Rio Preto: Polícia Rodoviária orienta motoristas contra exploração sexual infantil na BR-153

GABRIEL CAMPOS - 15/05/2018: Existem ao longo da malha rodoviária federal 2.487 pontos vulneráveis a exploração de sexual de crianças e adolescentes, alta de 20% comparado ao ano passado.

Equipes da base localizada em Rio Preto percorreram postos de combustíveis e fizeram a distribuição de material informativo aos caminhoneiros durante a noite.


Agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Rio Preto-SP fizeram durante a noite desta sexta-feira (18) abordagens de conscientização aos motoristas, pela rodovia federal BR-153 no dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

O DHOJE também acompanhou a distribuição de material informativo, quanto aos prejuízos sociais e criminais para quem comete esse tipo de crime, que começa em postos de combustíveis, pousadas, bares e outros pontos frequentemente usados por caminhoneiros ao longo de 70 mil quilômetros de estradas federais.

“Maioria dos casos acontece dentro de casa com alguns familiares, mas os caminhoneiros são pais, é avô, tio, então a ideia é fazer com eles também sejam propagadores dessa missão, que eles levem essa mensagem de combate a qualquer tipo de abuso infantil”. Disse o inspetor e membro de comunicação da Polícia Rodoviária Federal, Flávio Catarucci.

Com 45 anos, mistério e todos os agressores de classe média na rua. O caso “Araceli”, menina de oito anos que vivia no Espirito Santo-ES, ela foi raptada, drogada, estuprada e teve o corpo carbonizado no dia 18 de maio de 1973. O desaparecimento deu origem ao dia lembrado por poucos todos os anos.

O caso é um dos mais emblemáticos da história de um ciclo de violência desrespeito aos direitos da criança e adolescentes no Brasil e que se repete, quase todos os dias, principalmente no trecho urbano das rodovias federais e estaduais seja nas pequenas, médias ou grandes cidades. Onde meninos e meninas são exploradas sexualmente a troco de comida e dinheiro.

REPRODUÇÃO/ARQUIVO/GOOGLE IMAGENS: O Araceli é um dos mais emblemáticos da história de um ciclo de violência desrespeito aos direitos da criança e adolescentes no Brasil

Transportando grãos, uma parte do progresso nacional sobre alguns pares de eixos desde os 12 anos de idade, Adriano Orsi de 39 anos, deixou a família em Goiânia-GO e antes de chegar ao seu destino final, do outro lado, já em Santa Catariana, fez uma pausa de descanso no abastecimento que fica ao km 72, Parque dos Pássaros no trecho urbano de Rio Preto.

“Isso incomoda muita gente que está errado, gente fica muito contente com essa conscientização, tenho família, filha de 08 anos, como viajo muito fico preocupado, muito louvável esse trabalho”. Conta Adriano que também veio com outras duas pessoas o cunhado e um amigo.

EXPLORAÇÃO CRESCEU

A mais nova edição da pesquisa MAPEAR com dados de 2017/2018 produzida pela PRF e organização social Childhood Brasil mostra que existem ao longo da malha rodoviária federal 2.487 pontos vulneráveis a exploração de sexual de crianças e adolescentes, alta de 20% comparado ao ano passado.  Criado em 2005 até aqui às informações coletadas pelos agentes fizeram com que 4.766 garotos e meninas deixassem os locais de risco.

“Nos ambientes que eles [motoristas] frequentam, pontos de embarque e desembarque de cargas ao verem crianças, podem fazer uma denúncia anonimamente para que os órgãos públicos façam a intervenção imediata e possam resgata-las de situação de vulnerabilidade às margens da rodovia”. Afirma o agente Catarucci.

Em seguida a morte da menina Araceli Cabrera Crespo o Governo Federal definiu como prioridade olhar com mais profundidade a classificação dos ambientes vulneráveis a violações de direitos das crianças em quatro níveis, que vai desde o baixo risco, médio, alto, e, finalmente, o crítico.

ASSISTA:

O último caso que se tem notícia envolvendo abuso sexual infantil pelo trecho da BR-153 na região administrativa de Rio Preto, segundo informações da polícia foi registrado há 04 anos no município de Icém. Na época o estabelecimento às margens da rodovia federal teve o alvará de funcionamento cassado pela Justiça e teve que fechar as portas.

OUÇA O ÁUDIO: Inspetor Flávio Catarucci

DA REPORTAGEM:

Colaboração: Guilherme Ramos, às 15h12.

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