Sem ‘fumacê’ população precisa redobrar cuidados contra o mosquito da dengue

Desde o último dia 2, Rio Preto precisou suspender as nebulizações no município por falta de inseticida, produto utilizado no ‘fumacê’ para fazer o combate ao mosquito da dengue. A cidade passa por uma epidemia da doença com mais de 23 mil notificações, quase 13 mil casos confirmados e sete mortes.

De acordo com Abner Alves, gerente da Vigilância Ambiental em Rio Preto, o serviço está suspenso, pois o inseticida é um insumo que é comprado pelo Ministério da Saúde, dentro do Programa Nacional de combate ao Aedes.

Dhoje Interior

“O Ministério faz uma compra única, repassa para as Secretarias Estaduais, que por sua vez repassam para cada Município. Acontece que no final do mês de abril, nós recebemos a informação vinda da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), que é quem faz a distribuição aqui no Estado de São Paulo, de que o estoque havia acabado. Nós buscamos algumas alternativas, falamos com a única distribuidora no país, que também não possui estoque do produto”, explicou.

Em Rio Preto, o ‘fumacê’ era realizado diariamente por três veículos e 12 máquinas portáteis. A cidade registrava um consumo semanal de 200 a 280 litros do insumo.
Até o momento, não houve a normalização neste abastecimento e mesmo que a Prefeitura optasse pela compra não conseguiria, porque o produto vem de fora do país. Abner ainda destacou que o que existe disponível no mercado brasileiro é a base de piretróide (classe de pesticidas da permetrina), mas o Aedes no Estado paulista é resistente a esta substância.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que o uso do adulticida é a última estratégia de enfrentamento ao problema da zika, dengue e chikungunya, visto que, nesta fase, o mosquito já atingiu a fase adulta. A medida mais eficaz é a eliminação de focos de multiplicação do mosquito (água parada), evitando que eles nasçam. Por isso, o envolvimento da sociedade é fundamental.

Na mesma nota, o Ministério assume que passa por um “desabastecimento momentâneo”, em decorrência de problemas com a formulação da empresa Bayer. A empresa, que é produtora do Malathion, retirou 105 mil litros do produto para testes e ensaios de qualidade, devido a problemas em sua formulação que inviabilizaram seu uso. O quantitativo está previsto para ser devolvido ao Ministério da Saúde em junho.

De janeiro a abril deste ano, o Ministério da Saúde distribuiu 347 mil litros do Malathion a todos os estados do país, sendo 50 mil litros para São Paulo. Em todo o ano de 2018, as 26 Unidades da Federação e o Distrito Federal, receberam 440 mil litros e São Paulo 40 mil litros do adulticida. O produto faz parte dos insumos estratégicos enviados aos estados para o controle de surtos causados por doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Ainda segundo a Secretaria de Saúde de Rio Preto, esse inseticida usado no ‘fumacê’ mata o mosquito somente na fase adulta, por isso não é suficiente para eliminar totalmente o Aedes aegypti. Por isso, mantém todas as ações de combate aos criadouros e pede ajuda da população para eliminar possíveis criadouros do mosquito.

Por Jaqueline BARROS