Reforma do Ensino Médio gera polêmica entre os estudantes

Estudante - Milena de Carvalho dos Santos, 17 anos, diz ser a favor da medida. Ela cursa o 2º ano do Ensino Médio

Depois de muita polêmica, a medida provisória sobre a Reforma do Ensino Médio foi aprovada pela Câmara dos Deputados. Agora, a proposta segue para sanção ou veto do Senado. O texto-base traz como uma das principais polêmicas, a obrigatoriedade das disciplinas de educação física, arte, sociologia e filosofia na Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio. Ao contrário do proposto, essas disciplinas permanecem.

A Medida Provisória foi um dos principais motivos que levaram estudantes de todo país a ocuparem escolas em protesto contra o governo federal no segundo semestre deste ano. Mais de mil unidades de ensino foram tomadas por jovens contrários às mudanças, o que levou, inclusive, ao adiamento da prova no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para cerca de 270 mil inscritos.

Para o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), a reforma deve acontecer, mas deveria ter sido consultada com a população o que realmente estavam de acordo ou não. Mas aconteceu o contrário, foi uma medida “imposta”. A coordenadora da Apeoesp em Rio Preto, Vera Lúcia de Campos Araújo, afirma que na sessão da última terça-feira, o sindicato esteve presente na Câmara para que eles aprovassem as disciplinas escolares, o que de fato aconteceu. Outro ponto que ela destaca é o chamado “Notório Saber”. “A maior preocupação da Apeoesp é em relação as disciplinas que eles querem, mas não conseguiram porque a própria Apeoesp esteve conversando com os deputados, esteve presente na votação e, então, filosofia e sociologia continuam no currículo; artes e educação física também continuam, mas não como disciplinas específicas e sim, estudos de práticas. E também estávamos com problema em relação ao Notório Saber, que estavam dando a possibilidade de contratação de pessoas que não seriam professores com condições de ministrar aulas.”

Outra questão levantada pela coordenadora, é em relação a quantidade de horas que o aluno vai passar dentro da escola. A carga horária atual é de 800 horas anuais que passam para 1,4 mil em período integral. Segundo Vera, as escolas hoje no país não estão adequadas da forma correta para receber esse aluno em um período integral. “Mas que escola está adaptada ou está em condições de fazer escolas de tempo integral. Vai ter que modelar as escolas para terem esse ensino profissionalizante, para ter esse Ensino Médio de tempo integral para o aluno não ficar ocioso.”

Opiniões contrárias
A estudante Milena de Carvalho dos Santos, 17 anos, cursa o 2º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Alberto Andaló, afirma que é favorável à reforma. “Sou a favor, porque eu acho que dá mais tempo para o aluno estudar e acho também que algumas escolas estão preparadas, sim.”

Já Felipe Fotopoulos, 16 anos, diz ser contrário as mudanças. “Eu sou contra, porque você deixa de buscar conhecimento em outras áreas pra se especializar em uma só. Estuda para aprender apenas uma função.”

Também tem aqueles estudantes que ficam no meio termo, nem a favor e nem contra. É o caso da jovem Beatriz Loren, 16 anos. Ela cursa o 1º da Escola Municipal Maria Galante Nora. “Não sou contra nem a favor, para mim está bom do jeito que está. Só a falta de professores que me incomoda. Mas não tenho do que reclamar.”

Fonte: Luna Kfouri e Eduardo Volpe – Redação jornal DHoje Interior 

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