Proposta defende redução gradativa dos carroceiros, que querem continuar trabalhando com animais

Devanir dos Santos tem um custo de R$ 400 por mês para tratar seus cavalos Nenê, Estrela (na foto) e Café

Apresentado na última segunda-feira (23), o relatório da CEV (Comissão Especial de Vereadores) dos Carroceiros, que trata sobre a utilização de veículos de tração animal para transportes de entulhos e restos da construção civil, pede também que ocorra uma redução gradativa dos carroceiros em Rio Preto, que, segundo o último cadastramento feito, ainda neste ano, somam ao todo 31 na cidade, sendo que 16 dependem exclusivamente do uso dos animais para sobreviver.

Presidente da CEV, a vereadora Cláudia De Giuli (PMB), explicou o levantamento feito no relatório. “A CEV apresentou diversas alternativas para quem atua como carroceiro para trabalho. Entre elas, serem contratados para as administrações dos pontos de apoio, já que prefeitura vai realizar a contratação de 38 pessoas, então, solicitamos que a prioridade seja desses carroceiros cadastrados. Além disso, eles podem atuar com coleta seletiva, que já tem um rendimento mensal parecido com o que eles ganham e ainda podem adotar o cavalo de lata, além da qualificação em outras áreas e encaminhamento para empresas parceiras da prefeitura”, disse.

Ainda segundo a vereadora, foi realizado um estudo socioeconômico que apontou que dos 31 carroceiros que utilizam as carroças, que trabalham com veículo de tração animal, apenas 16 são famílias em vulnerabilidade social e possuem cadastros em programas sociais, ou seja, eles dependem dessa renda.

“Apenas oito dos 31 têm acima de 60 anos. Esses já estão em uma idade avançada, que é mais difícil qualquer readaptação. Então, são casos que serão avaliados de formas diferentes. Então, tem alternativas. Compreendemos que uma cidade do porte de Rio Preto não comporta uma postura do século passado. E a quantidade de veículos cadastrados é insignificante, considerando que temos 31 cadastrados em um universo de 500 mil habitantes, é mais fácil de regular essa situação”, afirmou Cláudia De Giuli, que concluiu.

“Em momento nenhum deixamos de considerar a importância dessas famílias. Não queremos acabar com a tração animal da noite para o dia. O que defendemos é uma redução gradativa em um prazo estipulado e durante esse período, a prefeitura, através das Secretárias de Trabalho e Emprego, Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Planejamento, possa inserir essas famílias em outras atividades para que eles possam ter renda”, finalizou.

Do outro lado, para o carroceiro Devanir dos Santos, 42 anos, que está na profissão há 20 anos e é dono dos cavalos Nenê, 3 anos e 4 meses, Estrela, 9 anos e Café, 20 anos, a proposta de mudança de profissão não agrada, porque tanto ele quanto seu irmão vivem dela.

“Meu irmão mora minha mãe, sustenta ela. Trabalha com isso há 25 anos e está com 50 anos. Ele é analfabeto, como vai conseguir outro emprego ou fazer outra coisa da vida? Ele trabalha, ganha e não prejudica ninguém”, explicou.

Segundo Devanir dos Santos, seu rendimento mensal é de R$ 1,3 mil, sendo que R$ 400 são destinados para os cuidados dos cavalos durante o mês.

“Eu tenho três animais. Eu nunca trabalhei com um animal só, nem meu irmão, porque não é só com um animal que trabalha. Você precisa deixar descansar, tratar para outro dia poder usar. Tiro R$ 1,3 mil por mês e tenho custo de R$ 400 com os cavalos, fora os imprevistos”, afirmou o carroceiro, que apresentou durante a reportagem os sacos com rações e remédios para tratamento dos animais.

Devanir, que mora com a esposa e o filho, diz que também que existem carroceiros que maltratam os cavalos e que devem ser punidos. “São sempre aqueles que mexem com drogas. A maioria trata bem, cuida bem.” Por outro lado ele finaliza questionando se também não deve haver um cuidado com o ser humano.

“Eu tenho que trabalhar todo dia. O cavalo não trabalha todo dia e nem deve. Mas a pessoa tem que ter dó do ser humano também, que fica doente e não recebe o tratamento adequado. Claro que o animal é importante e deve ser tratado, mas e o ser humano?”.

Agora não do prefeito Edinho Araújo (MDB), o relatório da CEV dos Carroceiros deve ser lido até sexta-feira, segundo a vereadora Cláudia De Giuli, e depois será encaminhado para Secretária do Meio Ambiente, assim como para diretora do bem-estar animal, Karol Prado, para que ambos possam analisar e colocar suas considerações. Na sequência será encaminhado para a Procuradoria Geral do Município para analisar a possibilidade de uma lei.

Por Marcelo Schaffauser

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