SAÚDE E SEXUALIDADE: Desfazendo mitos para minimizar o preconceito sobre a sexualidade de pessoas com deficiências

Não é segredo para ninguém que a luta das pessoas com deficiências ao longo dos anos é buscar a inclusão, respeito e aceitação na sociedade têm sido cada vez mais uma luta árdua, constante e difícil.

Vencer o senso comum, preconceitos e ideologias infundadas produzidas pelos nossos primórdios são a eterna busca das pessoas com deficiência e na questão da sexualidade não é diferente.

Dhoje Interior

Sou filha de deficiente e também sou deficiente visual, vivi e vivo na pele a dor do preconceito e conceitos errados.

Quando falo de repressão, a sexualidade da pessoa com deficiência, estou falando de mais uma luta a ser vencida pelo deficiente. A autoproteção dos pais e professores, o medo da inexperiência das pessoas em saber lidar com o diferente e a estética. Esses são alguns agentes repressores da sexualidade de pessoas com deficiência.

“Não sei lidar com a sexualidade do deficiente, não sei falar sobre isso, fico constrangido, logo proíbo e reprimo”. Fica mais fácil assim, é como nós seres humanos, resolvemos o que é diferente. Essa seria a solução? Claro que não!

O padrão de beleza imposto pela sociedade acaba afetando diretamente o deficiente, na cabeça de algumas pessoas em pleno século 21, o deficiente é sempre visto como aquele que deveria passar longe do sexo, pois sexo significa imoralidade e falta de senso, já que para essas pessoas o deficiente tem que se preocupar apenas com sua condição.

Isso faz com que a pessoa com deficiência se considere feio, fora dos padrões, levando-a a muito sofrimento, repressão de seus desejos e de si mesmo e, por fim, o isolamento.

É importante para todo ser humano que ao olhar para si é se gostar e se valorizar com o que está vendo. Que se fortaleça o papel da família e dos amigos também como dos professores, é fundamental para não limitar as pessoas com deficiência.

Parem em primeiro lugar de ter dó, o deficiente não quer dó, ele quer respeito e igualdade, conversar abertamente sobre sexo, relacionamento, desejos é fundamental para que se torne natural, afinal de contas todos seres humanos vem do sexo, independente do meio de fertilização para gerar vida o início é o mesmo. Só assim esse indivíduo único e especial vai conseguir encarar as diversidades e repressões existentes no mundo, podem acabar com estigmas e lendas urbanas.

Eu mesma já sofri muito com isso, e com base nesse sofrimento nasceu meu projeto social chamado SAT (Sexualidade e Amor para Todos), onde ministro cursos e palestras sobre empoderamento, sexualidade e dicas de formas de alcançar o prazer para pessoas com deficiência, obtenho também outro projeto para deficientes, onde apresentei na maior feira de tecnologia para deficientes do país, a Feira REATCH, onde foi aceito com muito sucesso. Este tipo de projeto ainda é único no Brasil e por falta de apoio de empresas e até mesmo da sociedade, é muito difícil levar este assunto tão importante que pode salvar vidas adiante.

Quero mostrar que deficiente não precisa ficar de longe dos prazeres da vida, não quero ofender ninguém com este projeto e nem atacar o mais conservadores, quero apenas que os deficientes sejam respeitados na sua sexualidade, porque isso também é inclusão.

O deficiente seja cego, surdo ou ‘motor’ também deve fazer sua parte. Comece a se elogiar, olhe para o espelho e faça três elogios para que seu subconsciente comece a mudar de forma de se ver. Afinal, ninguém quer estar perto de uma pessoa triste, insegura, e trabalhe o bom humor, ame-se, pois se você não sabe se amar, como reconhecer o amor.

Pessoas que não se valorizam e não se amam são cansativas, quando a pessoa se ama e se valoriza, ela se cuida mais, cuida mais de sua aparência e de sua higiene.

O importante é a avaliação objetiva que uma pessoa faz de si, essa avalição precisa ser ferramenta de motivação para sua vida, pois somente assim, pertencer ou se encaixar em um padrão de beleza deixará de ser uma preocupação e sua autoestima não será comprometida.

E para todos saberem ao longo de meu trabalho, descobri algumas coisas bem interessantes sobre sexo com pessoas deficientes, em contato com muitos casais de variados tipos de orientação sexual, o sexo com deficiente pode ser um experiência única, pois a dedicação para o prazer do outro é muito maior.

Dicas para você se relacionar sexualmente com deficiente.

O CEGO

Você pode abusar de toques, pois este tipo de deficiência gera um sentido muito aguçado para o toque. Que tal uma massagem com óleo siliconado afrodisíaco, toques leves e suaves vão apimentar essa noite.

O DEFICIENTE MOTOR

Dependendo da lesão, as zonas erógenas de prazer podem mudar de lugar. Tenho casos interessantes de alunas com deficiência motora que afirmam chegar ao ápice de prazer pelas costas, então que tal explorar o corpo do outro com lábios, um gel beijável que aquece e esfria pode ajudar muito neste momento. Se descobrir, olhem que tarefa chata.

O SURDO

Com essa deficiência precisa trabalhar gestos, expressões corporais e faciais, dança sensual seria um bom aliado para estimular ainda mais a pessoa. Que tal uma noite com uma iluminação diferente e dançar coladinho com muitos beijos, um bom aliado seria o oral gourmet, gel beijável para sexo oral.

Bem o que precisamos entender é que como qualquer outro ser humano, o deficiente precisa se descobrir e se conhecer. E claro, nunca se esquecer de que um corpo perfeito é onde tem uma pessoa feliz dentro.

Se quiser saber mais sigam meu instagram @mirnazelioli e todos esses produtinhos picantes você encontra na @santaajudaeroticboutique.
Beijos e até a próxima.
Mirna Zelioli – Formada em pedagogia e sexóloga em formação e palestrante em vendas. Gestora comercial, sensual coach, empresária do mercado erótico, criadora do projeto SAT (Sexualidade Amor pra Todos), Projeto de Inclusão, projeto CEL (Coragem e Empoderamento e Libertação).