Reunião entre delegados aponta déficit de efetivo policial e sindicato promete cobrança ao governo

Delegada Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindpesp, falou e ouviu os problemas dos delegados da região de Rio Preto

Nesta quinta-feira (17), o Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo) se reuniu com delegados de Rio Preto e região, que relataram vários problemas que a Polícia Civil vem enfrentando, como o déficit de funcionários e o sucateamento da unidade e obtiveram a promessa que as reivindicações serão levadas para o governo do Estado.

Segundo a presidente do sindicato e delegada Raquel Kobashi Gallinati, a maior demanda é para suprir a falta de investimentos. “Há uma necessidade de investimento do governo na polícia judiciária, que é a polícia que investiga, a polícia que pode combater as causas do crime, ou as organizações criminosas através de uma investigação de inteligência”, afirmou ela, que questionou as atitudes tomadas durante as duas últimas décadas.

“Por mais de 20, 25 anos, percebemos uma política equivocada do governo para investir na polícia judiciária, na polícia civil. E as consequências, hoje, são que policiais civis, delegados de polícia, estão, por exemplo, a 24 horas de sobreaviso, a semana toda, o mês inteiro, o ano inteiro, ou seja, a polícia toda não se permite ao direito de descanso. Normas internacionais do direito do trabalho são frontalmente desrespeitadas, pois o delegado de polícia não pode nem planejar o final de semana de descanso ou lazer com a família, pois ele pode ser chamado a qualquer momento em uma delegacia, porque o delegado de polícia não responde somente aquela delegacia que ele está locado, pela falta de policiais, ele responde por quatro ou cinco delegacias, além daquele que ele já está lotado”, explicou a delegada.

Ainda de acordo com Raquel, além da sobrecarga de trabalho, a falta de estrutura para as unidades policiais. “Péssimos investimentos em estrutura física, tanto das delegacias e viaturas descaracterizadas e investimento em tecnologia de investigação, ou seja, há um total descaso por parte do governo na polícia que pode combater o crime na causa, através de investigação”, disse ela.

Sobre como resolver o prolema, a presidente do Sindpesp disse que depende de vontade política. “Há uma necessidade de que o atual governador tenha uma vontade política de cumprir a sua obrigação para que dê segurança a população paulista. Pois se há um processo de desmonte sucateamento com a polícia judiciária do estado de São Paulo, nos tornando vítimas, nós somos apenas as vítimas secundárias, reflexas, pois a principal vítima desse processo todo de desmonte é a sociedade. Então, basta de descaso com a segurança da população paulista. Queremos segurança”, finalizou.

Atualmente, segundo dados do diário oficial do Estado de São Paulo, em cargos de carreira, como delegado de polícia, o déficit é de 159 funcionários. Ao todo, de acordo com Rachel Kobashi Gallinati, o déficit da Polícia Civil é de aproximadamente 13 mil policiais.

Por Marcelo Schaffauser

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