Rio Preto: Júri condena rapaz que atirou contra o pai a 19 anos de prisão

O jovem Gustavo Dias Barbosa de 26 anos acusado de matar o pai Anísio de Lima Barbosa a época com 59 anos, foi condenado por homicídio qualificado a 19 anos e 20 dias de prisão, em júri popular que terminou no final tarde desta terça-feira (27) em Rio Preto-SP. O crime aconteceu em 21 outubro de 2014.

A pena inicial na primeira fase do julgamento popular iniciado às 13h30 esteve fixada em 14 anos de reclusão pelo fato de o réu possuir outra condenação por roubo e extorsão de R$ 4 mil contra uma fábrica de pipocas.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Gustavo na companhia de mais dois colegas incluindo uma garota de programa, tomaram bebidas, fizeram o uso de drogas e foram até residência onde morava a vítima separado da mulher e vivia com o réu.

Enquanto um casal conhecido de Gustavo faziam sexo em um dos quartos da casa, Gustavo disse que houve um barulho na parte de fora da residência, que ali havia acabado de chegar era o pai dele que estava trabalhando, quando viu a situação ficou nervoso, os dois começaram a discutir e o rapaz armado com um revólver calibre 22 fez um disparo contra o idoso.

“Estava alucinado de droga e bebida alcoólica, momento algum passou pela minha cabeça matar o meu pai”. Disse Gustavo em depoimento ao juiz Cristiano Mikhail.

Um laudo necroscópico apontou que o tiro não foi disparado pela frente do corpo da vítima e com impacto da bala, atingiu a região lateral da cabeça do homem, que mesmo em estado de saúde considerado estável pela equipe médica da Santa Casa, após uma cirurgia de retirada de estilhaços, ele morreu quatro dias depois com edema cerebral.

TRANSTORNO MENTAL

Logo depois do crime Dias fugiu da cena dos disparos com o carro de Anísio, um Del Rey, o mesmo usado para praticar outros delitos. Sem condições de pagar um advogado particular a Justiça pública nomeou um defensor público, Wagner Domingos Camilo, que conseguiu no decorrer do processo em tramitação na 5º Vara Criminal uma avalição de verificação de sanidade mental em defesa do cliente, alegando que o réu não teria capacidade de entender o caráter ilícito do que estava fazendo naquele dia.

Após o exame realizado no período que Gustavo estava preso preventivamente ao presídio em Presidente Venceslau; após o encerramento das investigações conduzidas pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e 4º Distrito Policial, os peritos concluíram que o assassinato do idoso pode ter relação com problemas psiquiátricos sendo o filho da vítima autor do crime sendo considerado portador de transtornos mentais decorrente do uso de drogas.

“Só temos autoria confirmada desse crime justamente pela confissão dele, nenhuma outra testemunha que viu a cena foi arrolada”. Afirma o advogado Wagner Domingos em defesa do réu durante os debates na sala 101 do Tribunal de Júri José Jorge Junior.

Três familiares foram intimados como testemunha, confirmaram a existência de uma barra de ferro que pode ter sido utilizada por Anísio ao tentar se defender durante a confusão. O instrumento não chegou a ser usado como prova. O cenário do crime também não foi preservado, assim apontou a defesa.

“Hoje Gustavo está colhendo uma colheita muito amarga, pai é pai está lá nos dez mandamentos, honrar pai e mãe”. Comentou o promotor criminal responsável pela acusação, Marco Antônio Lelis Moreira.

CONTRADIÇÃO

Quando o réu Gustavo foi ouvido em audiências antes do julgamento popular composto por sete jurados, quatro homens e três mulheres, versões diferentes foram apresentadas em juízo, uma delas é de que ele teria confirmado na data dos fatos uma desavença com Anísio e que ele ido para cima do filho, a outra seria uma faca, logo descartada.

A defesa que agora vai recorrer da decisão do conselho de sentença, que por maioria de votos, 4×3, entendeu que o réu agiu por motivo fútil e com intenção de matar o próprio pai. Outra estratégia usada pelo defensor gira entorno de que o filho não prestou socorro naquele dia por ser procurado da Justiça e que ele não tinha intenção de matar.

“Por ser drogado, o ‘escambal’, ele está aqui para ser julgado não havia motivo nenhum é um ser humano e merece o respeito pela Justiça”. Finalizou a defesa.

O corpo do pai de Gustavo foi encontrado por dois tios do réu caído dentro de casa com marcas de tiros e sangue. Familiares desconfiaram que o idoso não tinha ido almoçar na casa da mãe dele como de costume e foram até a casa de Anísio a rua Doutor Castro Paes no Eldorado, disseram que não prestaram socorro na hora por acreditando que ele estava dormindo, gostava de beber e ficava irritado quando alguém o acordasse.

Mais tarde, quando familiares notaram que aquela não era mais uma cena comum de abuso de álcool pela vítima, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionados e descoberto que Barbosa estava baleado ao tentar corrigir o filho.

REPRODUÇÃO/MAPS: O réu cumpre pena anteriormente por outros crimes de roubo e extorsão e não pode recorrer em liberdade.

Hoje preso na unidade do sistema prisional paulista localizado em Martinópolis-SP (253 km de Rio Preto), Gustavo deverá cumprir e recorrer da pena em regime inicial fechado e foi determinado que o recurso seja processado de acordo com a lei.

 

 

DA REPORTAGEM:

Colaboração: Guilherme Ramos, às 11h19.

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