Região de Rio Preto é a 4ª do Estado em internação por obesidade

Foto Arquivo Pessoal

A cada dois dias, uma pessoa é internada na região de Rio Preto por conta da obesidade. Os números são do Datasus, banco de dados do Ministério da Saúde. A região é a 4ª do Estado e a 10ª no Brasil em internações por esse tipo de doença.

De acordo com as informações, nos últimos quatro anos – de junho de 2014 a junho de 2018 – 935 pacientes foram internados por causa da obesidade na região de Rio Preto. A região só perde para São Paulo, Piracicaba e Alto do Vale do Paraíba.

O número tem aumentado a cada ano. Referência nesse tipo de cirurgia, o Hospital de Base de Rio Preto realiza em média 30 procedimentos cirúrgicos contra obesidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O número dobrou em relação há quatro anos, quando o hospital atendia 16 pacientes com obesidade mórbida. E a tendência é aumentar para 40 atendimentos mensais a partir de 2019.

“No Brasil cerca de 60% das pessoas têm algum grau de excesso de peso, desde o chamado sobrepeso até super- superobesidade. A obesidade é um desequilíbrio metabólico e faz com que o organismo se encontre em um estado anormal e inflamatório, levando a pessoa a desenvolver várias outras doenças”, destacou o cirurgião bariátrico Gilberto Lopes Brito.

O médico alerta que a obesidade é um fator de risco para diversas doenças como hipertensão arterial, diabetes tipo 2, distúrbios do colesterol ou triglicerídeos, doenças cardiovasculares, insuficiência cardíaca e vários tipos de câncer.

A cirurgia bariátrica é indicada para quem tem o Índice de Massa Corporal (IMC) entre 35 e 40 com comorbidades (doenças associadas à obesidade) ou quem tem o IMC acima de 40. O cálculo é feito dividindo o peso pelo valor de duas vezes a altura.

Especialistas apontam um tratamento clínico intensivo e multidisciplinar, formado por endocrinologista, nutricionista, psicólogo e personal trainer, como primeiro passo antes do processo cirúrgico. Somente depois de um tratamento clínico sem sucesso para perder peso por 2 anos uma pessoa será submetida a cirurgia. Mas a falha do tratamento nos obesos mórbidos chega a 95% segundo alguns estudos.

“Para obesidade mórbida, o tratamento cirúrgico se constitui na única saída para os pacientes, pois na maioria dos casos dos pacientes neste estágio os tratamentos clínicos com medicamentos, exercícios e dieta alimentares, não tem a mesma potência para combater essa obesidade a longo prazo”, diz Brito.

Pacientes
Ivanilda da Cruz Lopes de Campos, 47, chegou a pesar 130 quilos e fez a cirurgia bariátrica há 10 anos. “Era complicado olhar no espelho e se ver gorda. Ir até uma loja e não encontrar uma roupa da sua medida, além de dificuldades encontradas com o assento em alguns estabelecimentos. Cheguei a ficar depressiva com essa situação”, explica.
A dona de casa teve que emagrecer 20 quilos para realizar o procedimento cirúrgico. Após a cirurgia, Ivanilda passou a pesar 70 quilos.

Depois da luta contra a balança, Ivanilda Campos relatou que o desafio passou a ser os novos hábitos alimentares. “No começo era mais complicado, onde só poderia ingerir líquido e comer muito pouco. Bate aquele receio de não conseguir adaptar a dieta, mas depois acostuma. Eu sei qual é o meu limite de comer.”

O estudante Arcino Berto Neto, 28 anos, também realizou a operação para combater a obesidade. Neto eliminou 60 quilos, dos 165 quando fez a cirurgia. “Me sinto super bem e disposto no dia a dia. A gente passa comer de forma correta os alimentos em seus horário previsto e ter uma qualidade de vida melhor”, relata. Conteúdo especial: Vinícius MAIA

 

Da REPORTAGEM

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