Provocação

Waldemir Soares Júnior*

No último artigo publicado, fui questionado de forma muito respeitosa por alguns leitores sobre o impacto negativo para a democracia numa comparação entre Lula e Bolsonaro. Confesso que fiquei balançado a refletir com a provocação, e feliz pelo debate promovido pelo artigo.
Importante para continuidade do debate seria centrar a discussão na temática ambiental e fundiária. Talvez a experiência de negociador de Lula ofusque olhares dos leitores desatentos.
Lula nunca escondeu seu carinho pelo agronegócio. Tanto é que engavetou a proposta de Reforma Agrária construída pelo saudoso e fundador da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), Plinio de Arruda Sampaio, em 2003.
O Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA), junto com a demarcação e titulação de terras, são os principais obstáculos para expansão dos campos agricultáveis do agronegócio. O Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) foi sucateado e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) foi dividido e enfraquecido com a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade  (ICMbio).
Num crescente processo da economia verde pelo mundo, Lula e sua habilidade sindical conseguiu a partir do conceito de sustentabilidade garantir lucros nunca vistos para o agronegócio.
A partir de acordos com várias empreiteiras praticou o maior ataque institucional contra o meio ambiente: as obras do Programa de Aceleração e Crescimento (PAC). Em total revelia a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Abriu caminho juntamente com Aldo Rebelo, a época do PCdoB, para aprovação do novo Código Florestal.
Lula construiu um grande arcabouço legal e de relações institucionais contra a preservação ambiental.
Evidente que a forma truculenta de Bolsonaro merece total reprovação. Nem por isso Lula deve ser considerado defensor do meio ambiente e da democracia.

  • Advogado com experiência e atuação em Direito Agrário, Ambiental e Penal
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