Rede Lucy Montoro: 10 anos incluindo e reabilitando pessoas

A pequena Jéssica durante o tratamento na unidade da Rede Lucy Montoro em São José do Rio Preto

Este ano a Rede de Reabilitação Lucy Montoro completa 10 anos de atendimentos a pacientes com lesão medular, traumas, AVC (acidente vascular cerebral) e doenças degenerativas. Fundada em 2008, atualmente a Rede possui 18 unidades no Estado de São Paulo e realiza mais de 100 mil atendimentos por mês.

A criação de programas de reabilitação específicos, que vão de encontro à características de cada paciente, faz da Rede Lucy Montoro uma referência na área ao oferecer o melhor e mais avançado tratamento de reabilitação para pacientes com deficiências físicas incapacitantes, motoras e sensório-motoras.

Um ano depois de sua criação, a Rede implementou integralmente a Rede de Atendimento em Reabilitação, de forma hierarquizada e descentralizada dentro dos parâmetros do Sistema Único de Saúde – SUS, nas unidades de Campinas, Clínicas, Fernandópolis, Lapa, Marília, Mogi Mirim, Morumbi, Pariquera-Açu, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Umarizal e Vila Mariana. Novas unidades em Diadema, Sorocaba e Botucatu foram anunciadas recentemente.

Uma das unidades, o Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP – IMREA HC FMUSP, recebeu certificação internacional, sendo a primeira instituição brasileira a obter a certificação fornecida pela CARF, sigla em inglês para Commission on Accredition of Rehabilitation Facilities, entidade canadense mundialmente reconhecida por seus altos níveis de exigência na acreditação de centros de reabilitação do mundo.

Para a secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Dra. Linamara Rizzo Battistella, “a acreditação conquistada pelo IMREA permite que o Instituto figure entre os principais centros de referência em reabilitação física do mundo”.

Os tratamentos da Rede Lucy são realizados por equipes multidisciplinares, formadas por profissionais especializados em reabilitação, entre médicos fisiatras, enfermeiras, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, educadores físicos e fonoaudiólogos, entre outros.

Além das unidades presentes na capital e interior, há ainda a Unidade Móvel, uma carreta de 15m x 2,60m e 20 toneladas, destinada ao fornecimento de órteses, próteses, cadeiras de rodas e meios auxiliares de locomoção, com elevador hidráulico para atender cadeirantes ou pessoas em maca, banheiro adaptado, consultório médico, sala de espera e oficina de órteses e próteses, composta por salas de prova, de máquinas e de gesso. Desde 2009, a Unidade Móvel já atendeu mais de 2 mil pacientes e forneceu mais de 4 mil equipamentos.

Retomando a vida

Na reabilitação, os pacientes podem descobrir uma nova maneira de encarar a realidade, como aconteceu com José Messias da Silva, 49, que sofreu um acidente de trabalho e perdeu parte da perna acima de seu joelho esquerdo. “Nunca pensei que fosse conseguir voltar a andar. O tratamento aqui é maravilhoso e os profissionais também”, destaca Messias.

Os ganhos na mobilidade foram essenciais para o morador de Narandiba, interior de São Paulo, que faz reabilitação na unidade da Vila Mariana, capital paulista. “Tive a oportunidade de me sentir melhor que antes de sofrer o acidente e montei uma confeitaria, além de fazer curso de Turismo Rural”, completa.

No aspecto de recuperação da mobilidade, o grande desafio é voltar às atividades cotidianas, conforme destaca Maria Cecilia dos Santos, diretora de Fisioterapia do IMREA. “Os programas da Fisioterapia visam o máximo de independência funcional do paciente, principalmente para recuperar a autonomia para realizar ações rotineiras; são exercícios específicos com o paciente no ambiente terapêutico”, complementa.

O caso da pequena Jéssica

Uma das histórias mais emocionantes que passaram pela Lucy Montoro foi o caso da menina angolana Jéssica, que nasceu sem parte da perna esquerda. Ela foi encontrada abandonada em um lixão, nas proximidades do Rio Lucola, na cidade de Cabinda, em Angola. Por conta disso, ela ficou conhecida por muito tempo apenas como “Neném Lucola”.

Após algumas semanas na neonatologia, ela foi encaminhada à adoção, mas foi rejeitada por muitas famílias. Neste período, a angolana Elisa Tunguica, de 35 anos, voltava de uma viagem de turismo no Brasil. A policial de imigração trabalhava nos turnos de uma maternidade, coincidentemente, a mesma instituição que recebera o caso da ‘Neném Lucola’. Convidada por uma amiga, foi conhecer a criança.

“Foi paixão à primeira vista. Depois que visitei o leito, não conseguia mais tirar da minha cabeça, ainda mais sabendo que ninguém queria adotá-la. Ela tinha um olhar muito triste, estava muito doente. Aí eu pensei: por que não fico com ela? Eu nunca pensei em adotar uma criança, mas com ela foi diferente”, conta a policial.

Elisa viajou ao Brasil em busca de melhores tratamentos. Em São Paulo, a mãe adotiva procurou pela rede pública de saúde. Após a avaliação em um Postinho, Jéssica foi encaminhada ao Hospital de Base, no mesmo município da amiga. Foi ali que a menina pôde realizar a cirurgia e preparar a perna para receber uma prótese.

Logo após o procedimento, Jéssica foi encaminhada para reabilitação na unidade da Rede Lucy Montoro, em São José do Rio Preto. Através da Rede, teve suporte de uma equipe multidisciplinar para realizar o tratamento especializado de acordo com as características do seu caso.

“Aqui em Rio Preto nós atendemos 200 cidades do interior do Estado. A nossa unidade já transformou a vida de muitas crianças. A Jéssica é um dos nossos maiores exemplos. Quando ela chegou aqui, fizemos questão de desenvolver uma prótese sob medida, esculpida exatamente para o seu tamanho”, afirma a diretora da unidade de reabilitação do município, Regina Chueire.

 

Da REDAÇÃO

Fonte: Governo do Estado de São Paulo

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