Relatório da Aeronáutica aponta falta de combustível no voo da Chape

Avião que levava todo o elenco da Chapecoense, além da imprensa que iria cobrir o jogo, caiu na madrugada do dia 29 de novembro

Após um ano e cinco meses de investigação e com a ajuda de autoridades de cinco países, nesta sexta-feira (27), a Aeronáutica Civil da Colômbia divulgou o relatório final do voo 2933 da Lamia, que caiu na madrugada do dia 29 de novembro de 2016 e matou 71 pessoas, sendo grande parte do elenco da Chapecoense, além da imprensa que iria para Medellín cobrir a final da Copa Sul-Americana. Entre as causas da tragédia, o nível de combustível abaixo do mínimo exigido foi apontado pelas investigações.

O relatório, feito após a conclusão da análise da caixa-preta, que contém gravadores de dados de voz da tripulação e de voo, mostra que o avião tinha 2.303 quilos de combustível a menos do que deveria levar para a viagem. O mínimo para cumprir os regulamentos internacionais naquele voo era um total de 11.603 quilos de combustível, de acordo com a investigação. Porém, a aeronave tinha apenas 9.300 quilos de combustível.

Ainda segundo o relatório, a investigação confirma que o combustível do avião era insuficiente para o voo entre Santa Cruz, na Bolívia, e Medellín, na Colômbia. Assim, o acidente teria ocorrido por esgotamento de combustível como consequência da falta de gestão de risco apropriada pela Lamia, já que sem o combustível, os motores pararam de funcionar e o avião planou até bater.

Veja as causas da tragédia apontadas pela Aeronáutica Civil da Colômbia:

A empresa Lamia, planeou sem escalas o entre Santa Cruz (Bolívia) e Rio Negro (Colômbia).

Não cumpriu os requisitos de quantidade mínima de combustível exigidos nas normas internacionais, uma vez que não teve em conta o combustível necessário para voar para um aeroporto alternativo, o de contingência, o de reserva e o combustível mínimo de aterragem.

Nem a empresa nem a tripulação, apesar de estarem conscientes da pouca quantidade de gasolina para terminar o voo em Rio Negro, tomaram a decisão de aterrar em outro aeroporto em rota para reabastecer e completar assim a quantidade mínima de combustível para proceder com segurança ao seu destino final.

A tripulação descartou uma aterragem em Bogotá, ou outro aeroporto, para reabastecer.

A Lamia tinha deficiências organizacionais, uma difícil situação econômica, inconvenientes na dotação de cargos e problemas no seu sistema de gestão de segurança operacional e no cumprimento das políticas de Combustível, pois, apesar de terem sido estabelecidas nos manuais, não se cumpriram na prática.

Por Marcelo Schaffauser

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