Rio Preto: Onça Suçuarana atropelada na região voltou ao Hospital

GUILHERME RAMOS/DHOJE - 27/12/17: Expectativa segundo os médicos era de que as fraturas na região do ombro unissem num período de 40 dias, porém sem desfecho positivo.

A onça-parda adulta que foi atropelada no mês de novembro (06) na Rodovia Dona Genoveva Lima de Carvalho Dias (SP-373), no município de Colina, há 108 km, foi levada para o centro cirúrgico do hospital veterinário de uma faculdade particular de Rio Preto, no início da manhã desta quarta feira (27).

Por volta das 8h30, militares da Polícia Ambiental chegaram ao Zoológico Municipal de Rio Preto para fazer o transporte do animal, que seguiu dentro de uma gaiola de ferro e sedado com dardos tranquilizantes disparado com uma zarabatana.

A cirurgia de reestruturação óssea durou 4 horas e foi necessária para reabilitação do felino, que por causa do acidente, teve fraturas na clavícula, na escápula – um osso do peitoral – e em vértebras da cauda, médicos veterinários colocaram uma placa de fixação e pinos de aço cirúrgico. O foco é a recuperação e reintrodução da espécie no ambiente natural dele.

Também conhecida por Suçuarana ou Puma (científico), o animal que é macho, pesa cerca de 46 quilos, foi resgatado por funcionários de uma fazenda produtora de borracha (seringal); Polícia Ambiental e Corpo de Bombeiros também participaram da captura ocorrida em novembro deste ano.

Está é segunda vez que a onça recebe cuidados médicos; depois do acidente, ela ficou estabilizada no Hospital Veterinário e permaneceu 47 dias no Zoológico Municipal de Rio Preto em processo de reabilitação, até voltar para o tratamento.

“A cirurgia servirá para fixar o ombro do animal, permitindo que ele possa caminhar e caçar normalmente. Por ser uma espécie selvagem, agitado e já não tão jovem, a fratura que antes estava alinhada e não tinha indicação de cirurgia acabou desalinhando”, explicou a coordenadora de Atendimento Clínico Cirúrgico de Animais Selvagens Prof.ª Dra. Tatiana Cruvinel.

Uma radiografia realizada na onça parda detectou, além das fraturas, três balas de arma de fogo cujo calibre do revolver não foi identificado, estava alojado na musculatura do animal. A equipe responsável pela operação vai tentar retirar um dos projéteis. Tatiana que também é professora de graduação no Hospital afirma que o animal apresenta boas condições de saúde e estima uma melhora após a intervenção.

Apesar das lesões provocadas pelo atropelamento, na ocasião, não havia necessidade em operar o bicho. A expectativa segundo os médicos era de que as fraturas na região do ombro unissem num período de 40 dias, porém sem desfecho positivo. Feito novos exames foi indicado a cirurgia ortopédica.

Equipe médica que irá fazer a operação na espécie é composta pela Dra. Tatiana, Prof. Dr. Victor Rossetto, anestesista Prof.ª Adriana Rossi, residentes auxiliares Dra Karina Padula e Dra Maria Stella. No Zoológico, a onça é acompanhada pelos profissionais, Ciro Cruvinel (Veterinário coordenador do espaço); Bernard Shimonsky e o biólogo Samuel Villanova. A previsão para que a onça parda esteja totalmente recuperada e possa voltar ao habitat em março de 2018.

“A gente usa um protocolo anestésico, animal representa um certo risco para equipe. Então a gente faz o procedimento lá [zoológico], aqui ele vai passar por exames radiográficos, será entubado, depois colocado no aparelho de anestesia inalatório e na sequência o procedimento cirúrgico”, disse o veterinário Ciro Cruvinel.

Médico afirmou que a princípio o procedimento pós-operatório será imobilização do membro lesionado, “Não é como um ser humano que a gente fala para não apoiar uma perna fraturada, nesse caso a gente vai acompanhando a recuperação do movimento do órgão”. Finalizou Ciro.

Taxa de animais que são trazidos pela Ambiental e IBAMA, na região noroeste paulista, até a clínica acadêmico veterinário de Rio Preto, gira em torno de 420 espécies, de janeiro até dezembro de 2017. Os que estão internados no Setor de Atendimento Veterinário somam 25 ao todo, maioria são aves (21), mamíferos (03) e répteis (01). Importante ressaltar que são recebidos apenas bichos doentes.

Para o responsável do setor cuidados de saúde dos animais do Zoológico da cidade, Ciro Cruvinel, no local são tratados desde animais silvestres vítimas de algum tipo de violência ou que estão de forma irregular em poder de pessoas, que condiciona os bichos dentro de casa, para comércio ou qualquer outra atividade. No Zoo, eles passam por consulta clínica e sanitária e quando houver necessidade são medicados, ficando em quarentena até a completa recuperação.

“Animais chegam aqui no hospital muito debilitados, em algumas situações passam semanas no ambiente onde foram atropelados ou queimados numa condição muito ruim”. Conta a veterinária Tatiana.

Na instituição que fica as margens da BR-153, animais feridos recebem os primeiros cuidados por meio de exames clínicos, de sangue, urina ou raio-x, quando precisar. O retorno dos bichos acidentados aos seus locais de origem, não é muito difícil, há uma expectativa de reintegração deles a fauna, “Animais que precisam de alguma amputação fica mais complicado, não retornamos este animal a natureza, nesse caso [a onça] estamos fazendo de tudo para que este animal retorne a natureza em plenas condições de sobrevivência”, comentou a veterinária Cruvinel.

“Esse animal foi atendido no final de outubro começo de novembro, observamos essa fratura, 40 dias depois retornaram com ele, não consolidou essa fratura”. Finalizou Tatiana.

Outra onça da mesma espécie também precisou ser operada nos mesmos moldes, atualmente ela vive no Bosque aqui da cidade, está em final de melhoria. A fêmea chegou ao Hospital Veterinário, pela Polícia Ambiental no mês de agosto deste ano com 60 dias de vida, foi atingida por uma máquina de cortar cana em uma zona rural na cidade de Planalto, aproximadamente 1h17 de Rio Preto.

Terminado procedimento cirúrgico a onça deve voltar para o Zoológico de Rio Preto por onde será acompanhada, dentro de 30 dias, ela volta ao Hospital para fazer uma radiografia de avaliação.

DA REPORTAGEM:

Colaborou: Guilherme Ramos.

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