Protegidas por lei, capivaras migram sem controle da represa

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De atração turística no mais conhecido cartão postal de Rio Preto à vilã mortal. Uma das personagens mais famosas da cidade, a capivara, voltou a ser notícia nas últimas semanas, quando vídeos e fotos desse animal silvestre passaram a circular em celulares e aplicativos alertando para a ‘fuga’ da represa e ‘invasão’ em propriedades particulares, vias públicas e locais inusitados, como piscinas de clubes.

Segundo o biólogo Samuel Villanova Vieira, do Zoológico rio-pretense, sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, o último censo realizado no mês de agosto de 2018 apontou 91 adultos e 23 filhotes, sem discriminação por sexo, totalizando 114 roedores nos Lagos I, II e III.

“Não existe nenhum controle populacional realizado nem pela Federação, nem pelo Estado e nem pelo Município. É importante frisar que estes animais silvestres e nativos da região são protegidos por lei e têm todo o direito de ocupar a represa municipal. O controle se dá de forma natural”, explica.

De acordo com ele, a cerca de 90 centímetros de altura, que se estende em todo o lago II e por parte da margem direita do lago III, tem por finalidade barrar a entrada das pessoas nos locais onde os animais ficam e a grama é mais alta.

“Tudo isso para prevenir as pessoas de serem parasitadas por carrapatos”, destaca.

O especialista enfatiza que “até o momento ficou claro por conta dos levantamentos realizados em 2017 e 2018 que a população da represa tem se mantido estável com uma variação normal”.

Conforme Vieira, em 2017, foram observados 155 animais, em média, e no segundo levantamento, em 2018, 114.

“Esses dados apontam uma diferença que embora pareça grande, mas pode representar a época de recrutamento desses animais, ou seja, quando os filhotes maiores começam a migrar para outros locais, subindo o rio Preto ou o Córrego da Onça, por exemplo. O que é fato é que comparando estes dados com outros locais onde também existem levantamentos aparentemente a população de capivaras é o esperado para o local”, pondera.

O biólogo descarta a hipótese de superpopulação e ressalta que as capivaras não podem ser capturadas e soltas em outros locais.  “Elas são nativas da região e sempre existiram. Não existem dados de quando a população começou a ser residente na represa”, finaliza.

 

Por Daniele Jammal 

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