SAÚDE CARDIO – Entenda a importância (e o perigo) do colesterol e do triglicérides

Dislipidemia significa alteração da concentração dos lípides no sangue, como no caso do colesterol e do triglicérides.

O colesterol pode estar sob a forma de molécula total ou sob a forma de frações -sendo o LDL (molécula de baixa densidade) a fração considerada maléfica e o HDL (molécula de alta densidade), a fração benéfica. Em outras palavras, elevados valores de LDL e baixos valores de HDL denotam alto risco cardiovascular.

Dhoje Interior

Os triglicérides representam moléculas constituídas de ácidos graxos e glicerol -os ácidos graxos são produtos metabólicos de óleos ou gorduras e o glicerol é um tipo de álcool.

Importantíssimos para o organismo

O colesterol e os triglicérides são importantíssimos na constituição de muitos órgãos e tecidos orgânicos, participam da produção de energia e auxiliam no metabolismo de outras substâncias. O colesterol participa da síntese de hormônios essenciais ao metabolismo humano e também participa da composição de estruturas como nossos dentes.

Níveis de colesterol total acima de 200 mg/dl, LDL acima de 100 mg/dl e HDL abaixo de 40 mg/dl podem comprometer a saúde cardiovascular, ocasionando entupimento das artérias, trombose, infartos, embolias etc.

Indivíduos que apresentam infarto do miocárdio ou derrame cerebral usualmente apresentam alterações relevantes nos níveis de colesterol e necessitam de acompanhamento cardiológico e nutricional rigoroso. As principais fontes de colesterol são as carnes vermelhas, carne de porco, frituras em geral, cremes, leite integral, queijos e alimentos processados.

As gorduras e o acúmulo de colesterol

Compreendendo o colesterol como sendo simplesmente “gordura”, devemos ter em mente que existem três tipos de gorduras do ponto de vista da estrutura química -gorduras saturadas, gorduras insaturadas e gorduras trans.

As gorduras saturadas, quando consumidas com muita frequência, favorecem o desenvolvimento de aterosclerose -acúmulo progressivo de placas de gordura no interior dos vasos sanguíneos. As carnes vermelhas e derivados lácteos são fontes consideráveis de gorduras saturadas.

As gorduras insaturadas podem ser classificadas como as gorduras mais benéficas e são encontradas em alimentos saudáveis como óleos vegetais e algumas frutas.

As gorduras trans são encontradas principalmente em alimentos industrializados, sendo fatores de risco para desenvolvimento de dislipidemias e diabetes. Aqui cabe uma ressalva: devemos sempre observar os rótulos dos alimentos para nos certificarmos de que não há predomínio de gorduras saturadas nem tampouco a presença de gorduras trans.

Triglicérides têm a ver com açúcar

Os triglicérides são derivados de alimentos ricos em açúcares como pães, massas, bolachas e doces. Também podem derivar do consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Em geral, níveis de triglicérides acima de 200 mg/dl são prejudiciais à saúde cardiovascular, favorecendo a ocorrência de eventos como infarto do coração e derrame cerebral.

Existem diretrizes nacionais e internacionais que determinam, tendo como base importantes estudos populacionais, os valores de “corte” citados anteriormente, permitindo estratificar as categorias de risco e implementar diferentes estratégias terapêuticas.

Resposta inflamatória e hereditariedade

No entanto, além da questão do valor numérico em si da concentração de colesterol e triglicérides, existe uma análise qualitativa acerca do maior risco para desenvolvimento de dislipidemia. Esta análise qualitativa fundamenta-se na resposta inflamatória que se instala no endotélio (camada de revestimento interno) dos vasos sanguíneos e que depende de fatores externos como hábitos alimentares, tabagismo, etilismo e níveis de estresse.

Este entendimento sobre a resposta inflamatória é essencial, pois, muitas vezes, uma pessoa pode apresentar níveis sanguíneos normais de colesterol e triglicérides, mas seus vasos sanguíneos encontram-se muito espessados e com sinais inflamatórios.

E esta inflamação vascular é o principal mecanismo que desencadeia acúmulo de placas de gorduras e consequentes eventos trombóticos como infarto do coração, derrame cerebral e trombose de membros inferiores.

Não é fácil diagnosticar e dimensionar esta resposta inflamatória, visto que ainda parece ser algo pouco tangível. Existem alguns exames que podem ser solicitados, exames de dosagem no sangue, que sugerem um processo inflamatório nos vasos sanguíneos -são eles a dosagem da homocisteína e dosagem da proteína C reativa ultrassensível.

Atualmente, é interessante solicitar tanto as dosagens de colesterol e triglicérides, como também estes testes de inflamação, para compreensão mais ampla da situação individual de uma pessoa quanto ao menor ou maior risco cardiovascular.

Para eliminar taxas elevadas de colesterol e triglicérides no sangue, deve-se prioritariamente ingerir de 2-3 litros de líquidos ao dia (preferencialmente água, sucos naturais e chás), consumir alimentos ricos em fibras, como frutas, castanhas e verduras, e aumentar a taxa metabólica por meio de exercícios físicos regulares.

Os exames bioquímicos de colesterol e triglicérides devem ser feitos pelo menos semestralmente, a partir de 30 anos na população em geral, e a partir dos 20 anos em indivíduos com fatores de risco preponderantemente genéticos ou familiares.

Muitas vezes a pessoa é extremamente disciplinada no que tange aos hábitos alimentares e prática regular de exercícios físicos, mas seus fatores hereditários podem prevalecer e ditar as características do perfil metabólico, tornando mais difícil e mais lenta a digestão dos lípides.

Na rotina do consultório cardiológico, pode-se deparar com pessoas que são atletas e, a despeito de um rigor alimentar exigido pela profissão, apresentam taxas estratosféricas de colesterol e triglicérides, demonstrando que a hereditariedade é um fator isoladamente muito forte para o desenvolvimento de dislipidemia.

Existem medidas naturais e farmacológicas para tratamento das dislipidemias. Caberá ao cardiologista determinar a necessidade de utilizar desde o início algum medicamento, uma vez que, em alguns casos, a simples mudança de hábitos poderá ser suficiente.

Atualmente, a integração dos conhecimentos nutricionais em conjunto com a constante prática de atividade física tem conseguido postergar a necessidade do uso de medicamentos no tratamento das dislipidemias.

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Por Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel – Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago – www.drgabrielcardio.com.br