Solidariedade ultrapassa fronteiras: do Brasil à África

Foto: Guilherme Batista

A solidariedade é sempre bem-vinda, seja feita a pessoas próximas ou não, mas, algumas vezes, ela ultrapassa fronteiras. Este é o caso do projeto “Via África”. Desenvolvido por brasileiros, ele é uma ação não governamental com o objetivo de destinar recursos para regiões carentes da África. O projeto conta com voluntários em vários estados do Brasil. Entre os apoiadores, encontramos os rio-pretenses Renata do Carmo Rodrigues e Reginaldo Guerra, pastor da igreja do Nazareno.

O projeto nasceu em 2010 e foi proposto por Marcos César Costa, pastor do Mato Grosso. A ideia de desenvolver a ajuda humanitária veio de uma visão do líder religioso. Ele teria sonhado com o desenvolvimento de um trabalho voluntário em regiões da África. O pastor compartilhou a ideia com pessoas conhecidas. Da conversa, o projeto começou a ganhar a forma que apresenta hoje.

A ação iniciou atendendo a população de Rapale, distrito da província de Nampula, em Moçambique. Uma nova região vem sendo estudada para receber a ajuda. O desenvolvimento já está em andamento e o trabalho vai começar em breve, em Ndunda, bairro da cidade da Beira, localizado também em Moçambique. De acordo com Guerra, a ideia é que o número de áreas atendidas seja ampliado conforme o projeto for evoluindo.

Os voluntários viajam para a África pelo menos uma vez por ano para desenvolver ações. Lá, eles ficam desenvolvendo trabalhos voluntários de 15 a 20 dias. Além das missões anuais, o projeto conta com o chamado apadrinhamento de crianças, em que as pessoas têm a possibilidade de apadrinhar uma criança por meio de doação em dinheiro. Todo o recurso doado é revertido mensalmente às crianças de Moçambique em forma de alimentos, de roupas e de educação.

A ideia do projeto não é dar o dinheiro em espécie às comunidades ajudadas. Na verdade, o intuito é que todo o recurso arrecadado por meio de doações ou ações beneficentes chegue à população na forma de serviços essenciais, como de saúde, de educação, de formação e desaneamento básico. “Apenas o dinheiro não vai resolver, o que a gente procura é levar para lá conhecimento, para que eles possam futuramente caminhar sozinhos”, diz Guerra.

Guerra comenta que o trabalho desenvolvido vai muito além do que simplesmente oferecer melhores condições de vida à população. O desenvolvimento da autoestima dos africanos é outro objetivo do projeto. “Da cabeça deles foi tirado o direito de ser. Eles não se reconhecem como pessoas capacitadas, pois ouviram a vida inteira que são seres inferiores, incapazes de conseguir alguma coisa. Então, nós tentamos trabalhar isso também, a questão da autoestima”, comenta o pastor.

Realidade africana

A história de muitas regiões da África é marcada pelas guerras civis e pela escravidão, que causaram grandes impactos negativos a muitas cidades do continente. Segundo Guerra, o país é assolado por corrupções, altas taxas de inflação, o que gera uma realidade bem complicada. “Lá conhecemos uma realidade completamente diferente da nossa. Na periferia, as crianças não estudam em carteiras, jogam uma esteira no chão e ficam ali. O banheiro deles é um buraco quadrado no chão”, conta o pastor.

Nas regiões mais carentes da África, o atraso e a falta de desenvolvimento é uma realidade. Renata comenta que teve um choque grande quando foi pela primeira vez para a África. “Não é em todos os lugares que existem água encanada, tratamento de esgoto, tudo é muito precário”, lembra Rodrigues.

Bolsa

O grupo responsável pelo desenvolvimento dos trabalhos solidários está sempre em busca de novas formas de ajudar os africanos. Atualmente, Renata iniciou um projeto que ainda se encontra em estágio de planejamento. A novidade consiste em produzir bolsas com tecidos comprados na África. A ideia é que as peças sejam produzidas no Brasil e vendidas com o objetivo de arrecadar mais dinheiro para investir nas ações solidárias já existentes.

Conteúdo Especial: Leandro BRITO

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