Setor de eventos parou 98%, segundo Sebrae, e agoniza com incerteza da volta

Um levantamento feito pelo Sebrae SP no primeiro semestre mostrou que a pandemia do coronavírus afetou 98% do setor de eventos. Desde março muitos eventos precisaram ser remarcados ou até mesmo cancelados. O segmento foi um dos primeiros a parar e provavelmente serão os últimos a voltar.
O setor luta para continuar vivo e quer voltar as atividades, mas Rio Preto segue na fase amarela e ainda estão proibidos shows, festivais e eventos de grande porte.
O produtor de eventos Fabiano Mazza que administrou a boate Sampa em Rio Preto conta que no início da pandemia estava com 4 eventos marcados e precisou remarcá-los mas sem previsão de retorno, Mazza precisou se reinventar para pagar suas contas.

O produtor de eventos lançou com sua esposa Aline Melise uma loja de roupas infantis, adaptaram o veículo que utilizavam para divulgação das festas em um Baby Truck, um tipo de loja móvel e criaram a loja virtual via Instagram. Além disso os designers que produziam os materiais gráficos (panfletos) para as festas hoje estão trabalhando na agência de marketing digital que Mazza criou no intuito de atender empresas.
“Me iludi várias vezes com essa expectativa de retomar as atividades, nesse meio tempo recebi propostas e comecei a correr atrás de outros trabalhos., afirma. Mazza ressalta que infelizmente não teve nenhum tipo de auxílio para produtoras de eventos, casas noturnas e faltou uma atenção do Governo na criação de crédito.

Dhoje Interior

O organizador de eventos André Fachinetti diz que devido o avanço do Plano de Retomada do Governo do Estado com reabertura de bares e alguns segmentos de entretenimento, a economia deu uma aquecida e isso gera uma expectativa muito grande de um retorno do setor. Porém, existe uma preocupação quanto aos eventos de grande porte a respeito da forma como será a liberação dessas festas.
“Recentemente o Governo do Estado liberou os Parques Aquáticos para reabertura a partir do dia 1 de outubro. Nossa expectativa é a liberação de grandes eventos como shows, rodeios, festivais, que faz muita falta no segmento hoje”, afirma Fachinetti.

Para Luís Guilherme Garcia, da Cacildis Produções, os profissionais de eventos estão aguardando ansiosos, apreensivos por essa volta das atividades. “Somos a ponta da pandemia, todos os setores vão voltar e os eventos serão os últimos a acontecer.”, afirma.
Guilherme pontua que não são apenas os empresários de eventos que estão enfrentando dificuldades, tem ainda aquelas pessoas que faziam bico de carregador, segurança. Para o produtor de eventos, não há ainda uma luz no fim do túnel, mas todos têm fé que as coisas podem mudar.

A proprietária do Buffet Di Paula Festas de Mirassol, Suzi de Paula desabafa que atua há 10 anos nesse ramo de buffet infantil e a expectativa para 2020 era muito grande, mas que foi um susto quando tudo precisou fechar devido a pandemia decretada. Começaram a cancelar as festas, remarcar e em nova data não conseguiram realizar os eventos pois o setor não voltou a abrir. “Há uma esperança muito grande por esse retorno, nosso comércio de buffet atende indiretamente muitos colaboradores”, afirma.
Segundo ela, não receberam nenhum tipo de incentivo financeiro por parte do Governo, sua empresa não tem mais dinheiro em caixa e sim dívidas, e se a retomada não for imediata infelizmente será inviável uma volta futuramente.

Por Janaina PEREIRA especial para Jornal DHoje Interior