SÓ EM JANEIRO:Unidades de Saúde de Rio Preto registram mais de 23 mil faltas em consultas médicas

No ano passado, foram mais de 280 mil faltosos nos postinhos. Foto: Cláudio LAHOS

As 27 unidades de saúde de Rio Preto registraram 23.329 faltas em consultas médicas no mês de janeiro. O número representa 28,4% do total de consultas agendadas no período.
O número de faltosos em 2019 também chama a atenção, com 280.614 registros. No mesmo período, a Secretaria de Saúde registrou 1,2 milhão de consultas só na Atenção Básica.
Só na unidade de saúde do bairro São Francisco, 562 pessoas faltaram em consultas no mês de janeiro. Foram 259 para clínica médica, 49 para pediatra, 95 para ginecologia e 159 para dentistas. Os postinhos com mais faltosos são os dos bairros Vila Mayor e Solo Sagrado.

Gerente do departamento de Atenção Básica, Soraya Andrade Pereira

De acordo com a gerente do departamento de Atenção Básica, Soraya Andrade Pereira, o prejuízo é do próprio morador, que fica sem a assistência.
“Quando um paciente falta em uma consulta agendada, a Saúde deixou de atender alguém no lugar dele”, conta.
Nesse caso, os profissionais de saúde acabam realizando o chamo ‘encaixe’. É atendido o paciente que procurou o postinho por atendimento.
“A pessoa que faltou acaba deixando uma brecha, que preenchemos com algum morador que procurou atendimento mais leve naquele dia. Isso não faz com que a fila de consultas ande mais rápido, ou seja, o munícipe acaba saindo no prejuízo”, explica Soraya.
A Atenção Básica trabalha com a ginecologia, obstetrícia, pediatria, enfermagem, odontologia e clínica médica. A especialidade com o maior número de faltosos é a ginecologia.
“Nós conseguimos diminuir bastante o número de faltas na odontologia, porque o dentista tem a auxiliar, que acaba ligando para o paciente um dia antes avisando da consulta”, disse a gerente.
A média de espera do agendamento até a data da consulta é de 47 dias, mas esse período pode se estender dependendo da unidade de saúde e também da especialidade, podendo chegar até 80 dias de espera.
A recepcionista Katherine Carvalho aguarda uma consulta no ginecologista há 28 dias e fica inconformada com a falta dos moradores.
“Nós marcamos médico porque precisamos, pra cuidar da nossa saúde. Não é só porque é de graça que devemos desperdiçar o tempo dos médicos e também das outras pessoas, que estão na fila esperando por atendimento”, declarou.
A dona de casa Maria de Fátima Pereira Rodrigues agendou uma consulta na unidade de saúde do bairro São Francisco há pouco mais de 30 dias e usou uma tática para não perder a data.
“Como marquei no ano passado, deixei a data escrita em um calendário e quando ganhei o de 2020, coloquei o dia em destaque pra não me esquecer. Era algo que eu esperava muito e não poderia deixar de vir. Dá uma revolta saber que teve pessoas na minha frente que não se importaram, sendo que minha consulta poderia ter sido até antes”, revelou a dona de casa.

Dhoje Interior

Por Vinícius LOPES