Rio Preto ganha novas cores por meio da arte de grafiteiros

Aos poucos a paisagem urbana de Rio Preto vem passando por mudança. Não apenas por conta das obras que vem sendo realizadas na cidade. As transformações são visíveis também nas paredes. Em alguns lugares, como na avenida Bady Bassitt, percebe-se um aumento das cores proporcionado pelo graffiti art, manifestação artística em espaços públicos ligado à cultura do Hip Hop. Até praças têm ganhado vida por meio da arte urbana.
Pecks é um dos grafiteiros que luta constantemente para transformar a paisagem urbana de Rio Preto e, com isso, divulgar a cultura do graffiti para a população. O painel exposto em frente à Acirp, na avenida Bady Bassitt, foi pintado por ele. Esse trabalho em específico faz parte de um projeto sobre a consciência negra. “A cada quatro meses, eu refaço ele, vamos continuar a ideia voltada para a consciência negra”, comenta.
“A minha ideia é difundir o grafite em Rio Preto, levar essa arte diferenciada para as lojas e lugares públicos aqui em Rio Preto. Tentar levar essa ideia da arte em desenhos gigantes, com letras diferenciadas para ficar diferente. Algumas pessoas têm essa cabeça aberta que te dão essa liberdade”, comenta Pecks.
O artista comenta que um dos trabalhos desafiadores que teve foi realizado na caixa d’água da Praça Monteiro Lobato, na Vila Diniz. O projeto tornou-se viável por conta do Edital Nelson Seixas.

“Eu passava lá e aquela praça tão abandonada, feiona. Eu percebi que ela precisava de vida. Eu pintei junto com o meu amigo, o Edgar, em cinco dias, mas foi complicado, eu pintei lá tipo fazendo rapel. Mas ficou muito legal”, lembra Pecks.

Pecks está sempre buscando novos desafios. No momento, ele tem o objetivo de ir além das pinturas horizontais que têm na cidade. Ele almeja fazer um trabalho vertical. “Eu pedi um prédio de 30 metros para pintar, só que ainda não consegui. No horizontal a gente tem bastante arte, no vertical a gente ainda não tem. E é o que eu quero. Para dar um diferencial a Rio Preto. Eu tenho esperança que uma hora ou outra alguém vai liberar um prédio de 20 ou 30 metros para eu pintar”, compartilha ele seu desejo.
“Eu tenho várias artes na cidade. Eu tenho um lema comigo que é arte sem limite. Eu não gosto muito de quantidade, eu gosto de qualidade, eu pinto umas ideias maiores. Busco umas coisas inusitadas. Um trabalho gigante que eu tenho é o pontilhão do Nato Vetorasso, que é 200 metros de comprimento por 8 de altura, praticamente da altura de um poste”, destaca Pecks.
No pontilhão do Nato Vetorasso, Pecks ele aproveitou para compartilhar com a população uma cultura popular e tradicional brasileira, pintando a Folia de Santos Reis, uma referência à devoção que ele e a família cultuam há muitos anos. “Eu e a minha família somos devotas de Santos Reis e aproveitei para pintar isso no pontilhão. Fiz uns palhaços, uma bandeira, que representam a cultura popular”, comenta.

Por Leandro BRITO

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