Psicólogo afirma que liminar sobre “cura gay” é retrocesso para o país

LIMINAR - Acatada pelo juiz gerou polêmica; especialista comenta sobre o assunto

Juiz Federal de Brasília acatou liminar que suspende resolução de 1999 do Conselho Federal de Psicologia e liberou profissionais a tratarem homossexuais como doentes, com o objetivo de reverter a orientação sexual da pessoa. A decisão do juiz aconteceu na última sexta-feira, após o pedido feito por três psicólogos que queriam a suspensão de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que proíbe o tratamento de terapias que favoreça a patologização em relação a orientação sexual da pessoa. Os profissionais que fizeram o pedido ao juiz acreditam no trabalho de terapias para a reversão sexual. Desde 1990, a homossexualidade deixou de ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde.

Para o psicólogo clínico Marcus Vinícius Gabriel, a limitar feita pelo juiz Waldemar Cláudio é uma medida que não vai de encontro a pratica psicológica, principalmente, quando analisada na questão clínica.

“Não tem como patologizar a orientação sexual de ninguém, não há como dizer que ser hetero é considerado normal e ser homossexual é considerado anormal. A medida do juiz na verdade não é que seja preconceituosa, mas é algo infundada”, explica.
De acordo com o profissional, o assunto orientação sexual não é trabalhado em terapias para a reversão da situação. Para ele, a orientação sexual é algo inerente ao desenvolvimento de cada pessoa.

“Não se trabalha isso no campo clínico, muito menos na área da sexualidade ou na área de terapia de casal. Isso é uma característica de cada um e que deve ser respeitada. A orientação é algo natural de cada pessoa, isso é uma característica de casa indivíduo”, conta.

Para o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, embora a resolução possa ser mal interpretada o objetivo para ele é dar a liberdade aos profissionais da psicologia a atuarem na questão relacionada a orientação da sexualidade.

Para o psicólogo, não há maneiras de curar ou reverter algo que não é considerado uma patologia. “Não existe reversão, isto não é uma atribuição psicológica do indivíduo e também não é orgânica. Isto não é atrelado nem a área da psicologia e nem a área da psiquiatria”, finaliza.

 

Por Mariane Dias

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