Um dos fatores para o aparecimento do transtorno também é a hereditariedade, aumentando as chances em 10% a 30% de uma pessoa ter TDAH quando alguém da família já teve.

Segundo estudo feito por pesquisadores da USP, universidades federais do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul apontaram que em 2015 cerca de 250 mil adolescentes e crianças não sabiam que sofriam os efeitos do TDAH, que se inicia na infância e pode se estender até a idade adulta, sendo que em 70% dos casos o transtorno pode persistir na fase adulta.
Segundo a psicóloga Silmara Batista Brizoti três sintomas são predominantes em pacientes com o transtorno, como: desatenção, hiperatividade e impulsividade, manifestados de formas distintas em crianças e adultos.

“As crianças vão apresentar desatenção, dificuldades com aprendizagem e alfabetização, justamente por essa falta de atenção de não conseguir se concentrar muito tempo em uma atividade só, além da inquietação de mãos e pés”.

“Já nos adultos chega de forma mais agravada, tendo dificuldade de relacionamento, dificuldades com horário, tem a procrastinação, a distração e desatenção”, explicou Brizoti. A psicóloga ainda ressalta que o TDAH tem início desde a infância e que se não for diagnosticado quando criança, vai ser diagnosticado quando adulto ou então na maioria dos casos pode passar sem diagnóstico por toda a vida.

A bióloga Lea Cristina da Silva de 40 anos foi diagnosticada há um ano com o TDAH. Ela suspeitou sofrer com o transtorno após a leitura do livro Mentes Inquietas, da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa da Silva

A bióloga Lea Cristina da Silva de 40 anos foi diagnosticada há um ano com o TDAH. Ela suspeitou sofrer com o transtorno após a leitura do livro Mentes Inquietas, da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa da Silva. “Eu fui identificando a história das pessoas no livro com a minha história. Então a partir dos testemunhos eu tive a impressão de ter TDAH”, comentou. Três anos após a leitura do livro durante sessões de terapia com psicólogo, teve o diagnóstico confirmado, após testes para TDAH.
Para a bióloga ter recebido o diagnóstico foi algo positivo. “Ser diagnosticada foi um alívio. Porque muitas coisas eu me culpava e cobrava demais por não conseguir fazer como todas as outras pessoas conseguiam fazer. Algumas funções executivas como organizar-se, agenda, perder datas importantes. Eu me esforçava muito para cumprir tudo, então quando eu descobri foi uma tranquilidade, pois sei o que posso fazer para viver melhor e para que as pessoas que estejam comigo também possam viver melhor”, disse.

PSICÓLOGA – Silmara Batista Brizoti

A psicóloga afirma que não há tratamento único que elimine completamente o TDAH, mas que pode ser desenvolvido um trabalho de psicoeducação e manejo dos sintomas para que se possa viver normalmente. O tempo de duração do acompanhamento psicológico varia de paciente para paciente, pois cada indivíduo apresenta suas próprias necessidades. “O TDAH dificilmente vem sozinho, na quase totalidade vem com comorbidades. No mínimo uma, mas na maior parte vem com pelo menos duas comorbidades que são: dislexia, discalculia, depressão”, concluiu.

Por Priscila CARVALHO

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