Rodrigo Garcia, eleito vice-governador, fala sobre a nova gestão

Foto Divulgação

Eleito vice-governador na chapa de João Doria (PSDB), o deputado federal Rodrigo Garcia (DEM) irá chefiar a equipe de transição que conversará com a equipe do governador Márcio França (PSB), que deixa o Palácio dos Bandeirantes em 1º de janeiro.

Garcia coordenará o trio formado também por Milton Melo e Wilson Pedroso, ex-chefe de gabinete de Doria na Prefeitura de São Paulo.

A transição começará, de fato, apenas na próxima semana. França está se recuperando de uma pneumonia nos dois pulmões e pediu a Doria, por telefone, estes dias para cuidar de sua saúde. Garcia foi secretário estadual da Habitação nos governos Alckmin e deixou a pasta neste ano, em razão do processo eleitoral. Rodrigo tem 44 anos, 20 deles dedicados a vida pública. Nascido na cidade de Tanabi, tem trânsito livre pelo interior e tem influência nas decisões do estado na região noroeste.

Advogado por formação foi três vezes Deputado Estadual e Presidente da Assembleia Legislativa. Foi secretário de gestão na prefeitura de São Paulo e, no estado de São Paulo foi secretário de Desenvolvimento Social de Ciências e Tecnologia. Líder dos democratas está no seu segundo mandato como Deputado Federal, eleito o 6º mais bem votado do brasil.

Garcia falou com o Jornal DHoje Interior sobre os desafios como vice-governador, transição e apoio à Rio Preto e Região.

Confira o bate-papo:

DH- A transição de governo deve começar na semana que vem. Como ela será feita? Já foi feito algum diagnóstico de como estão as finanças públicas, alguma conversa com o governo atual, Márcio França?
RG – Vamos começar a transição com um grande diagnóstico na situação das contas do Estado. Como elas estão, se nós temos algum recurso pra cumprir com todos os compromissos assumidos e qual será a situação do caixa do Estado quando eu e o governador, João Dória, assumirmos o comando. Nós já fizemos um contato com o governador, Márcio França e ele se colocou a disposição e, pediu que a partir de segunda-feira, dia 5, possamos iniciar o processo de transição, reorganizando as equipes do nosso lado e do atual governo, pra que a gente tenha acesso as informações, aos principais contratos. As primeiras medidas que devem ser tomadas nos primeiros 90 dias de governo João Dória, as medidas que nós temos que pedir para que o Márcio França tome, evitando qualquer descontinuidade de serviços. Então, eu espero que seja uma transição tranquila, onde nós teremos um diagnóstico e um plano de ação inicial para o governo João Dória. Temos quase dois meses pra isso e espero que ela seja republicana e transparente.

DH – A formação do secretariado já começou a ser discutida. O que será levado em conta na hora da indicação dos nomes?
RG – Na prática a questão dos nomes começa agora nesta primeira semana de novembro. O João Dória já deu à tônica e, nós faremos numa grande reestruturação de governo, vamos diminuir o número de secretarias, vamos cortar cargos em comissão. Algumas empresas estatais deveram ser extintas e até o final do mês de novembro estaremos com esta tarefa de enxergar o desenho do Estado de São Paulo, adequá-lo a aquilo que é compromisso de governo de João Doria, adequar aquilo que é intenção do nosso governador que é diminuir o tamanho da máquina pública para que a gente tenha mais recursos pra gastar com a população e gastar menos com a burocracia. Então, só a partir deste desenho, defino pelo governador Doria é que nós vamos começar a pensar em nomes, no mês de dezembro. Portanto, os nomes ficam pra uma segunda etapa. Dória já definiu inclusive os critérios que irão nortear a escolha dos nomes que é capacidade técnica, comprometimento e ficha lima. Óbvio que vamos respeitar a questão dos partidos, mas essa não será a prioridade na montagem do governo.

