Setembro Amarelo destaca a importância de se falar sobre o suicídio

FOTO GUILHERME BATISTA

Segundo dados do CVV (Centro de Valorização da Vida), a média brasileira de morte por suicídio é de 6 a 7 a cada 100 mil habitantes, índices abaixo da média mundial que está em torno de 13 a 14. Apesar disso, o número de suicídio no Brasil tem aumentado nos últimos anos. De acordo com Fuad Baida Marina Neto, psiquiatra do Hospital Bezerra de Menezes de Rio Preto, dados relevam que o Brasil está em terceiro lugar na causa de morte por suicídio em relação a jovens de 29 a 49 anos e ocupa a segunda posição de 15 a 29 anos. Os altos índices mostram a importância de se falar do Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a preservação do suicídio.

O Setembro Amarelo foi instituído em 2014 e é um período de debates em torno do suicídio para sensibilizar e conscientizar sobre o tema. “Esse mês de conscientização é importante, pois fala de um problema de saúde que é o suicídio, fato que muitos ainda não sabem. O Mês foi instituído pela Associação Brasileira de Psiquiatria, junto com o Conselho Federal de Medicina. Neste mês, é muito falado, porém depois o suicídio passa a ser esquecido. É importante também que se fale do assunto em outras épocas e não só agora, visto que, hoje no Brasil, tem uma morte por suicídio a cada 40 minutos”, comenta Fuad.

Dhoje Interior

Segundo dados do CVV, a maior incidência de suicídio ocorre entre jovens de faixa etária de 15 a 25 anos. Dados mostram que as mulheres tentam mais o suicídio, porém a morte é maior entre os homens. Outro dado importante revela que homossexuais, bissexuais e transexuais recorrem mais ao suicídio, devido aos preconceitos sociais. O psiquiatra comenta que é preciso estar atento as pessoas próximas para conseguir perceber se existe algo de diferente acontecendo com elas, que possa levá-las a recorrer ao suicídio.

“O que a gente coloca como indicativo importante é uma mudança no comportamento daquela pessoa. Ela começa a se isolar mais, perde os prazeres da vida ou passa a falar muito de morte. Hoje em dia, muitas vezes, as pessoas usam as redes sociais para expressar ideias que remetem ao suicídio. Mas o principal fator que aumenta a atenção é o fato da pessoa já ter tentado suicídio anteriormente. Com essa, é preciso ter um olhar mais próximo”, orienta Fuad.

De acordo com informações o CVV, 90% dos suicídios podem ser prevenidos. De acordo com o psiquiatra, as pessoas que pensam no suicídio direto ou indiretamente pedem ajuda. “Elas pedem ajuda, mas, muitas vezes, são menosprezadas e vulgarizadas pela sociedade de maneira geral”. Ele ainda destaca: “uma forma de ajudar é encaminhar a pessoa para uma unidade de saúde para que possa ser avaliada. O suicídio pode ser prevenido e, diferente do que muitos pensam, não é uma forma de chamar a atenção. Falar sobre suicídio é importante e também é uma forma de prevenção”, ressalta Fuad.

O psiquiatra ainda alerta sobre os cuidados maiores com pessoas que estejam passando por algum tipo de tratamento depressivo. “Pessoas no início de tratamento depressivo, no primeiro mês, com uso de antidepressivo têm mais risco de cometer o suicídio, então é importante observá-las e estar sempre do lado delas. Além disso, é importante sempre orientá-las a procurar grupos de apoio, como o CVV. Quanto mais orientações elas tiverem, mais vamos conseguir protegê-las de recorrer ao suicídio”, aconselha o psiquiatra.

Vale lembrar que o CVV oferece um serviço de apoio emocional gratuito para todas as pessoas que precisam conversar. Para quem precisa de ajuda, é possível entrar em contato com voluntários do CVV por meio do telefone 188 ou pelo site www.cvv.org.br. Todas as conversas são guardadas sob sigilo. Não tenha medo de procurar ajuda.
Conteúdo especial: Leandro BRITO

 

Da REPORTAGEM