Reforma trabalhista entra em vigor amanhã e divide opiniões

PAralisação - Funcionários do INSS participarão das manifestações contra a reforma trabalhista. Foto Divulgação

A partir de amanhã, começa a vigorar em todo o país as novas regras aprovadas pela Reforma Trabalhista. Ao todo, mais de 100 itens foram alterados na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e muitos ainda geram dúvidas para os trabalhadores e empregados.
Questões como licença maternidade, insalubridade, fim da jornada in itinere, férias, entre outros, são motivos de debates entre quem é contra e favor a nova legislação.
Presidente do Movimento Sindical Unificado (MSU), Sérgio Paranhos, que hoje estará ao lado de outros funcionários e sindicalistas em uma manifestação em São Paulo, que deve reunir cerca de 20 mil pessoas, que são contra as reformas, explicou seu posicionamento contrário a mudança.

“Na realidade tirou várias conquistas que os trabalhadores tiveram ao longo dos anos. Piso salarial, acordo de convenção, cartão de alimentação, adicional de tempo de serviço, enfim, o trabalhador ficou enfraquecido”, afirmou.

Paranhos ainda diz que os empregadores terão que obedecer as convenções que estão em vigor, antes de tomarem qualquer providência que possa prejudicar os funcionários.
“Para quem for contratado a partir de sábado, alertamos para ficar atento com qualquer modificação nos contratos. A orientação é procurar os sindicatos. Infelizmente, a reforma saiu com muitos defeitos. Foi também uma tentativa de enfraquecer os sindicatos, já que ela foi feita em um momento de fragilidade”, disse o sindicalista, que não vê com bons olhos o futuro da Reforma Trabalhista.
“Se as empresas não desobedeceram as novas regras, os acordos com os trabalhadores será um ponto positivo da reforma. Mas estamos receosos”, finalizou.
Por outro lado, Ricardo Arroyo, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Rio Preto, o Sincomercio, se mostrou favorável com a nova regulamentação. “Ela veio para dar mais segurança tanto para o empresário quanto o parceiro. Esperamos que voltem os investimentos de fora do Brasil. Não tira o direito de nenhum empregado. Traz segurança e aumenta as garantias dos empresários para fazer investimentos”, explicou Arroyo, que também esclareceu que o empregador deverá cumprir suas obrigações para não ser levado para a Justiça.
Quem também aprovou as novas regras foi o presidente da Associação Comercial e Industrial de Rio Preto, a Acirp, Paulo Sader.
“Acho uma evolução. Já faz anos que vem sendo discutida no Congresso. A grande virtude que ela traz é o acordo entre patrão e empregado. Essa é a nova realidade dos funcionários e dos patrões. Empresários mais responsáveis, que não querem explorar os funcionários. Empregados e patrões assumindo as responsabilidades e a maturidade”, disse o presidente da Acirp, que acredita que tanto o funcionário quanto o empregador estão prontos para a reforma.
“É uma evolução nas relações que existem entre nós. Processo de evolução da sociedade brasileira. Estamos prontos para evoluir e crescer em cima de uma legislação que está aí desde 1930”, finalizou.

INSS também para por conta da Reforma

Os funcionários do INSS de Rio Preto estarão em greve hoje. Segundo o diretor estadual do Sinsprev – Sindicato dos Servidores Federais da Saúde e Previdência no Estado de São Paulo, Eduardo Franco, o motivo da paralisação é por conta da reforma da Previdência e a revogação da reforma Trabalhista.
“A paralisação é contra a reforma da Previdência e a revogação da Trabalhista, tal qual o governo está propondo, e contra o aumento de contribuição de 11% para 14% para o funcionário, e demais retiradas de direitos que são provocados pela Emenda Constitucional 95, sobre a PEC 55, que congela gastos públicos por 20 anos, e, com isso, propõe o pedido de demissão voluntária, não contrata servidores, propõe terceirização e privatização”, explica.
Ainda de acordo com Eduardo Franco, diferente de outros sindicatos de Rio Preto e região, que vão até a capital participar das manifestações contra a Reforma Trabalhista, e que deve reunir cerca de 20 mil pessoas, os funcionários do INSS vão participar de um ato unificado entre os sindicatos filiados e centrais em Rio Preto, a partir das 16h, hoje, em frente à rodoviária.

Por Marcelo SCHAFFAUSER

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