Redação do Enem gera discussão entre candidatos e especialistas

Foto Divulgação INEP

Cerca de 4,1 milhões de candidatos realizaram neste domingo (4) as primeiras provas
do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Além de 90 questões de Linguagens,
Códigos e Suas Tecnologias, de Ciências Humanas e suas Tecnologias, os estudantes
tiveram que fazer a redação.

O tema proposto chamou a atenção da população e teve repercussão nas redes sociais.
Este ano, o Enem propôs que os candidatos discutissem a “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”.

De acordo com Vinícius Beltrão, consultor pedagógico da SAS, e Rosicler Marcolino
Quartieri, professora de redação do Estúdio de Linguagem, era esperado que o exame
trouxesse um tema relacionado com internet, tanto que um dos temas cogitados ao
longo do ano por professores de Redação era fake news.

Ele comenta que o tema era bem amplo e possibilitava várias discussões, entre elas a
das notícias falsas, porém os candidatos que se restringiu a essa abordagem, pode ter tido uma argumentação limitada.

“O tema da redação dava possibilidade para os candidatos discutir as fake news, porém
quem ficou nesse campo se limitou bastante. A proposta esperava que o candidato discutisse a exposição de dados de navegação da internet.

 

O tema proposto chamou a atenção da população e teve repercussão nas redes
sociais. Este ano, o Enem propôs que os candidatos discutissem a “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”

Para mostrar que ao navegar na internet, nossos dados são compartilhados e eles, muitas vezes, são vendidos a empresas. O que fala um pouco da importância de tomar cuidado ao se navegar na internet”, comenta.

Quartieri comenta que a redação deste domingo foi mais fácil, quando comparada com
a do ano passado. Por conta do momento de acirradas discussões políticas, muitos
estudantes podem ter pendido mais para as questões políticas, mas o exame gostaria que o candidato fosse além, discutindo temas como a manipulação na rede. “Discutir até que ponto o comportamento do usuário é manipulado por meio de dados na internet”, ressalta.

Beltrão comenta que o vazamento de dados do Facebook ocorrido este ano, bem
como o jogo Baleia Azul e as questões eleitores podem ter contribuído para que o MEC
desenvolvesse o tema da redação.

Segundo o especialista, o tema foi bastante atual e, por estar diretamente relacionado
à vivência dos candidatos, pode ser considerada uma proposta de dificuldade mediana.
No entanto, a afinidade com o tema pode ter sido uma armadilha para alguns também.

“Por ser um tema da vivência de muitos candidatos, por se enxergar os argumentos na
vida, isso dava margem para o candidato trabalhar assuntos simplistas da sua relação com a rede e esquecer, o essencial que era a questão da exposição de dados e a manipulação do usuário”, diz.

Com relação à proposta de intervenção, muito importante na parte conclusiva da redação, Beltrão comenta que uma das possíveis soluções para resolver o problema seria propor um trabalho nas escolas, com o objetivo de conscientiza os estudantes de que os dados compartilhados na internet não são confidenciais e podem ser usados como forma de manipulação. Com isso, conscientiza as pessoas sobre a importância de ter cautela ao se expor na rede. “Hoje em dia, os dados que compartilhamos na internet não é confidencial, até mesmo quando usamos a página anônima. É por isso
que, muitas vezes, recebemos ofertas, sugestão de playlist de música ou sugestão de filme.

Isso é feito com base nos dados que compartilhamos na rede”, ressalta. Beltrão lembra também que a prova trouxe muitos textos sobre a cultura digital. Então, os candidatos que deixaram para fazer a redação depois de resolver as questões, provavelmente
conseguiram extrair alguns dados que ajudaram na organização do texto. O consultor
comenta que a redação deste ano é uma atualização de um tema que já havia sido
discutido no Enem de 2011, no qual se discutiu “Viver em rede no século 21: os limites
entre o público e o privado”, que nada mais é do que discutir a relação do indivíduo com a internet. Conteúdo especial: Leandro BRITO

 

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Opiniões dos candidatos sobre a prova do Enem

A atendente Joana Santos, de 17 anos, contou que não encontrou muita dificuldade para realizar a prova a não ser o cansaço das 90 questões. “Eu achei as questões
muito atuais. Eram assuntos que não só vemos, mas vivemos no nosso dia a dia como o feminismo, preconceitos e também tecnologia”, completa Santos.

Já o auxiliar de mecânico Kaitaro Garcia, de 18 anos, diz não ter se saído bem na primeira etapa da prova. Para ele, o que mais lhe causou dificuldade foi o tema da redação. “Eu sei que não é um tema tão fora do meu alcance a final a fake news foi uma ferramenta muito forte nessas eleições, mas na hora de juntar todos os meus argumentos para o desenvolvimento, eu me confundi um pouco, creio que na segunda
etapa me saio melhor. Meu negócio é exatas”, contou Garcia.

Já o estudante de jornalismo João Vitor Boni, de 21 anos, confessa que achou as questões interpretativas e conta que as vezes teve que ler umas quatro vezes, para entender o verdadeiro sentido da pergunta. João ainda diz que apesar de gostar do tema proposto, foi pego de surpresa. “Teve perguntas sobre a classe LGBT, sobre abuso sexual e verbal, relacionadas a gênero, textos sobre a ditadura, além do feminismo
e racismo, citado em também em outras questões. Tudo sobre temas atuais e bem pertinentes ao nosso atual cenário brasileiro”, conta Boni. Colaborou: Thaís LOBATO

 

Da REPORTAGEM

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