Procura por curso de tiro aumenta 40% em Rio Preto

Foto: Claúdio LAHOS

O número de interessados em fazer curso de tiro para praticar o esporte ou conseguir posse de arma aumentou 40% em Rio Preto. A informação é do presidente da Associação Rio-pretense de Tiro Prático, João Silvestre.

A eleição e posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL), militar da reserva do Exército e opositor ao desarmamento da população, influenciaram esse aumento, segundo o especialista.

Em atividade há seis anos na cidade e localizado nas imediações da Polícia Federal e do Tiro de Guerra, o clube tem, hoje, mais de 250 associados. Desse total, 10% são mulheres.

Silvestre, que pratica o tiro esportivo há 24 anos, tendo sido 11 vezes campeão brasileiro, na modalidade arma curta, afirma que “atirar é um esporte como outro qualquer”.

“Existe o mito de que arma é algo perigoso e quem usa ou é policial, ou é bandido. Atirar baixa a adrenalina e ajuda a desenvolver um grande controle emocional”, argumenta.

LEGISLAÇÃO

Vinte e cinco anos é a idade mínima para que alguém compre legalmente armas, de acordo com Silvestre. “Há toda uma legislação e uma tramitação burocrática pelo Exército brasileiro para que um cidadão ou cidadã possa ter o direito a portar ou ter em casa armas de fogo. A validade do certificado de registro, por exemplo, é de três anos, com custo médio para emissão de R$ 650, e a autorização para compra de munição leva até três meses para sair”, destaca. São três os níveis em que são enquadrados os ‘atiradores leigos’. No 1, tem direito a comprar até quatro armas. No 2, para quem disputa campeonatos internos em clubes, a quantidade passa para oito e no nível 3, para atiradores em campeonatos nacionais, até 16 armas pela legislação.

PORTE DE TRÂNSITO

Segundo Silvestre, o porte de trânsito é uma permissão, de âmbito nacional, para quem usa a arma para vir para o clube ou disputar campeonatos. “Quem tem essa guia, que tem um custo em torno de R$ 300 e validade por três anos, só pode andar com uma arma municiada, para eventual defesa pessoal, e as demais têm que ser transportadas em maleta, separadas da munição”, ressalta.

PREÇOS

Uma pistola ponto 40, por exemplo, de marca estrangeira, custa, hoje, entre R$ 7 mil e R$ 16 mil. As nacionais podem ser encontradas a partir de R$ 5 mil. Já os revólveres de fabricantes estrangeiros são comercializados na faixa de R$ 10 mil a R$ 14 mil e os de fabricação nacional de R$ 3 mil a R$ 5 mil, em média. As munições mais comuns são vendidas por uma única empresa no país, com sede em Ribeirão Pires, entre R$ 0,60 e R$ 7 a unidade. Após aprovação do pedido, a entrega demora, em média, 10 dias para ser efetivada e encaminhada para o clube de tiro da cidade. “O limite anual de compra pelo Sinarm (Sistema Nacional de Armas) é de 50 munições e pelo Sigma (Sistema de Gerenciamento Militar de Armas) de 4.000 a 20.000 munições, dependendo do nível do atirador”, salienta Silvestre.

CAPACITAÇÃO

Os interessados em terem porte ou posse de arma são submetidos, segundo Silvestre, a um teste psicológico aplicado por profissional credenciado pela Polícia Federal.

Só após a aprovação nesse exame é que a pessoa pode buscar a capacitação em um clube de tiro, que também é feita por um instrutor habilitado junto à PF. O valor do treinamento gira entre R$ 250 e R$ 350, conforme a quantidade de armas avaliadas na capacitação.

“São três horas de treinamento e, no mínimo, 20 tiros para cada arma que o aluno possua”, observa.

REQUISITOS

O candidato a atirador ou dono de armas de fogo tem que cumprir uma série de requisitos, como apresentar atestado de antecedentes criminais, comprovante de exercício profissional (ocupação), cópia de documentos pessoais (CIC e RG), comprovante de residência atualizado e ser aprovado (a) em entrevista com o presidente do clube.

ESPORTE O empresário Renato Rossi, 51, pratica há três anos o tiro esportivo, mas desde a infância esteve em contato com as armas de fogo. “Minha família tem propriedades rurais na região e a caça fez parte do cotidiano doméstico. Apesar do porte de arma ser um direito de defesa constitucional, não ando armado com a finalidade de me proteger. Minhas armas são para uso 100% do esporte”, enfatiza.

O atirador já venceu vários campeonatos internos do clube, tendo sido campeão, vice e conquistado o terceiro lugar. “A categoria A é para quem alcança entre 185 e 200 pontos. Já a B, abaixo dos 185 pontos”, conclui.

INFRAESTRUTURA

A Associação Rio-pretense de Tiro Prático tem nove boxes para a prática do tiro esportivo ou treinamento de alunos. A anuidade para seus filiados é de R$ 660. O clube funciona de quarta-feira à sábado, das 9h às 13h e das 14h às 18h.

Por Daniele JAMMAL

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