Riscos da cirurgia bariátrica são pequenos

Foto Arquivo Pessoal

A cirurgia, se bem indicada e conduzida por uma equipe qualificada, tem menos riscos do que se o paciente continuar obeso, diz especialista

Especialistas são categóricos ao afirmar que a obesidade é considerada uma doença na
sociedade e precisa ser combatida. Uma das formas de lutar contra esse problema é a cirurgia bariátrica, popularmente conhecida como redução de estômago.

Dhoje Interior

De acordo com Thiago Sivieri, especialista em cirurgia bariátrica, as contraindicações
da operação são raras. No entanto, ela não é recomendada a pacientes que apresentam
algum tipo de dependência química ou cujo risco cirúrgico seja muito alto.

A cirurgia bariátrica é recomendada a pacientes com obesidade grau 3 (Índice Massa
Corporal – IMC – maior 40) ou com obesidade grau 2 (IMC maior 35), desde que tenha
duas ou mais doenças relacionadas à obesidade (ex: pressão alta, diabetes, gordura no fígado, colesterol, etc). O IMC é calculado dividindo o peso pela altura ao quadrado. “O paciente candidato a tal cirurgia ainda deve apresentar obesidade há mais de cinco anos e ter tentado tratamento clínico por pelo menos dois anos”, comenta Sivieri.
De acordo com Sivieri, o índice de complicação da cirurgia bariátrica diminuiu bastante
nos últimos anos, isso se deve à padronização técnica, ao desenvolvimento de materiais e às equipes qualificadas. Hoje em dia, os números de complicações são aceitáveis e giram em torno de 0,5%. “A cirurgia, se bem indicada e conduzida por equipe qualificada, tem menos riscos do que se o paciente continuar obeso, pois temos
que tratar a obesidade como uma doença, com sérios riscos à saúde”, diz o especialista.

O médico ainda fala da importância de um acompanhamento de profissionais tanto
antes quanto depois da cirurgia. O tratamento da obesidade começa antes da cirurgia e segue a vida inteira. No pré-operatório, além dos exames de avaliação cardiológica, pulmonar, vascular, consiste também em uma avaliação psicológica rigorosa.

“A avaliação de fisioterapia, terapia ocupacional, assistente social são importantes. O acompanhamento pós-operatório não termina nunca. As avaliações sequenciais de vitaminas (com a reposição correta), o acompanhamento psicológico e nutricional
são fundamentais para o resto da vida. Se conseguir assim, terá bons resultados”,
explica o Sivieri.

Questionado sobre o paciente desenvolver uma depressão ou se entregar a um vício, como o alcoolismo, após passar por uma cirurgia bariátrica, Sivieri foi enfático em dizer que isso não passa de um mito. Na verdade, acontece que o tratamento na pós-operação não é fácil devido às mudanças, por isso é recomendado que a paciente tenha
um acompanhamento com um psicólogo. Se a pessoa seguir o tratamento como indicado, a chance de a pessoa vir a se deprimir é muito baixa, de acordo com o doutor, menos de 5%.

“No pós-operatório, o paciente passa por muitas mudanças físicas e psicológicas, tem
expectativas que se concretizam e outras que não. Saber lidar com frustrações e com um corpo novo, muitas mudanças boas e outras nem tanto. Portanto a depressão pode ocorrer sim em pacientes operados, mas é mito que a cirurgia aumenta esse tipo de doença, geralmente o que ocorre é que o paciente já era depressivo e não conseguiu
fazer o seguimento adequado para lidar com as mudanças”, lembra Sivieri.

Daniela Curtolo Carretero, de 39 anos, passou pela cirurgia bariátrica há nove anos. Na
época, a empresária pesava 99 quilos e estava com dificuldade para emagrecer, tanto que já tinha tentado vários métodos. A ideia de fazer a cirurgia surgiu de uma conversa com uma amiga.

Ela procurou um especialista e em menos de três meses após a conversa já estava na mesa da cirurgia. “Consegui eliminar 44 quilos e hoje, é claro, que depois de duas gestações, ganhei seis quilos a mais, porém ainda dentro da normalidade”, comenta.

Contrariando o mito de que a cirurgia bariátrica pode trazer complicações, como a depressão, Carretero conta que teve uma boa recuperação. “Bom no meu caso só tive benefícios e não precisei de acompanhamento psicológico. Realizei o meu grande sonho que era ser mãe, tive meus dois filhos após a cirurgia e estou muito bem. Não tive dificuldade alguma para me adaptar à nova situação. O meu querer era tão grande que as dificuldades se tornaram pequenas. Hoje tenho uma qualidade de vida muito melhor do que há nove anos”, conta.

Por Leandro BRITO