Simpósio da Faceres debate a importância da linguagem de sinais na área médica

LIBRAS - Professor Márcio Hollosi, da Unifesp (SP), durante palestra na Faculdade de Medicina em Rio Preto (Faceres)

Para muitos algo muito simples e fácil: ir até uma consulta médica e relatar o caso. Mas para pacientes que precisam se comunicar por meio da linguagem de sinais, conhecido como Libras, às vezes, encontrar um profissional que saiba interpretar os sinais pode não ser tão simples assim. Com isso a faculdade rio-pretense Faceres promoveu na manhã de ontem o I Simpósio de Libras na Saúde: A relação com o paciente surdo. Segundo dados do IBGE de 2010, o Brasil tem mais de nove milhões de surdos, 450 mil no estado de São Paulo e nove mil em Rio Preto e região.

A palestra foi ministrada pelo docente da Unifesp (SP), Márcio Hollosi, que abordou a relação do médico com o paciente surdo no ambiente hospitalar e clínico e depois promoveu um bate-papo sobre a visão da comunidade surda sobre a formação médica. O palestrante ressaltou a importância do médico em olhar o paciente e dedicar um tempo a mais para entendê-lo. ““Em muitos casos não queremos levar o tradutor junto a uma consulta. Queremos privacidade. Imagine levar o tradutor em uma terapia. Falta amor à profissão e ao próximo”, declara Márcio.

Desde agosto de 2015 a faculdade possui na grade curricular do curso de medicina a disciplina de libras. O curso tem 40 horas e proporciona aos alunos ferramentas de comunicação com a comunidade surda, por isso, trabalha além dos temas gerais, temas específicos como doenças, medicamentos, especialidades médicas e uma lista de frases de anamnese, que é o histórico de todos os sintomas narrados pelo paciente sobre determinado caso clínico. Alunos do sétimo período têm a oportunidade de aprender a língua de sinais. “O aprendizado de libras é uma forma de preparar o estudante para que esteja pronto para o atendimento com paciente surdo”, diz o professor da disciplina Thiago Vechiato Vasques.

As aulas são acompanhadas de um professor bilíngue e uma professora surda que auxilia nos processos comunicativos e orientação de acordo com costumes e culturas surdas. A Faceres é a única faculdade da região que possui a disciplina de libras obrigatória para todos os alunos. “O curso de libras durante a graduação de medicina é um diferencial na instituição, visto que em outras graduações este curso é oferecido como disciplina optativa e, nem sempre os alunos conseguem ter acesso a ela, pois são oferecidas com carga horária muito reduzida e de forma não específica”, comenta o mantenedor da Faceres, Dr. Toufic Anbar Neto.

Com fortes dores de cabeça a professora e surda, Jacqueline Fontes, foi ao posto médico sozinha por duas vezes e não conseguiu que os médicos entendessem qual era seu problema. Ela declarou que precisou voltar acompanhada por um tradutor, para resolver esse impasse. O palestrante finaliza afirmando que muitas vezes o surdo evita ir ao médico, pois precisa sempre ir acompanhado, fato que nem sempre é possível. “Que essa faculdade sirva de modelo e seja exemplo para mostrar a necessidade da inclusão de libras na grade curricular por todo o Brasil”, finalizou Márcio.

 

Por Priscila Carvalho

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