Socorro para Ielar pode vir do Mato Grosso do Sul ou de Minas Gerais

Parceria - Desde que deixou de atender pacientes, direção do Ielar procura interessados em assumir o hospital. O novo gestor assumiria as dívidas da unidade, tendo como contrapartida a estrutura física e todos os equipamentos

Desde as primeiras horas da manhã de ontem, um grupo com experiência em Gestão Hospital está reunido com a diretoria do Hospital Ielar para levantar dados e analisar a situação da unidade. A empresa já atua no segmento hospitalar do Mato Grosso do Sul e fariam uma espécie de “dobradinha” com a uma faculdade da cidade de Fernandópolis.

“A faculdade entraria com toda a questão acadêmica, já que faria da unidade um hospital-escola. Os alunos seriam os responsáveis pelos atendimentos, junto com os médicos responsáveis. Já a empresa, com longa experiência em gestão, faria toda a parte administrativa. Seria uma espécie de ‘casamento’”, explicou o advogado do Ielar, Eder Fasanelli.

Ele disse ainda que nada está fechado e que amanhã um novo interessado estará na unidade. “Amanhã iremos receber um grupo de Minas Gerais, que também tem interesse em assumir o Ielar. Uma pena que corremos contra o tempo, já que temos inúmeros pretendentes. Estamos muito confiantes e afunilando contatos para apresentar o possível parceiro o quanto antes para a Prefeitura de Rio Preto.”

Hoje, às 9h, o grupo do Mato Grosso e a diretoria do Ielar irão se reunir, mais uma vez, para apreciação dos dados coletados ontem. Assim que o outro grupo, o mineiro, visitar a unidade, o Ielar pretende agendar uma reunião com a Secretaria de Saúde para apresentar o projeto do interessado.

Assim que o Ielar apresentar o novo parceiro, a proposta será analisada pela Prefeitura para saber se ela é economicamente e juridicamente viável. A Prefeitura enfatizou ainda que não há o interesse no fechamento da unidade, mas que é preciso adequação para que os trabalhos voltem a ser realizados.

Encerramento
O Ielar fechou as portas porque diz não ter dinheiro para manter o custo de R$ 2,4 milhões do hospital. Recebe, por convênio com o SUS, R$ 1,4 milhão da Prefeitura e mais R$ 100 mil de telemarketing. Foi aprovada na lei municipal de Rio Preto um orçamento de R$ 12 milhões para 2017 de verba do terceiro setor, mas a Prefeitura não pode fazer o pagamento porque o Ielar tem contas irregulares junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), de 2010 e 2011. O Ministério Público propôs a assinatura de um TAC, mas a Prefeitura não teria aceitado por orientação da Procuraria Geral do Município (PGM), para não incorrer em improbidade.

O Ielar receberia R$ 1 milhão por mês da Prefeitura de uma verba destinada ao terceiro setor, mas o município não pode fazer repasses se houver pendências com o TCE nos últimos oito anos. Se repassar o dinheiro, pode incorrer em improbidade administrativa.
De lá para cá, o Hospital de Base, Santa Casa e Unidades de Pronto Atendimento estão em esquema de revezamento para continuar atendendo os pacientes que deixaram de ser atendidos na unidade.

O Ielar atendia por mês 6,2 mil pacientes e contava com um corpo clínico de 40 médicos.

 

Por Jaqueline Barros

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