Rio Preto lidera ranking estadual de casos de dengue

A tranquilidade do interior ameaçada por um inimigo de poucos milímetros, mas com poder mortal. O Aedes aegypti tem ganhado a batalha em várias cidades do Estado de São Paulo. Mas se você pensa que a capital, que tem mais de 12 milhões de habitantes, é o local onde mais se tem vítimas, está enganado. São Paulo apresentou de janeiro a junho deste ano 12.144 casos confirmados de dengue, o que equivale a pouco mais de 1% da população total.

Por outro lado, no interior do Estado, São José do Rio Preto, maior cidade do noroeste paulista, com 450 mil habitantes, registrou de janeiro a junho de 2019, 26.380 casos de dengue. Isso é equivalente a pouco mais de 5% da população da cidade. O avanço da doença na cidade faz com que Rio Preto ocupe o primeiro lugar na lista, entre todos os municípios paulistas, que mais registraram casos de dengue.

O último boletim, divulgado pelo Ministério da Saúde, mostra que o número de mortes por dengue no Brasil é quase três vezes maior neste ano em relação a 2018. São 295 mortes confirmadas pela doença até 27 de maio, em 2019, contra 99 no ano passado. Só em Rio Preto, 13 pessoas morreram vítimas da doença.

No mês passado, o secretário de saúde de Rio Preto foi até a Câmara para falar sobre os números da dengue na cidade e, na ocasião, explicou que as notificações começariam a cair na segunda quinzena de junho.

Abner Alves, gerente da Vigilância Ambiental, afirmou que o que acontece é que a cidade possui uma quantidade expressiva nos casos de notificações em investigação. “O pior já passou. Agora, a epidemia caminha para o seu fim. Quando soltamos os boletins, a população tem a impressão de que os casos aumentaram, mas na verdade o que acontece é que os registros que estavam em investigação são encerrados como confirmados ou descartados. Os pacientes que aguardam por confirmação foram atendidos em maio e começo de junho e como o processo demora de 30 a 45 dias para ser fechado, a sensação é de uma situação em crescimento”, explicou.

Abner ainda salientou que os casos no geral serão crescentes no próximo boletim, levando em consideração a data da notificação e não a divulgação dos dados. “Seguimos um fluxograma de notificação e investigação para dengue com encaminhamento de exames laboratoriais, exames complementares, coleta de amostras, além de visitar as localidades para eliminação e bloqueio do foco. O processo tem um prazo de até 60 dias para ser concluído, de acordo com normativa. Todas as informações são cadastradas e acompanhadas pelo site do SINAM (Sistema Nacional de Atendimento Médico)”, ponderou.

De acordo com os dados do boletim, disponibilizados pela Saúde de Rio Preto, os suspeitos tiveram um pico no mês de abril, quando o município somou 11.601 notificações. No mês seguinte, maio, foram 7.764 notificações, já em queda. Junho, até o dia 19, soma 581 casos notificados.

No ranking das cidades, São José do Rio Preto lidera os casos positivos com 26.380; seguida por Bauru (24.515); Campinas (22.355); Araraquara (12.863); São Paulo (12.144); Ribeirão Preto (7.263); Birigui (6.836); São Joaquim da Barra (5.410); Barretos (5.059) e Guarulhos (4.812).

Abner aproveitou para dizer que as ações para combater o mosquito transmissor da doença continuam, mas é preciso apoio da população para acabar com a doença. “Os criadouros estão em qualquer acúmulo de água parada, por menor que seja, até em tampinhas de garrafa ou pequenos amontoados de folhas secas. Mas são encontrados com maior frequência em lixo, como resíduos plásticos, espalhados pelas ruas. É preciso atuar ativamente mantendo quintais limpos, sem acúmulo de lixo, pneus, garrafas, por exemplo, calhas, marquises e ralos. Os pratos das plantas podem ser completados com areia grossa até as bordas ou ser lavados com água, bucha e sabão todas as semanas, para eliminar ovos do mosquito. Locais de armazenamento de água devem ser mantidos com tampas”, orienta.

Davi Lucas Lourenço, 5 anos, e a sua mãe, Renata Perpétua de Carvalho, foram diagnosticados com dengue na primeira quinzena de junho. Renata explica que o filho e ela tiveram dores fortes pelo corpo e logo depois as manchas já apareceram. “Depois de dois dias as dores aumentaram e começou também uma dor no estômago. Passei por uma Unidade de Pronto Atendimento por três vezes, até que fui encaminhada para o HB com as plaquetas bem baixas. Fiquei três dias internada e só depois fui liberada”, relata.

Nos meses de maior registro da doença, Rio Preto contou com um Centro de Hidratação para atender os pacientes com dengue. Foram 100 dias de funcionamento, de 18 fevereiro até 29 de maio. No local, a prefeitura havia disponibilizado 55 leitos, divididos em uma ala masculina e outra feminina. Durante o período foram realizados 6.593 atendimentos, uma média de 65 acolhimentos por dia.

O próximo boletim epidemiológico de Rio Preto deve ser divulgado até o final desta semana. Segundo o último número apresentado, a cidade conta com 36.980 notificações, 26.380 casos confirmados, 3.210 em investigação e 13 óbitos.

Por Jaqueline BARROS

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