Rio Preto: Em 15 dias, oito menores fogem de casa

"Ele me avisava até para ir à casa da tia dele que é logo na rua de cima. Então o desaparecimento me assustou e abalou toda a família" - Diz Reginalda Ramos, donda de casa

O relato de Reginalda de Jesus Martins Ramos, de 41 anos, mostra a agonia vivenciada durante o desaparecimento do filho de 18 anos, no dia 13 de agosto deste ano. Natural da Bahia, a dona de casa chegou a Rio Preto com o objetivo de consolidar a família e criar os filhos. O desespero pelo sumiço do filho durou longas 28 horas. Aflita, a mãe registrou o caso para ter auxílio da polícia.

Abner Jesus Martins Ramos, de 18 anos saiu na tarde de um sábado para se encontrar com uma jovem que havia conhecido há pouco tempo. O local escolhido foi um shopping da cidade. “Ele conheceu essa menina e marcou de sair com ela. Eu encontrei com ele indo para o shopping a pé, mas fiquei despreocupada. Ele tem 18 anos, mas ele não apareceu”, conta a mãe.

Após retornar da delegacia Reginalda encontrou o filho dentro de sua casa. A mãe afirma que o jovem sempre avisou todos os lugares que ia e nunca havia acontecido uma situação parecida. A moça com a qual ele marcou o encontro não conhecia os familiares o que dificultou as buscas pelo filho. “Ele me avisava até para ir à casa da tia dele que é logo na rua de cima. Então o desaparecimento me assustou e abalou toda a família. Ele contou que dormiu na casa da menina”, explica.

Os relatos de situações parecidas a esta são cada vez mais frequentes na cidade. Somente na última quinzena do mês de agosto oito casos de desaparecimentos de adolescentes foram registrados na Polícia Civil. Os históricos são todos parecidos, os jovens desaparecem e depois de alguns dias retornam para suas residências, alguns afirmam que estavam com amigos, namorados ou não revelam o local.

De acordo com o promotor da Vara da Infância e Juventude de Rio Preto, André Luís de Souza, a ociosidade e o próprio convívio familiar podem ser fatores para que estes jovens saiam de casa. Porém, é preciso avaliar todas as circunstâncias para dar início as investigações e localização do adolescente. “Recomendamos que após 24 horas a família registre o caso a polícia. Se houver de fato a participação de suspeitos no desaparecimento é feita uma ação tutelar provisória de busca e apreensão”, explica.
Todos os dados dos registros de desaparecimentos feitos pela Polícia Civil são colocados no sistema do Ministério Público.

O promotor orienta a família comunicar sobre o caso na Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público, Conselho Tutelar e Assistência Social para que juntos localizem o adolescente. Após localização do menor, o serviço de mediação é feito para entender o caso. “Fazemos a mediação para conseguir levantar a hipótese do que aconteceu, além disso, encaminhamos o jovem para o setor de assistência psicológica para o fortalecimento do vínculo com a família”, finaliza.

A Secretaria Municipal de Assistência Social afirmou, em nota, que quando comunicada sobre os casos encaminha os dados dos adolescentes desaparecidos a todas as unidades, com o objetivo de saber se o menor foi localizado.

 

Por Mariane Dias

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