Salve-se quem puder

Em menos de 100 dias de governo, Jair Bolsonaro acumula recuos e barbeiragens. Apesar de compreender os atropelos típicos de início de governos, Bolsonaro parece não saber o que fazer, e, abandonar a boa técnica, não é o melhor caminho.

O liberalismo capenga adotado pelo presidente escorrega na incapacidade técnica da equipe nomeada. Fazer uma análise do futuro econômico do Brasil é impossível. Existe uma distância abismal entre o discurso, o twitter e a prática.

Mesmo os ruralistas que buscam criar um agro-estado estão descontentes com o Capitão. O acordo entre China e EUA para compra de soja deixou o agronegócio de pires na mão.

A crise criada pelo acordo China/EUA não é pequena. O agronegócio é responsável por 50% das exportações nacionais e a Frente Parlamentar da Agricultura – FPA, mesmo reduzida pela metade após as eleições de 2018, continua sendo a mais atuante do Congresso Nacional.

O poder econômico e político do agro determina os caminhos dos governos. Era assim com Lula, Dilma, Temer e não é diferente com Bolsonaro.

Um setor que domina acima de 30% das exportações tem a capacidade de fazer refém governos. E, essa política de produção, leva o pais à semi colonização, já que a produção mundial de insumos agrícolas é de empresas transnacionais.

Esse processo de desindustrialização e dependência é danoso, mesmo para o liberalismo de Paulo Guedes.

 

Por Waldemir Soares Júnior – Advogado com experiência e atuação em Direito Agrário, Ambiental e Penal

 

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