DH – E com relação a essa reengenharia das pastas, das secretarias. Já existe alguma coisa que possa ser adiantada, no sentido de quais poderão ser extintas ou fundidas?
RG – Nós estamos ainda concluindo estes estudos. Algumas ideias, que não são novas, continuam sendo avaliadas como a junção das pastas do Meio Ambiente, de Recursos Hídricos e de Saneamento. Essa é uma das ideias que estão sendo avaliadas. João Doria também lembrou da necessidade de nós termos uma Secretaria do Interior, ou das Cidades, ou do Desenvolvimento Regional, onde possamos com esta secretaria estimular os planos de desenvolvimento regional, adaptado a cada uma das regiões do Estado. A ideia também é que finanças a gente possa avaliar e transformar em numa só secretaria. Mas esses ainda são planos que deverão ser avaliados até o final deste mês pelo governador, João Dória.

DH – O que podemos destacar para a região Noroeste do Estado?
RG – Durante toda a nossa campanha nós estivemos várias vezes em Rio Preto e em outras cidades da Região, colhendo demandas e expectativa da população. Podemos destacar a questão da marginal da Washington Luiz, entre Cedral e Mirassol. Sabemos que essa é uma demanda e uma expectativa grande da região, nós estamos avaliando o estágio atual deste projeto, se nós conseguimos fazer via aditivo, em contrato com a concessionária. Então, essa é uma prioridade para que, de maneira rápida, o governador João Dória possa buscar uma solução.
Tivemos, enfim, junto a Faculdade de Medicina (FAMERP) e o Hospital de Base colhendo algumas demandas do setor médico de Rio Preto, já que a cidade é referência em saúde para outros estados e para a região noroeste do Estado. Então, dentro da saúde também teremos as nossas prioridades. E também, a pedido do prefeito Edinho Araújo, junto ao Governo Federal, iremos continua com as reunião para garanti que as obras da BR-153 não sofram nenhum processo de descontinuidade. Temos várias ações de curto, médio e longo prazo e, esperamos que com o novo presidente eleito, Jair Bolsonaro, o Brasil recupere o caminho do seu desenvolvimento, porque isso ajuda o Estado de São Paulo, pra poder fazer mais investimentos. Temos uma expectativa positiva a partir do dia 1º de janeiro. Então, vamos acordar cedo, dormir tarde pra corresponder com a expectativa e a confiança da população paulista, que escolheu João Dória para governador.

DH – Rodrigo já que citou o HB, como vai funcionar o programa de saúde para agilizar exames e consultas em todo o Estado de São Paulo?
RG – O João Dória teve uma experiência positiva como prefeito de São Paulo que foi o “Corujão da Saúde”, um grande mutirão realizado na capital. Essa experiência pode e será trazida aqui para o interior. Mas como é que ela funciona? Você faz parcerias com hospitais particulares, as clínicas particulares e compra vaga no horário noturno destas clínicas e destes hospitais. Então você pode fazer exames de imagem no horário noturno, você pode fazer cirurgias eletivas, você pode fazer consulta com um especialista. Esse é o formato que pretendemos usar para zerar as filas de procedimentos que existem hoje nas mais varias regiões do Estado e, em Rio Preto isso não é diferente. E, na sequencia, uma reestruturação e uma melhoria como aumento na quantidade de consultas e exames da rede, já existente.

DH – Desejo antigo do atual governo, em Rio Preto é com relação a Municipalização da Saúde na cidade. Após o fechamento do Ielar, contratos emergenciais foram feitos, mas não conseguem suprir a demanda do município. Você acredita que no governo João Dória o desejo pode sair do papel, com a ajuda de recursos para a construção de um hospital próprio?
RG – Rio Preto tem como referência municipal a Santa Casa, já tinha contrato com o Ielar, mas até mesmo o prefeito Edinho Araújo reconhece a necessidade de ampliarmos o atendimento municipal da saúde. Nós vamos estar a disposição do prefeito, para junto a Prefeitura de Rio Preto ver como o Estado pode atuar e em que áreas, cuidando daquilo que é responsabilidade direta do Estado e também ajudando através de parcerias com Rio Preto.

