SAÚDE E SEXUALIDADE: Sexualidade e as disfunções sexuais

A Declaração Universal dos Direitos Humanos garante que o direito de se viver a sexualidade é tão fundamental e universal quanto o direito à vida. Mas o que envolve a sexualidade e o que são disfunções sexuais? Os temas são complexos e multifacetados e não há a pretensão de esgotá-los aqui. Porém, é importante falar sobre eles.

A sexualidade é uma energia que nos motiva para encontrar amor, contato, ternura e intimidade; ela integra-se no modo como sentimos, movemos, tocamos e somos tocados, é ser sensual e ao mesmo tempo ser sexual. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e por isso influencia também a nossa saúde física e mental.

Dhoje Interior

Percebemos, portanto, que a sexualidade está relacionada com a qualidade de vida, logo, é fundamental uma vivência sexual saudável. Para isso, é importante tratar o assunto de forma que se evitem a disseminação de crenças errôneas, a desinformação e a discriminação.

Na puberdade, observa-se uma grande quantidade de mudanças biológicas e físicas nos seres humanos. Essas transformações culminam na aquisição da nossa capacidade reprodutiva. O corpo do indivíduo começa a mudar, e várias dúvidas e sentimentos começam a aflorar. Por isso, essa é uma fase de grandes descobertas.

Na puberdade, os níveis dos hormônios sexuais masculinos e femininos aumentam, desencadeando o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários e alterações comportamentais.

Nas meninas, observam-se o início do crescimento dos seios, o surgimento dos pelos pubianos e a ocorrência da primeira menstruação, ponto que indica que o corpo da menina já está preparado para uma gravidez.

Nos meninos, verificam-se mudanças na voz, crescimento dos pelos, aumento do volume testicular e aumento do impulso sexual e da força física.

Identidade de gênero

Identidade de gênero refere-se à identificação do indivíduo como mulher, homem ou ainda uma mistura de ambos. Essa identidade é construída pelo próprio indivíduo e independe do sexo biológico e da orientação sexual (homossexual, heterossexual ou bissexual).

Além disso, a identidade de gênero diz respeito à forma como o indivíduo se vê e como deseja ser reconhecido pelas pessoas.

A orientação sexual diz respeito à atração afetiva ou sexual de cada pessoa, ou seja, se uma pessoa apresenta atração pelo sexo oposto, por pessoas do mesmo sexo ou, ainda, por pessoas dos dois sexos. O termo ‘orientação sexual’ é utilizado na atualidade em substituição ao termo ‘opção sexual’, que dava uma falsa ideia de que a pessoa escolhia sentir desejo por determinado sexo.

A maturidade sexual vem aos 30 anos, porém acompanhada com os preconceitos e a educação sexual recebidos. As mulheres tendem a ter uma pressão social em relação a busca do orgasmo, enquanto os homens podem se sentir obrigados a oferecer o orgasmo à parceira (o).

As disfunções sexuais podem ficar mais evidentes. Problemas comuns são ejaculação precoce e disfunção erétil. Já as mulheres, com a educação repressora e não envolvimento do seu corpo, podem desenvolver o vaginismo (dor na hora da relação sexual – causada muitas vezes pelo medo e estresse excessivo) e a dispareunia (dor intensa na relação sexual e logo após o ato). Nessa fase a terapia sexual pode ser incrivelmente útil para ajudar tanto os casais como um dos parceiros.

Já na melhor idade, é comum que não haja a valorização da sexualidade nessa fase, tanto para aqueles que estão mais próximos aos idosos, quanto pelos próprios idosos.
Há muitos preconceitos, principalmente pela valorização daquilo que é jovem. É pressuposto que o idoso seja celibatário ou que tenha alguma disfunção no orgasmo, na excitabilidade ou no desejo sexual. Muitas vezes ele é considerado assexuado – o que não é real.

O sexo pode ser libertador e prazeroso na terceira idade. Os idosos sadios apresentam a resposta sexual conservada, embora existam algumas limitações a respeito do desconhecimento deles próprios.

Os homens têm menos desejo e demoram mais para ter ereções, mas podem ter um coito prazeroso e satisfatório. As mulheres tem menos lubrificação vaginal, porém isso pode ser corrigido com uso de lubrificantes.

E as disfunções sexuais?

As disfunções sexuais podem surgir por fatores biológicos, hormonais, sociais ou psicológicos. Existem muitas disfunções e há uma perturbação significativa que impacta a qualidade de vida do indivíduo ou do casal.

Alguns fatores psíquicos que podem afetar a sexualidade são: preconceitos, ansiedade, depressão, estresse do casal ou individual, falta de comunicação eficaz, alterações do aspecto físico do parceiro, rotina, autoestima, idealização do parceiro.

A terapia cognitivo-comportamental pode colaborar de diversas formas com o desenvolvimento saudável da sexualidade e com o tratamento de disfunções sexuais.

Através do atendimento de casal ou individual, pode auxiliar na identificação da dificuldade enfrentada e no estabelecimento, em conjunto com o paciente, de estratégias para lidar com o problema. Além disso, conta com estratégias específicas e eficazes para cada disfunção.

