Santa Casa de Rio Preto volta a registrar superlotação de pacientes e macas

A superlotação da Santa Casa de Rio Preto voltou a encher os corredores de macas e pacientes. É um problema crônico decorrente da falta de sensibilidade das autoridades e de uma análise profunda no reajuste da tabela SUS. Desde o fechamento do Hospital Ielar, em março do ano passado, a Santa Casa vem trabalhando no limite de sua capacidade. Os pacientes de Rio Preto são atendidos na instituição e os pacientes de cidades da região, acabam sendo atendidos no Hospital de Base. A oferta de cirurgias eletivas também não acompanha a demanda. Parte destes problemas poderia ser resolvida com a criação de novos leitos, ajuste que é descartado pelo hospital, já que os repasses do SUS seriam insuficientes até para manter a estrutura atual.

A situação é ruim para o paciente e para os médicos e enfermeiros que mal conseguem andar e atender a todos com qualidade. A recepcionista Jenenff dos Santos, de 23 anos, sofreu um acidente de trabalho no dia 7 de agosto deste ano. Ela caiu de uma escada e quebrou o punho. Na ocasião, foi atendida na (UPA) Unidade de Pronto Atendimento do Jaguaré. O médico engessou o braço dela e depois de 13 dias, no retorno, ele informou que o jeito seria fazer uma cirurgia para correção. Ela foi transferida para a Santa Casa, mas até o momento não conseguiu fazer os exames e o procedimento. Ela conta ainda que não conseguiu agendar a tomografia para iniciar os exames e enquanto isso sente muitas dores. “Me disseram que vou ter de esperar de seis a sete meses para fazer uma tomografia, preciso voltar ao trabalho, tenho dois filhos pequenos”, reclama. Pedimos uma resposta do hospital sobre o pedido da Jenenff, mas até o momento não obtivemos retorno.

O aposentado Sedenir Silva de 69 anos sofreu um infarto e chegou na terça-feira (20) desde então aguarda uma vaga de internação no corredor.  “É muito ruim a situação. É sempre lotado, sempre com gente, com o Samu chegando com maca, e a gente aqui assistindo sem poder fazer nada”, afirma Maria Tomás da Silva, mulher do Sedenir.

O reflexo da espera dos atendimentos do SUS também está nos corredores da Santa Casa. Tem dia que a situação está pior. O provedor Nadim Cury, reconhece que a demanda é grande, mas alega falta de estrutura. “As vezes tem alguma fila de espera, mas é bom deixar bem claro que não depende da gente; quem libera as cirurgias eletivas é a Secretaria Municipal de Saúde, o que for de urgência e emergência vamos atender normalmente”, afirma.

De acordo com a Santa Casa, no ano passado, foram mais de 16 mil internações hospitalares. Por mês, são cerca de 1.370 atendimentos, mas esse número é ainda maior e preocupante.  “Só de exames laboratoriais em 2017 foram feitos 1 milhão 165 mil de SUS, exames de imagem 84 mil por ano, uma base de 7 mil por mês. A verba recebida de aproximadamente R$5 milhões não cobre totalmente os custos, o que prejudica ainda mais a realização dos trabalhos na Santa Casa. “ A gente está tentando fazer da tripa ao coração, mas vai chegar uma hora que não dá; não posso abrir mais leitos se não há mais repasses”, alerta Nadim.

Por: Harley PACOLA

 

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