DH – Durante o período de campanha, o assunto segurança foi muito discutido. O que o governo João Doria e Rodrigo Garcia vai fazer para diminuir a violência no estado e aumentarem a sensação de segurança do cidadão paulista?
RG – A ideia é que possamos ampliar o efetivo das polícias Militar e Civil, com a abertura de concursos públicos e, para isso estamos aguardando a transição, para que logo na largada do governo João Doria possamos avaliar os concursos que iremos abrir nas duas polícias. Além da valorização da carreira policial, expansão para o interior dos Baeps (Batalhões de Ações Especiais da Polícia Militar), que têm o padrão Rota de segurança. Hoje há cinco na Capital e na grande São Paulo. Vamos fazer mais 17 e levar os Deics regionais, que são os departamentos de investigação criminal. Além disto, haverá o projeto preventivo que são as câmeras de monitoramento. Será uma forma mais dura de atuar no combate ao crime. São Paulo tem os melhores indicadores do Brasil, é o Estado mais seguro, mas temos que comparar São Paulo com o mundo e, não mais, com o País.
E logo no inicio do Governo Doria, tentar trabalhar com a redução de custos no deslocamento de presos para audiências no Fórum. Existem milhares de policiais hoje, dedicados somente a escolta de presos e, não existe mais necessidade disso. Na era da tecnologia poderíamos fazer isso via teleconferência, com o preso dentro da cadeia e evitando gastos de descolamentos e escolta. Claro, respeitando todos os direitos previstos em Lei. O Estado vai investir na tecnologia para diminuir este gasto, logo no primeiro ano de governo. Esse policial que ficava para a escolta será liberado para o patrulhamento ostensivo.

DH – Falando sobre habitação. Como vocês irão diminuir o déficit de habitação no Estado, que hoje é de mais de 1 milhão de residências?
RG – O governo Geraldo Alckmin, nos últimos quatro anos, bateu o recorde de entregas de moradias no Estado. Foram 135 mil unidades entregues. Neste mesmo período, o déficit habitacional aumentou por causa da crise que foi muito severa. É uma questão econômica. Se o Brasil não voltar a crescer e as pessoas não voltarem a ter emprego, mais renda, sempre vai precisar mais do Estado para poder realizar o sonho da casa própria.
Vamos continuar liberando recursos do Estado para continuar beneficiando a população através do Minha Casa, Minha Vida. A habitação, além de realizar o sonho da casa própria, ainda gera emprego. Temos uma meta ousada para o próximo governo é que de 140 mil novas unidades.

DH – O grande articulador do novo governo Bolsonaro junto a Câmara Federal é o deputado reeleito pelo DEM, Onix Lorenzoni. Qual o papel que o senhor acha que o seu partido deve der na gestão de Bolsonaro. Acredita que algum Ministério possa ser ocupado pelo seu partido.
RG – Lidero uma bancada de 44 deputados pelo DEM e, registrei toda a disposição do nosso partido de apoiar as medidas econômicas do governo Bolsonaro. Nós não estivemos ao lado do Bolsonaro no 1º turno, apoiamos Geraldo Alckmin. No 2º turno, vários dos líderes do partido estiveram ao lado do Bolsonaro, inclusive eu em São Paulo. Por isso, nós desejamos muito boa sorte a o Presidente Jair Bolsonaro. Além de sorte, temos que cumprir o nosso papel, já que o Brasil espera responsabilidade da classe política. Aquele que concorda ou não concorda, nós precisamos entender, que o Brasil precisa de medidas na área econômica urgentes, para que a gente retome o desenvolvimento e, que com isso, a gente possa voltar a crescer e gerar empregos. Então, a disposição do Democratas é apoiar medidas que vão de encontro deste crescimento que o Brasil precisa.  ConteúdoESPECIAL – Jaqueline BARROS

 

Da REPORTAGEM

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