Mesmo com maior acesso a tratamentos e informações, os distúrbios do sexo são hoje muito comuns para homens e mulheres de todas as idades. Muitos deles têm relação com aspectos psicológicos, de saúde e estilo de vida, o que aponta relações com alguns problemas da vida moderna.

Os números impressionam: de acordo com um estudo recente da Universidade de Nova Jersey, nos Estados Unidos, cerca de dois terços das mulheres relatam algum grau de disfunção sexual feminina, que relatam distúrbios como falta de desejo, problemas de excitação, falta de lubrificação, dificuldade para atingir o orgasmo, falta de satisfação e dor durante o ato sexual.

Os distúrbios sexuais interferem na qualidade de vida de qualquer adulto são eles:

✔Distúrbios Sexuais Femininos

✔Aversão sexual

✔Quando existe a aversão pela atitude sexual ou evita o contato com qualquer ação e órgão genital.

Alguns fatores que podem explicar essa atitude como: traumas por conta de violência ou abuso, educação repreensiva e síndrome do pânico.

Pouco desejo sexual

É quando a mulher diminui ou perde o desejo sexual. Assim elas não sentem mais vontade e por isso não iniciam o ato, ou recusam a fazer. Essas mulheres possuem grande dificuldade de chegar ao prazer, e há casos de até mesmo cortarem o contato íntimo porque começam a se sentirem humilhadas ou inferiores.

Em relação ao psicológico, é marcado por depressão, perturbações, estresse e ansiedade.

Vaginismo

Dificuldade da mulher tolerar a penetração, pois involuntariamente se contrai e persiste nessa ação, sentindo dor e não conseguindo continuar.

Geralmente a principal característica dessas mulheres é o sentimento de culpa pelo ato sexual, sendo este por causa de uma educação conservadora, cultura social ou algum trauma.

Dificuldade na excitação sexual

É quando a mulher possui dificuldades de manter a excitação sexual no ato, sendo que a lubrificação pode diminuir e assim ela não conseguirá atingir a consumação.

Essas mulheres geralmente são extremamente preocupadas e possuem perturbações em relação a ansiedade que não as permitem relaxar. Este problema está também ligado ao estresse e depressão com a falta de estimulação adequada.

Dificuldade do orgasmo

Essas mulheres não conseguem manter, finalizar ou chegar a um orgasmo, perdendo totalmente o apetite sexual.

Conflitos psicossexuais e preocupações podem deixar as mulheres menos à vontade e por isso elas não conseguem chegar ao ápice.

Dispareunia

Muito comum, mas pouco falado, é relacionado a dor que a mulher sente antes, durante ou após o ato sexual.

A dispareunia pode estar relacionada com problemas orgânicos e físicos como de infecção ou inflamação, mas também há causas de cunho psicológico por meio da ansiedade e distúrbios psicossexuais.

Distúrbios Sexuais Masculinos

✔Ausência de desejo sexual

Possuem ausência de vontade ou dificuldade em se satisfazer com alguma fantasia sexual.
Embora seja difícil, esse fator pode ser a causa ou consequência do distanciamento do casal. Os principais causadores são: depressão, perturbação com fatores exteriores e traumas que carregam de perdas.

Disfunção erétil

É a incapacidade de atingir uma ereção completa ou de deixar o pênis ereto, chamado também de impotência.

Pode haver diversas doenças orgânicas e psicológicas para este tipo de problema. É aconselhado procurar um médico e psicólogo.

Disfunções ejaculatórias

São: a ejaculação precoce, rápida ejaculação, ausência completa de ejaculação, ausência de contrações e a ejaculação retardada.

Todos possuem causas mistas de problemas psicológicos e orgânicos.

Dificuldade no orgasmo

Apesar da presença da estimulação, do desejo e da vontade do homem, o mesmo não consegue atingir o orgasmo.

Os principais fatores causadores são: medo de gravidez, estimulação inadequada, ansiedade, traumas e homossexualidade. Todos eles podem ser fatores que provoquem tal situação.

Dispareunia

Dor genital por infecção genital, prostatite, fimose ou doenças psicológicas.

Estes são os distúrbios sexuais mais comuns na vida de homens e mulheres. Segundo pesquisas do Serviço de Urologia do Hospital Orêncio de Freitas, em Niterói (RJ), homens e mulheres só buscam ajuda quando estão em situação avançada, tornando assim o tratamento mais longo e mais difícil.

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Como exemplo de retardantes para que o homem possa ter uma relação mais longa e prazerosa, a bomba peniana que é um aparelho importante no tratamento de pós cirurgia de câncer de próstata e vista ainda de forma errada pela sociedade, mas é de suma importância para homens.

E para as mulheres tem desde gel que aumenta desejo sexual como OGM da Santo Cosméticos e intensificador de orgasmo a aparelhos como massageadores íntimos.

O fato é que devemos quebrar os preconceitos e crenças limitantes que não nos permite explorar nosso corpo e de nossos parceiros.

“Quem somos nós, se não a essência do amor?”

Beijos até a próxima semana.

Mirna Zelioli – Formada em pedagogia e sexóloga em formação e palestrante em vendas. Gestora comercial, sensual coach, empresária do mercado erótico, criadora do projeto SAT (Sexualidade Amor pra Todos), Projeto de Inclusão, projeto CEL (Coragem e Empoderamento e Libertação).