Profissionais se mobilizam durante doação múltipla de órgãos no HB

Uma corrida pela vida. Assim pode ser definida toda a logística, desde a doação até o transplante de órgãos, que mobilizou profissionais do HB e de outros três hospitais do Estado, na manhã de quarta-feira (16), em Rio Preto. O doador é um adolescente de 15 anos, morador de Mirassol, que foi vítima da violência urbana e teve morte encefálica decretada dois dias após ser baleado na cabeça. Os órgãos do doador poderão salvar até cinco vidas.

O menor estava internado no Hospital de Base e faleceu no início da madrugada de quarta-feira (16). Como é de praxe, a equipe da Organização de Procura de Órgãos (OPO) do HB entrou em contato com a família. Mãe e irmãos do adolescente aceitaram a doação de todos os órgãos. Com isso foi dada a largada para o processo de salvar outras vidas.

Coração, pulmão, fígado, rins e córneas foram doados. Por não haver um banco de pele no HB, esse órgão não pode ser doado, assim como os ossos, que só podem ser doados de pacientes acima de 16 anos. “Os rins serão captados e vai ter que avaliar quem são os possíveis receptores, isso demora em torno de 24 horas. As córneas tem um prazo maior para utilizar, que pode chegar até 15 dias, então também serão armazenadas no banco de olhos e depois distribuídas”, disse o coordenador da OPO, João Fernando Picollo.

Picollo ressalta que a lista de espera de órgãos como rins e córneas é alta. “Atualmente no Brasil são 30 mil pessoas esperando todos os órgãos, 20 mil são de rins, sendo que 10 mil estão no Estado de São Paulo. Já a lista de córneas, hoje, no Estado de São Paulo são de três mil pessoas. São muitas pessoas que necessitam desses órgãos e tecidos”, afirmou.

Contra o tempo

Equipes da Guarda Civil Municipal ajudaram no deslocamento dos órgãos do Hospital de Base até o Aeroporto de Rio Preto. Foram seis motos e uma viatura que abriram caminho pelas ruas da cidade para chegar de forma rápida até o embarque. O trajeto que normalmente leva cerca de 20 minutos no horário de pico, por volta do meio dia, com o auxílio dos GCMs a previsão era de fazer esse percurso em cinco minutos.

Por possuírem um tempo de isquemia reduzido (prazo entre a retirada do órgão do doador e o implante no receptor), coração, pulmão e fígado foram levados de avião até São Paulo e Sorocaba, onde os pacientes aguardavam o transplante. O transporte aéreo dos órgãos é custeado pela Secretaria de Estado da Saúde. Equipes médicas dos hospitais paulistanos Sírio Libanês, InCor (Instituto do Coração de São Paulo) e da Unimed de Sorocaba estiveram em Rio Preto para a captação desses órgãos doados.

O coração é o órgão que tem menor tempo de isquemia, desde a captação até o transplante, podendo levar apenas quatro horas. A paciente que receberá o órgão no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, possui a Doença de Chagas. “Quem vai receber esse órgão é uma senhora, que tem por volta de 50 anos, e possui uma miocardiopatia chagásica. É uma paciente que estava priorizada, em caráter máximo, e recebendo drogas que ajudam o coração a funcionar”, explicou o cirurgião transplantador do Hospital Sírio Libanês, Ronaldo Honorato Barros dos Santos.

O cirurgião destaca a importância da doação de órgãos. “Nada disso seria possível se a família não concordasse. Apesar de ser um momento de perda e uma coisa muito triste, pois uma pessoa morreu, mas outras, pelo menos três pessoas, poderão ser salvas. Sem contar os dois rins que vão ser transplantados e às vezes são transplantados córneas, pele, osso, tendão, veia, então existe um leque muito grande de pessoas que podem se beneficiar”, frisou Santos.

Já os pulmões foram captados pela equipe médica do Instituto do Coração de São Paulo (InCor).Segundo o cirurgião torácico Lucas Matos Fernandes, equipes da Polícia Militar devem auxiliar no trajeto do aeroporto de Congonhas até o InCor. “A gente tem de 6 a 8 horas para fazer o implante do órgão. Quem vai receber é um menino jovem que tem fibrose cística”, disse Fernandes.

O fígado foi captado por médicos da Unimed e levado para Sorocaba. O tempo de isquemia desse órgão é de até 12 horas.

Por Priscila CARVALHO

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