Saúde de Rio Preto investiga morte por dengue grave

A causa da morte de Givaldo Santos está sob investigação (Foto: Arquivo PESSOAL)

A Secretaria de Saúde de Rio Preto investiga a morte do coletor de lixo Givaldo Santana Santos, 27, por suspeita de dengue grave (a nomenclatura febre hemorrágica não é mais utilizada pelo Ministério da Saúde desde 2014). A vítima, que morava no bairro Solidariedade, morreu na terça-feira, 24, na Unidade de Pronto Atendimento do Jaguaré.

De acordo com a esposa da vítima Poliana Rosa Silva, 22, Givaldo estava peregrinando pelas UPAs de Rio Preto desde a última sexta-feira, 19. O homem apresentava febre alta, dores pelo corpo e vômitos. A prova do laço feita na UPA do Jaguaré, segundo ela, deu positivo para dengue.

“Ele tinha dificuldades até para dormir. Só na terça-feira, 23, ele procurou a UPA do Jaguaré por três vezes. À noite, ele foi medicado com soro e dipirona e liberado em seguida. Meia hora depois, voltamos para a unidade e de lá ele não saiu mais”, desabafa.
Poliana conta que os médicos relataram à família que realizaram todos os procedimentos, mas que ele sofreu para parada cardíaca. “Meu sentimento é de revolta. Meu marido ficou mais de duas horas aguardando atendimento, com dor e só depois disso o colocaram para tomar soro em uma cadeira, dentro da unidade”, completa.

Givaldo morava em Rio Preto há pouco mais de quatro anos. Ele saiu da pequena cidade de Jaguaquara, na Bahia, em busca de trabalho e melhores condições de vida. “Estávamos juntos desde que ele veio para a cidade e não tínhamos filhos. Ele tem um menino, que acabou de completar 4 anos, que mora com a mãe lá na Bahia e eu uma menina de cinco anos, do primeiro casamento. Ele era uma pessoa maravilhosa, muito querida. Não temos palavras para descrever a pessoa que ele era”, enfatiza a esposa, emocionada.

O cunhado da vítima, Breno Orlando Araújo dos Santos, não se conforma com a morte do parente. “Tenho a imagem dele na UPA, com dor e sofrendo muito. Me lembro que tentei animá-lo várias vezes, mas ele só balançava a cabeça. Entrei com ele andando e sai com ele morto”, afirma.

O corpo de Givaldo foi velado durante a madrugada de quinta-feira, 25, em Rio Preto, e depois seguiu para o estado da Bahia. O sepultamento está previsto para as 17h de hoje, 26.

Em nota, a Secretaria de Saúde de Rio Preto informa que “paciente era suspeito de dengue, mas que ainda não possui exames comprobatórios. Amostras foram enviadas para o Instituto Adolfo Lutz e se os exames confirmarem dengue será considerada uma dengue grave com sinais hemorrágicos. O laudo deve sair em até 30 dias”.

De acordo com o último boletim da dengue, divulgado pela Prefeitura em 18 de abril, a cidade possui 8.003 casos confirmados da doença, sendo 13 deles considerados dengue grave, podendo ser a gravidade por sinais e sintomas neurológicos, respiratórios, hemorrágicos e outros. Além dos casos positivos, outros 7.004 casos aguardam confirmação. De janeiro a 18 de abril, foram 17.816 casos notificados.

O DHoje questionou o laudo sobre a morte de um aposentado de 68 anos, em fevereiro deste ano no Hospital Austa. Na época, a notificação do hospital enviada para a Secretaria de Saúde apontava dengue como possível causa da morte. Em nota, a Vigilância declara que não irá comentar, pois é dever garantir o sigilo de todos os suspeitos e confirmados.
Também questionamos sobre a notificação do ex-vereador e ex-secretário de Esportes de Rio Preto, Alcides Zanirato, internado na UTI da Santa Casa, em estado grave com suspeita da doença. A pasta informou, mais uma vez, que não comenta casos específicos.

Estado edita ação que já é realizada por Rio Preto

Com 60 mortes por dengue no Estado de São Paulo, neste ano, o governo João Doria, na tentativa de conter o avanço da doença, adota sistema semelhante ao de Rio Preto.

A cidade, que não foi contemplada pelo Decreto Estadual, executa desde fevereiro deste ano a campanha municipal ‘Rio Preto unida Contra o Aedes aegypti’ cujo objetivo é fomentar as vistorias para eliminação de criadouros aos sábados. Além disso, a campanha engloba ações como as nebulizações diurna e noturna e as atividades desenvolvidas nas escolas municipais. A campanha foi prorrogada para execução durante o mês de maio por meio de uma portaria.

Adotando a mesma estratégia, o Estado vai pagar uma remuneração extra, de R$ 120 por dia de trabalho, para mil agentes das prefeituras que se dispuserem a trabalhar aos sábados no combate ao mosquito Aedes aegypti. De imediato, 50 municípios com incidência superior a 300 casos de dengue por 100 mil habitantes e com tendência de aumento, serão atendidos. A maioria das cidades fica nas regiões noroeste e norte do Estado.

Além da dengue, o Aedes transmite zika e chikungunya, sendo ainda potencial transmissor da febre amarela. A pasta vai usar, de início, R$ 238,5 mil do Fundo Estadual de Saúde para pagar as diárias. As prefeituras terão de assinar termo de adesão e garantir que os agentes trabalhem ao menos dois sábados por mês. Eles terão de fazer visitas domiciliares para eliminar criadouros do mosquito e mobilizar a população nessas ações, elaborando relatórios das atividades. A Secretaria fornecerá orientação e apoio técnico.

As cidades atendidas ficam nas regiões de Araçatuba, Araraquara, Franca, Bauru, Barretos, Marília e Presidente Prudente. O maior número de agentes – 180 – será contratado em Birigui, cidade da região noroeste com 1.945 casos de dengue. Já Ribeirão Corrente e Borebi, a menor cidade paulista, terão um agente cada.

Evolução
Até o último dia 15, 85.486 casos de dengue tinham sido confirmados em todo o Estado – no mesmo período do ano passado eram 3.826. Dez cidade concentram 52,9% dos casos: Bauru (12.385), Araraquara (7.450), São José do Rio Preto (7.109), Andradina (2.997), Barretos (2.921), Campinas (2.856), São Joaquim da Barra (2.656), São Paulo (2.650) e Fernandópolis (2.263), além de Birigui.

Os casos de dengue devem cair nos próximos meses, devido à aproximação do inverno, mas voltarão a crescer a partir de novembro, com a chegada do calor e das chuvas, segundo o assessor especial de Doenças Transmissíveis da Secretaria, Marcos Boulos.
“O próximo verão tende a ser de epidemia maior que esta, pois a doença é cíclica. Tivemos a maior delas em 2015 e, se não tomarmos cuidado, o ciclo vai se repetir, por isso estamos reforçando as ações de combate agora”, finalizou.

Por Jaqueline BARROS

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