SAÚDE EM RISCO: Leishmaniose visceral coloca Rio Preto em alerta

Casos em humanos e animais obrigam órgãos de saúde pública a se mobilizarem para conter os avanços da doença. Foto Divulgação

Os casos de leishmaniose visceral em humanos e animais acendeu sinal de alerta na Secretaria Municipal de Saúde de Rio Preto. A Leishmaniose Visceral é doença de notificação compulsória, e tem assustado os moradores de Rio Preto e de toda a região.
De acordo com Roberta Spínola, Diretora Técnica da Divisão de Zoonoses do Centro de Vigilância Epidemiológica, órgão ligado à Secretaria Estadual de Saúde, 48 casos suspeitos de Leishmaniose Visceral em humanos foram registrados pelo município de Rio Preto no ano de 2018, ao todo 13 pacientes são residentes na cidade. Do total de suspeitos, seis casos foram confirmados, sendo um deles de morador da cidade. Os dados apontam que os números triplicaram em relação ao ano de 2017, quando dois casos haviam sido confirmados.
Sem muitos detalhes, o órgão aponta que um óbito humano foi registrado no ano de 2016 no município em decorrência de Leishmaniose Visceral, o que teria motivado mudanças nos protocolos para conter a doença.
Outra dificuldade enfrentada pela Secretária de Saúde diz respeito a classificação do município junto ao Ministério da Saúde. A metodologia utilizada pelo Ministério da Saúde dividiu os municípios em três classes, tais como transmissão esporádica, transmissão moderada e transmissão intensa.
O município de Rio Preto que até o ano de 2015 era considerado sem transmissão foi reclassificado como “Área em investigação”, que segundo o Ministério da Saúde são os municípios com casos suspeitos humanos ou caninos e que devem aguardar a conclusão da investigação para reclassificá-los em uma das definições citadas anteriormente.
Nos últimos dias foram realizadas pelo órgão estadual, Divisão Estadual de Zoonoses, reuniões com representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Rio Preto para orientação das ações que deveriam ser executadas, além de ações visando a sensibilização e capacitação da rede de assistência dos municípios da região e serviço médico de referência municipal e regional, que é realizado pelo Serviço de Moléstias Infecciosas do Hospital de Base de Rio Preto.
A capacitação foi realizada por profissionais do Instituto de Infectologia Emílio Ribas de São Paulo, referência estadual e nacional para Leishmaniose Visceral. Além disso, foram realizadas pesquisas entomológicas realizadas por equipe técnica da Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN), apoio técnico e disponibilização de insumos para realização de exame diagnóstico pelo Instituto Adolfo Lutz.
O sinal de alerta para os casos de Leishmaniose em cães foi aceso no mês de novembro, quando 17 casos foram confirmados. De acordo com a Divisão Estadual de Zoonoses até o momento já foram confirmados 56 casos neste ano e a maioria está concentrada no bairro Jockey Club e no Distrito de Engenheiro Schmitt.
Em nota a Secretaria de Saúde informou que em 2017, foram confirmados 76 casos positivos em cães, porém apresentou dados divergentes dos registros estaduais, afirmando que em 2018, até o momento 29 casos positivos de Leishmaniose em cães foram contabilizados. O município nega o registro de casos de Leishmaniose Visceral em humanos.
Ainda, segundo a Secretaria de Saúde o Departamento de Vigilância em Saúde tem realizado investigações de foco, inquéritos sorológicos e orientações aos proprietários de animais suspeitos e positivos. Além disso o órgão realizou reunião com a Associação dos Clínicos Veterinários e Universidades de Medicina Veterinária do município para divulgação dos dados preliminares, alerta da transmissão canina e situação epidemiológica da Leishmaniose.
A Leishmaniose é causada por um protozoário e transmitida pelo Mosquito-Palha, portanto não é propagada do cachorro diretamente para a pessoa. O inseto pica o mamífero e depois pica a pessoa.

Vacinação preventiva gratuita

O crescimento dos casos de Leishmaniose Visceral em todo o país motivou os debates sobre o tema no Congresso Nacional. Nos últimos dias, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou proposta que pretende tornar obrigatória a vacinação anual de animais contra a Leishmaniose em todo o país, a exemplo do que já ocorre no caso da vacina contra a raiva. Essa vacinação será gratuita e fará parte de uma política nacional instituída a fim de prevenir e controlar a doença.

Conteúdo especial: Thiago PASSOS

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