Rio-pretenses com câncer só podem ser tratados na Santa Casa

Uma mudança tem gerado reclamação entre os pacientes rio-pretenses que fazem o tratamento de câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS). É que desde o dia 1º de novembro o Hospital de Base atende somente a pacientes da região e os munícipes diagnosticados com a doença são encaminhados a Santa Casa. Apenas em casos de tratamento oncológico em saúde bucal, cânceres raros, pediatria e transplante de medula óssea que os rio-pretenses continuam sendo atendidos pelo HB.

A mudança ocorre em função de uma medida do Governo Estadual com a implantação da Rede Hebe Camargo de Combate ao Câncer que dividiu a região em quatro áreas que prestam serviços oncológicos via SUS, sendo: a Santa Casa responsável pela demanda de pacientes do município de Rio Preto; o HB encarregado de atender pacientes residentes nos 102 municípios abrangidos pelo Departamento Regional de Saúde (DRS 15); Hospital Fundação Padre Albino e Emílio Carlos de Catanduva e Hospital do Câncer em Jales.

O diretor executivo do Hospital de Base, Jorge Fares, acredita que essa implantação ainda passe por adequações e que os moradores de Rio Preto possam voltar a ter também a opção de ser tratar pelo HB. “É impossível a população com câncer não ter acesso ao Hospital de Base, que tem um centro de oncologia e excluir a população de Rio Preto disso, não acredito que isso vá acontecer. Acho que vai ter bom senso por parte do município e Estado e vai ter uma adequação”, comentou.

Segundo o diretor executivo, cerca de 1800 pacientes rio-pretenses com câncer foram atendidos de janeiro a agosto deste ano, sendo que por mês são atendidas aproximadamente 250 pessoas pelo setor de quimioterapia. Com a mudança esses números reduziram significativamente. “Isso agora despencou. Em novembro foram cerca de 40 a 50 pacientes. Nós temos cerca de 700 leitos no SUS e aproximadamente 250 são preenchidos por Rio Preto. A Santa Casa tem menos que isso em termos de leitos”, disse. Fares ressaltou que a estrutura de atendimento do hospital já está um pouco ociosa devido a essa queda de pacientes, após os encaminhamentos a Santa Casa. “Esse modelo precisa ser rediscutido”, afirmou.

Em nota o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Rio Preto esclareceu que a Rede Hebe Camargo de Combate ao Câncer foi criada em 2013 pelo Governo do Estado, com a finalidade de organizar e padronizar o atendimento oncológico em São Paulo. A rede conta também com uma central de regulação específica para encaminhamento dos casos oncológicos a serviços de referência, conforme a demanda de cada paciente e pactuação regional. Os fluxos de regulação já existiam e, desde novembro, a regulação específica da rede Hebe Camargo está se consolidando na região por meio do sistema Cross (Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde). O atendimento oncológico pelo SUS é custeado pelo Ministério da Saúde, mediante credenciamento e habilitação pelo órgão federal.

A equipe do Jornal DHoje tentou entrar em contato com a direção da Santa Casa para falar sobre o assunto, mas não obteve resposta.

 

Por Priscila Carvalho

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