SAÚDE VASCULAR – Saúde vascular durante o inverno

Com a chegada do inverno e a diminuição da temperatura, o risco de uma pessoa desenvolver doenças no sistema circulatório aumenta. A exposição às baixas temperaturas pode ocasionar a vasoconstrição da circulação periférica e da microcirculação, reduzindo o fluxo sanguíneo necessário para a perfusão, a nutrição e a oxigenação dos músculos e dos demais tecidos que compõem as pernas e os pés.

Queixas comuns, mas muitas vezes pouco valorizadas pelos pacientes, como dores nas pernas, formigamento nos pés, falta de sensibilidade e dedos roxos (cianose) merecem uma atenção especial nesta época do ano. Na maioria das vezes de aparecimento repentino e de forte intensidade, estes sinais e sintomas podem representar importantes alterações circulatórias que comprometem a viabilidade dos membros inferiores.

Dhoje Interior

O diagnóstico do prejuízo circulatório e seu possível tratamento depende da conscientização do paciente quanto à importância de procurar auxílio médico a partir do momento em que a dor na perna, o formigamento nos pés e a cianose nos dedos dos pés se manifestarem. O menor tempo entre o início dos sintomas e a instituição do tratamento, seja medicamentoso ou cirúrgico, é fundamental para o restabelecimento da circulação sanguínea responsável pela perfusão do membro inferior.

Quem deve se preocupar com possíveis alterações circulatórias no inverno? Todo paciente diabético, todo paciente já em tratamento devido à má circulação e todo paciente que já teve um infarto do miocárdio ou um acidente vascular cerebral são pacientes de risco para alterações circulatórias no inverno.

Anti-inflamatórios e analgésicos substituem a avaliação médica? Não. Estas medicações aliviam os sintomas e mascaram a gravidade da doença. A piora da intensidade da dor, a dificuldade de locomoção, a progressão da falta de sensibilidade e a perda do membro são evoluções esperadas.

O tratamento cirúrgico é arriscado? No caso de comprometimento circulatório do membro inferior com indicação cirúrgica, o tratamento é necessário e deve ser instituído o mais breve possível! As cirurgias disponíveis incluem a remoção de coágulos de sangue da árvore circulatória, a revascularização do membro inferior com ponte de veia safena e as técnicas minimamente invasivas como o tratamento fibrinolítico e a angioplastia com colocação de stent. O diagnóstico tardio das alterações circulatórias pode resultar na perda do membro acometido.

Como prevenir as alterações circulatórias no inverno? Hábitos saudáveis de vida como alimentação balanceada e exercícios físicos aeróbicos (caminhada 3x/semana) são protetores do sistema circulatório. O controle dos níveis pressóricos e dos índices glicêmicos e o abandono do fumo e do sedentarismo são necessários. O aquecimento dos pés com meias de lã confortáveis reduzem o efeito da vasoconstrição periférica. Por fim, meias elásticas de compressão não devem ser utilizadas quando houver suspeita de alterações circulatórias. A avaliação com o cirurgião vascular é indispensável.

Prof. Dr. Sthefano Atique Gabriel – Doutor em Pesquisa em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, especialista nas áreas de Cirurgia Vascular, Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular e coordenador do curso de Medicina da União das Faculdades dos Grandes Lagos (Unilago)