Secretária intensifica vacinação contra o sarampo

Prevenção - Secretário pede para que a população se vacine

A Secretária da Saúde de Rio Preto anunciou nesta terça-feira (17) que vai intensificar a vacinação contra o sarampo. A prioridade é vacinar profissionais da área da saúde, rodoviárias, redes hoteleiras e aeroportos, que são considerados a porta de entrada para o vírus no munícipio. Além desse grupo, o objetivo também garantir a vacinação de pessoas de 1 a 29 anos, que devem tomar duas doses. Pessoas com mais de 29 anos tomam apenas uma dose.

“Em Rio Preto nós vamos antecipar a informação e a prevenção para a população, principalmente para quem tem contato com viajantes, que são mais suscetíveis” afirma o secretário da saúde Aldenis Borim, que relembrou que a cidade não registra casos de sarampo desde 2000.

Atualmente a cobertura de vacinas em Rio Preto está em 88%, sendo que a meta é 95%. A média nacional é ainda pior, ficando em torno de 75%. De acordo com a Secretária da Saúde foram 13.052 doses da vacina aplicadas em 2018, sendo 2.200 em média por mês. “O sarampo é uma doença com uma capacidade muito rápida de contaminação. Estima-se que cada caso confirmado pode gerar 29 novos casos. A dengue, por exemplo, gera apenas 1,5 caso por pessoa contaminada”, comenta Mauricio Lacerda Nogueira, professor de medicina e presidente da Sociedade Brasileira de Virologia.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), nos primeiros quatro meses do ano foram registrados 79.329 casos de sarampo, contra 72.047 no mesmo período do ano passado. “Os principais sintomas são febre, aparição de manchas vermelhas pelo corpo, conjuntivite e tosse”, explica Mauricio. A vacina é contra indicada para mulheres grávidas e pessoas com imunidade baixa.

A Secretária da Saúde também disponibilizou canais de comunicação para casos de sarampo, sendo através do telefone 3216-9745 durante horário comercial e o telefone 3227-8814 durante fins de semana e feriados. “Pedimos a população que se vacine, não só por elas, mas para a segurança da população. Temos que fazer a lição de casa que não é mais que a nossa obrigação”, complementa Aldenis Borim. (Colaborou: Vinicius LIMA)

Saiba como evitar o sarampo 

A médica Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), esclarece dúvidas sobre a transmissão da doença, vacinação e como evitar. “Vacinar e combater a circulação do vírus não é só um ato individual, é um ato de solidariedade e de responsabilidade coletiva”, destaca a médica.

Como se pega o sarampo?
“O vírus é facilmente transmissível. A doença se dissemina de forma similar à gripe, por vias respiratórias, através de um espirro, tosse, beijo e também pelas mãos. Então, é fácil ocorrer um surto de sarampo. Ele se alastra rapidamente.”

Quais os riscos para quem contrai?
“Em caso de suspeita, a pessoa precisa procurar uma unidade de saúde. Ela não deve usar medicamentos por conta própria. O sarampo não tem tratamento e o papel do sistema de saúde é dar suporte à pessoa. Pode ocorrer necessidade de hospitalização, mas é raro. Na maioria dos casos, o paciente fica em casa. Mas quadros graves ocorrem e a doença pode inclusive levar à morte.”

Como se proteger?
“A única maneira eficaz é através da vacina. Crianças, adolescentes e adultos devem se imunizar não apenas para se protegerem, mas para proteger também os que não podem se vacinar e que são os que correm o maior risco de complicações e de terem quadros que evoluem ao óbito. Estamos falando de pessoas com câncer, pessoas que vivem com HIV e estão imunodeprimidas, pessoas que estão fazendo quimioterapia ou outro tratamento com drogas que causam imunossupressão.”

Quem já teve sarampo precisa se vacinar?
“Não. Quem tem certeza que teve a doença não precisa. O sarampo não ocorre duas vezes.”

Quem não se lembra ou não sabe se foi vacinado precisa se vacinar?
“Quem não tem certeza, mesmo que ache que já tenha se vacinado, deve se vacinar. Se não tem a carteirinha que comprove a vacinação, não há nenhum prejuízo para a saúde do indivíduo receber uma nova dose.”

Onde se vacinar?
“Em postos de saúde espalhados pelas cidades. O Ministério da Saúde disponibiliza a vacina há muito tempo. Não é uma novidade. Se todos tivessem seguido o calendário de vacinação, talvez não estivéssemos passando por esta situação. É importante destacar que a vacina não é só para a criança. O adulto pode ser o responsável pelo início de um surto no país ou na sua região. Apenas uma minoria que recebe as duas doses não cria imunidade. São cerca de 2%. Mas se toda a população estiver vacinada, essas pessoas também estarão protegidas.

Caso não tenham se vacinado na infância, pessoas com até 29 anos conseguem obter duas doses da vacina na rede pública. Já entre 30 e 49 anos, recebem uma dose apenas. A SBIm, do ponto de vista individual, recomenda as duas doses em qualquer idade para pessoas que ainda não tenham sido imunizadas. Mas o Ministério da Saúde opta por não vacinar maiores de 50 anos, porque a maioria das pessoas dessa faixa etária teve o sarampo na infância.”

Há alguma situação em que a vacina não é recomendada, por exemplo, após o consumo álcool ou drogas?
“Situações de vida comum, como o consumo de álcool, não contraindicam a vacinação. Uma das contraindicações é relacionada com as situações de imunodepressão. Grávidas não podem ser vacinadas. Para que estas pessoas fiquem protegidas, as demais precisam se vacinar.”

Qual estação do ano ocorre mais transmissão da doença?
“Antigamente, o sarampo tinha maior ocorrência na primavera. Hoje, o que podemos dizer é que ambientes fechados ampliam as chances de disseminação das doenças que são transmitidas por via respiratória”.

Como está o cenário atual?
“A preocupação é grande. Se não tomarmos as medidas necessárias e as pessoas não forem se vacinar, podemos ter de volta a circulação do vírus do sarampo no país. Temos atualmente surtos secundários decorrentes da importação do vírus. O que não podemos é ter a circulação do vírus sem controle. De 2000 a 2013, tivemos casos pontuais e todos importados. Não tivemos surtos. Em 2013, importamos o vírus, provavelmente da Europa, e tivemos surtos no Ceará e em Pernambuco. De 2014 pra cá, não tivemos mais casos. Em 2016, recebemos o certificado de erradicação da circulação do vírus do sarampo no país. E agora, em 2018, fomos surpreendidos pela importação da Venezuela. E temos uma preocupação grande quando vemos, por exemplo, casos em Porto Alegre, onde o vírus foi trazido de Manaus”.

Da REPORTAGEM

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