Programa oferece ajuda para rio-pretenses se livrarem do tabaco

Unidades de saúde de Rio Preto mantêm grupos para quem desejar parar de fumar. Tratamento dura em média cinco meses e é totalmente gratuito.

A dependência da nicotina faz com que os fumantes se exponham continuamente a mais de quatro mil substâncias tóxicas, fator de risco para aproximadamente 50 doenças, principalmente as respiratórias e cardiovasculares, além de vários tipos de câncer.

Em Rio Preto, seis unidades básicas de saúde mantêm o tratamento antitabagismo. Esse programa funciona há oito anos e oferece adesivo de nicotina, goma de mascar e medicamento para os pacientes. A coordenadora das ações e médica do departamento de atenção básica, Fernanda Gorayeb explica que antes de iniciar o tratamento, o paciente passa por uma triagem.

“O serviço está na cidade desde 2009 e é uma ação em conjunto com o Ministério da Saúde. Começamos com uma unidade e o serviço foi crescendo com o passar dos anos. O paciente que desejar parar de fumar não precisa de encaminhamento, basta ir até uma unidade de saúde mais próxima de sua casa e manifestar o interesse.”

Atualmente são 300 pessoas em tratamento e, segundo Fernanda Gorayeb, muito deles procuram o serviço por indicação médica ou já com algum problema de saúde. “Muitos chegam aqui já com algum problema de saúde. Eles passam por uma triagem e alguns exames para avaliar quais os medicamentos que poderão ser usados pelo paciente.”

As ações previstas no Sistema Único de Saúde para estimular os fumantes a vencer a dependência estão inseridas no Programa Nacional de Controle do Tabagismo. Só nos últimos dois anos mais de 300 mil pacientes foram atendidos em unidades credenciadas ao programa. Desse total, estima-se que quase metade deixou de ser fumante. Dra. Fernanda ressalta ainda que o tabagismo não traz somente problemas no pulmão, mas uma série de outras doenças.

“O tabagismo traz várias consequências além do câncer, como doenças cardiovasculares que podem favorecer os infartos e AVC, além das amputações. Então, o tabagismo é um hábito extremamente maléfico. É preciso procurar o serviço antes do aparecimento destas doenças.
Amanda de Castro, 37 anos, é promotora de vendas e fuma há 24 anos. Ela é uma das 20 pessoas que começaram no grupo da Unidade Básica de Saúde da Família, do Jardim Americano, para deixar de fumar. As reuniões desta unidade acontecem todas as sextas-feiras, das 8h às 9h. “Sei que será difícil, mas não impossível. Já tenho o apoio da minha família e decidi parar de fumar por conta da minha saúde. Já temos casos de câncer na família e por isso não quero mais ser uma fumante.”

As seis unidades de saúde que fazem este atendimento em Rio Preto são as do bairro Santo Antônio, Solo Sagrado, Vila Toninho, Rio Preto I, Jardim Americano e Estoril.

Só no ano passado mais de 500 pacientes participaram das ações dos centros antitabagismo do município. As equipes são formadas por enfermeira, médico clínico geral e psicóloga, todos capacitados pelo centro de referência de álcool, tabaco e outras drogas, segundo critérios do Instituto do Câncer (Inca). Não é preciso encaminhamento para o paciente, basta que ele procure uma das unidades de saúde. Caso o grupo esteja em andamento, o tempo médio de espera é de cinco meses, ou até que o próximo grupo seja iniciado.

Dados do Inca mostram que na cidade em 2016, 67 pessoas morreram com câncer de pulmão.

 

Por Jaqueline BARROS

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