Região ganha destaque com desculpas bizarras para multa

Rio Preto e Nova Granada ganharam destaque junto ao Detran, Departamento Estadual de Trânsito, pelas desculpas bizarras dadas pelos motoristas ao serem flagrados dirigindo embriagados. As desculpas mais bizarras participam de uma competição estadual pelo Facebook do departamento.

Em meio à Copa do Mundo, a campanha do Detran colocou em votação as melhores justificativas de condutores. A final da Copa dos Recursos Mais Incríveis da Lei Seca será no próximo dia 6 de julho, quando os paulistas conhecerão a desculpa campeã. A votação será realizada pelo Facebook do Detran e os usuários poderão eleger as melhores.

Nas representantes da região, a de Nova Granada é de um motorista que diz ser padre, estava na cerimônia e tomou somente um cálice de vinho. O outro motorista é de Rio Preto e disse que o teste deu positivo, pois não se lembrava, mas poderia ter feito uso do adstringente bucal ou até mesmo por ter beijado uma garota que estava embriagada.

O diretor-presidente do Detran, Maxwell Vieira, disse que a ação é para aproveitar a Copa do Mundo e que, apesar da forma engraçada, o assunto é sério. “Vivemos hoje uma calamidade no País, com 40 mil mortes por ano no trânsito. Então, foi mais uma ação que pensamos em fazer aproveitando a Copa do Mundo. Sabemos que Lei Seca é um assunto sério e que as pessoas não gostam de falar. Mas precisamos estar a todo momento falando e conscientizando”, diz Vieira.

No fim de 2015, o Detran-SP criou um órgão específico para julgar recursos da Lei Seca. O objetivo era tornar mais ágil e rigorosa a avaliação. Segundo o órgão, dos 37 mil recursos analisados pelo setor, 97,7% foram indeferidos.

Criada há 10 anos, a Lei Seca determina multa de R$ 2.934 e suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) caso o motorista seja flagrado com menos de 0,3 mg de álcool por litro de ar soprado ou se recuse a fazer o exame. Se o equipamento identificar 0,3 mg ou mais, além da multa e da suspensão, o condutor fica sujeito à prisão de 6 meses a 3 anos.

Veja abaixo as 16 melhores desculpas esfarrapadas selecionadas pelo Detran:
1 – Ribeirão Preto (2016): “Estava no rancho. Bebia cerveja sem álcool. Um amigo colocou cerveja com álcool na minha latinha. Não percebi. Me considero inocente”.

2 – São Paulo (2015): “Informo que tal ato foi cometido em virtude de problemas pessoais devido ao término do meu noivado, o que me deixou abalado emocionalmente, me levando a cometer uma imprudência ao volante”.

3 – Taubaté (2016): “Sofri um acidente por motivo mecânico do carro. A polícia chegou e sentiu cheiro de álcool. Não fiz o teste do bafômetro porque não tinha bebido. O carro estava com as compras do meu caseiro, que havia comprado um garrafão de pinga. Era aniversário dele. Não tinha como recusar de levar o garrafão. Em caso de dúvida, podem confirmar com meu caseiro”.

4 – Taquaritinga (2015): “O condutor estava em sua residência, onde ingeriu cerca de duas taças de vinho, quando sentiu vontade de escutar CDs que estavam no veículo estacionado em frente à sua casa. Dessa forma, sentou no banco do motorista e ali adormeceu. Foi acordado pela polícia exigindo documentos. Tudo foi apresentado. No entanto, foi acusado de estar dirigindo sob a influência de álcool e de ter colidido com outro veículo. Vale esclarecer que a suposta manobra informada pela PM, trata-se de o veículo ter descido centímetros por conta do sobrepeso do condutor associado ao declive da rua”.

5 – Araraquara (2016): “Não me lembro de ter passado por nenhum exame que constatasse que eu estava alcoolizado no acidente”.

6 – Rio Preto (2016): “Para sua surpresa, submetido ao teste de bafômetro, o policial informou que o aparelho teria uma medição de 0,06 mg/L. Resignado, buscou uma explicação para o ocorrido e teve ciência de que o teste positivo poderia ter sido oriundo do uso do adstringente bucal ou até mesmo por ter beijado uma garota que estava embriagada”.

