Rumo aos 50 anos, FIT Rio Preto começa hoje com mais de 50 apresentações

O espetáculo “Luiz Lua Gonzaga”, do Grupo Magiluth, de Pernambuco, abre o Festival Internacional de Teatro de Rio Preto, nesta quinta-feira (5), às 19h30. A apresentação aberta ao público e gratuita, será no Anfiteatro Nelson Castro, às margens da Represa Municipal. Neste ano, o FIT Rio Preto traz 23 obras de quatro países, que ocupam 16 locais da cidade, em mais de 50 apresentações. Com a proposta de ressignificar os papéis do público, das criações e de seus criadores, o festival contempla 19 ações formativas. Ponto de encontro nas noites do festival, o Graneleiro recebe 30 atrações gratuitas, entre, shows, performances e intervenções artísticas.

Espetáculo para toda a família, “Luiz Lua Gonzaga” é um musical que, de maneira poética, presta homenagem ao Rei do Baião e rompe “paredes” entre plateia e atores. Com direção de Pedro Vilela, o musical faz um resgate artístico do universo que o músico “criava” com sua figura carismática e composições. Temas como a migração, a terra, a seca, os costumes e a musicalidade do povo nordestino costuram as histórias de um grupo de pessoas que esperam pelo retorno de um rei e pela volta da chuva e divagam sobre questões do ser e do viver no Nordeste. Em cena, o cantor e compositor ganha tributos especiais e músicas de seu repertório, como “Asa Branca”, “Pense n’eu”, “Assum Preto” e “Último Pau de Arara” são executadas ao vivo por um trio de pé de serra.

Criado em 2004, o Grupo Magiluth desenvolve um trabalho continuado de pesquisa e experimentação, e é apontado pela crítica e pela imprensa como um dos mais relevantes grupos de teatro contemporâneo do país. Atualmente, parte de seu elenco pode ser vista na série global “Onde Nascem Os Fortes”: Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres e os irmãos Mario Sergio Cabral e Pedro Wagner.

Marcam presença na abertura do festival o prefeito Edinho Araújo, o secretário de Cultura, Pedro Ganga, o diretor regional do Sesc SP, Danilo Santos de Miranda, e o gerente do Sesc Rio Preto, Sebastião Martins. É espero um público de 3 mil pessoas no Anfiteatro Nelson Castro. Haverá estrutura com banheiros químicos e a presença da Guarda Municipal, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Samu.

Sobre o festival
Rumo ao seu cinquentenário, o FIT Rio Preto completa 49 anos de história em 2018, sendo esta a 18ª edição internacional. Realizado pela Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto e pelo Sesc São Paulo, o festival apresenta espetáculos nacionais e internacionais de vários gêneros e formatos, ações formativas e um ponto de encontro com intervenções e performances que unem diversas linguagens, o Graneleiro.

A programação transcende o olhar sobre as abordagens e temáticas trazidas em cada trabalho para tecer uma edição plural, que dribla o normativo e amplifica vozes e discursos dos artistas. Durante os dez dias de festival o público vai conferir uma amostra da atual produção artística nacional e internacional, em espetáculos que emergem as urgentes indagações político-sociais que arrebatam o Brasil e o mundo. Guanabara Canibal (Aquela Cia. de Teatro), Isto é Um Negro? (CHAI-NA) e O Ânus Solar (Maikon K) são exemplos de trabalhos presentes nesta edição, que perpassam temáticas latentes como violência, racismo e repressão.

Para além da produção do eixo Rio-São Paulo, também integram a programação do Festival companhias do Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Bahia, apresentando resultados de diferentes pesquisas e realidades de produção. Argentina, Finlândia e França compõem o programa internacional com obras que transitam nas áreas do teatro físico, de manipulação de objetos e da performance.

O finlandês Duet For One, que tem a direção e atuação de Reeta Honkakoski, utiliza o teatro físico para abordar o equilíbrio e a dependência nas relações. Neste trabalho solo, a atriz interage com um boneco de tamanho (sobre)humano. Já o francês L’Après-Midi D’un Foehn Version 1, concebido por Phia Menard, constrói uma atmosfera poética ao suscitar a discussão sobre a interferência humana no meio ambiente. Ao ar livre, a obra argentina Todo Lo Que Está a Mi Lado, de Fernando Rubio, intervém no cotidiano urbano ao convidar o público para se deitar em uma cama, ao lado de uma figura feminina e compartilhar de suas histórias.

Criada em 2017, a categoria Cena Rio Preto se mantém no FIT como fomentadora da produção teatral local. Companhias, artistas e coletivos residentes em Rio Preto foram selecionados em dois módulos de participação: Módulo A, que contempla apresentações de espetáculos prontos, e Módulo B, direcionado a obras abertas a provocações, que recebem orientações de profissionais convidados em formato de residência artística. Nesta edição, seis trabalhos foram contemplados na categoria, entre elas o infantil Eufonia, da Cia. dos Pés, que desde o início do ano vem realizando temporadas bem-sucedidas em grandes polos culturais como São Paulo, Brasília e Curitiba.

A curadoria de espetáculos desta edição foi realizada por Janaina Leite, atriz com diversos prêmios, dentre eles Shell, APCA, Qualidade Brasil, Bravo e Nascente; Marcos Bulhões, diretor, ator, professor e pesquisador de teatro e performance e Sérgio Luis Venit de Oliveira, assessor da Gerência de Ação Cultural do Sesc São Paulo.

Na busca pelo aperfeiçoamento do fazer e do pensar teatral, as ações formativas também são pontos de destaque: neste ano, uma curadoria exclusiva conduz as atividades, que fogem do lugar comum e ressignificam os papéis do público, das criações e de seus criadores. A diretora teatral, professora e pesquisadora, Maria Thaís Lima Santos, com assessoria do ator Eduardo Okamoto, propõe um programa de ações práticas, reflexivas, provocadoras e pedagógicas que pretendem aproximar os interessados e estabelecer diálogos. Encontros temáticos, residências artísticas, lançamento editorial e produção de críticas serão realizados em espaços culturais alternativos e sedes de companhias da cidade.

Da REPORTAGEM

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