Tecnologias substituem o uso de cadáveres em faculdades

Professora demonstra como usar tecnologia de plataforma 3D. Equipamento permite que estudantes observem órgãos em diferentes ângulos

Em São José do Rio Preto, instituições apostam em simuladores tridimensionais e em bonecos de alta complexidade. Médicos e professores enfatizam a melhora no preparo dos profissionais de saúde.

Aprender anatomia sem o uso de cadáveres já é uma realidade no noroeste paulista. Novas tecnologias, como simuladores 3D e bonecos de alta complexidade, reproduzem o corpo humano e ajudam na formação médica.

Dhoje Interior

A Faculdade de Medicina da Faceres, em Rio Preto, adquiriu recentemente cinco aparelhos tridimensionais de estudos anatômicos destinados às aulas. Atualmente, a graduação conta com um total de seis mesas disponíveis.

A coordenadora da disciplina de morfologia funcional, Carla Patrícia Carlos, afirma que a tecnologia oferece ao aluno uma nova forma do estudo da anatomia, melhorando a capacitação dos futuros profissionais.

“Nós podemos analisar uma estrutura de uma maneira superficial até de forma bem aprofundada, com a opção de inserção de patologias ao órgão. A mesa substitui completamente o uso de cadáveres durante o aprendizado”, comenta.

Além disso, é possível converter tomografias e ressonâncias magnéticas em clones virtuais tridimensionais com acesso total e irrestrito aos órgãos necessários.

A tecnologia 3D foi construída com base em um modelo natural humano com mais de 5 mil linhas anatômicas idênticas ao sistema fisiológico masculino e feminino. As imagens foram produzidas usando cerca de 500 estruturas detalhadas.

O investimento total da instituição foi de um milhão de reais. Uma das plataformas multidisciplinares foi desenvolvida com tecnologia brasileira. A empresa responsável é a startup Csanmek, especializada em sistemas e soluções para o mercado educacional.

 

Avanços

Robôs inteligentes

Robôs com sentimentos e dores. Essa é a sensação ao entrar no Laboratório de Habilidades e Simulação da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp). Os bonecos de alta complexidade simulam reações e sintomas humanos.

Segundo o chefe do laboratório de habilidades, Dr. Gilmar Greque, os alunos são preparados de maneira mais eficaz. “Desde o primeiro ano, os estudantes praticam as habilidades. Primeiro em bonecos mais simples, até que, no quarto ano, passam a simular quadros clínicos com robôs mais desenvolvidos”, explica.

Ao todo, a Faculdade conta com 100 bonecos de alta capacidade. Entre eles está a SimMom, que reproduz todo o processo de parto e as possíveis complicações. “Os bonecos simulam choro, sudorese, sangramento, dor, convulsões e outras reações humanas”, conta o médico.

 

Por Marina LACERDA