7 – Guarulhos (2016): “Declaro que o veículo me pertence e que não é verdade que meu filho dirigiu alcoolizado, até mesmo por ser uma pessoa calma e de controle absoluto. Os olhos deles realmente estavam vermelhos, mas é porque estava com conjuntivite. Acabou batendo o veículo porque dormiu ao volante, como aconteceria com qualquer outra pessoa que dirige com sono”.

8 – Jundiaí (2017): “No dia em que fui parada eu tinha bebido um pouco, pois tive uma decepção amorosa. Meu namorado me traiu com uma das minhas melhores amigas. Fiquei sem rumo e por esse motivo me excedi um pouco na cerveja”.

9 – Mogi Guaçu (2017): “Não me recusei. O agente me perguntou se eu “gostaria” de fazer o teste. Ele não disse que eu “teria” de fazer o teste. Se fosse uma exigência do agente eu teria feito, mas ele me falou: “você gostaria de fazer o teste ou não?”. E eu não gostei. Se a frase fosse “você vai fazer o teste ou não?”, aí seria diferente. A palavra “gostaria” muda totalmente a frase”.

10 – São Paulo (2016): “O consumo de bebidas alcoólicas, como a cerveja e o vinho, vem sendo comprovado cientificamente como benéfico para a saúde. Previne doenças como o câncer e melhora o bom colesterol, auxiliando a prevenção de derrames e enfartes, desde que consumidos com moderação. Já o consumo de refrigerantes é maléfico à saúde. Se ingeridos em excesso enfraquecem os ossos e causam câncer”.

11 – São Paulo (2016): “Não consegui explicar ao agente de trânsito que estava muito mal de saúde, com gripe forte e suspeita de H1N1 e poderia transmitir a outras pessoas se fizesse o teste”.

12 – Guarulhos (2015): “Ocorre que a recusa não foi motivada pelo fato de que a recorrente estivesse dirigindo alcoolizada, e sim em razão de haver sofrido um problema com a sua prótese dentária, o que, além de causar um desconforto enorme, também motivaria constrangimento, já que no momento da abordagem havia várias pessoas no local”.

13 – Votorantim (2016): “Na fita do etilômetro consta que o teste foi realizado às 22h36, porém no auto de infração consta 22h40. Portanto, há divergências “incompatíveis” com a legalidade da autuação, pois a hora que consta do teste do etilômetro deve ser a mesma do auto de infração para garantir a veracidade e a confiabilidade do exame”.

14 – Itanhaém (sem ano): “Fui parado em operação da Lei Seca. O agente responsável trouxe o bafômetro para que fosse realizado o teste. Entretanto, como moro há vários anos no litoral, expliquei ao agente responsável que equipamentos eletrônicos sujeitos à maresia estão invariavelmente fadados a erros e falhas causadas pelo sal marinho que se deposita dentro de placas e circuitos. Por isso não fiz o teste”.

15 – São Paulo (sem ano): “Para surpresa do recorrente, lhe foi solicitado que soprasse o bafômetro entre cinco pistas de veículos, todas com trânsito parado em função da própria blitz. O congestionamento se estendia por 500 m em ambas as direções e fez com que houvesse um altíssimo nível de concentração de gases de escape de veículos, inclusive movidos a álcool, o que gerou insegurança ao recorrente. Isso porque os gases poderiam alterar os resultados dos testes”.

16 – Nova Granada (2016): “É do conhecimento que a religião católica tem a missa como centro de sua liturgia, e que o momento mais solene é quando o pão e o vinho se transformam no corpo e no sangue de Cristo. O número pequeno de sacerdotes leva muitos a oficiarem duas ou três missas por dia em lugares diversos, ingerindo, pois, em cada consagração, uma pequena quantidade de vinho. Ora, como os sacerdotes não gozam das mordomias dos agentes públicos de certo escalão (com motoristas pagos pelo erário), são obrigados a dirigir seus veículos para trabalhar. Ora, qualquer deles está sujeito, numa blitz, a ser multado”.

 

Por Bia MENEGILDO

 

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