Prematuridade é a principal causa de morte em crianças menores de cinco anos

Mais de 11% dos bebês nascidos no país são prematuros, o que representa 345 mil crianças de um total de 3 milhões de nascimentos. De acordo com o Projeto Nascer do Brasil, os prematuros de 34 semanas considerados grandes representam a maioria da natalidade com um percentual 74%, seguido pelos menores de 32 semanas representados por 16%.

Hianney Gonçalves de Queiroz com 27 semanas de gestação, pesando apenas 440 gramas e 26 centímetros. Há quatro meses internada no Hospital da Criança e Maternidade (HCM), a bebê atualmente está com 1,410 gramas.

“Eu já sabia que ela não ia chegar até o final da gestação. Depois da minha primeira filha, que hoje tem cinco anos, eu tive quatro abortos, então sabia que ela viria mais cedo. Já no pré-natal fui preparada para quando ela viesse”, conta a mãe, Andreia Gonçalves Ferreira, de 22 anos.

Em 2015, a prematuridade representou a principal causa de mortes em crianças menores de cinco anos, em todo o mundo. No Brasil, os nascimentos precoces ocupam o primeiro lugar nas causas de óbitos desde 1990, apesar da queda dos últimos anos. Em Rio Preto, de janeiro até novembro deste ano, nasceram 420 crianças prematuras, no ano passado o número era de 501 casos. Nos últimos 11 anos, o maior número de casos foi registrado em 2013 com 585 bebês prematuros.

A pediatra do Serviço de Neonatologia, do Hospital da Criança e Maternidade, MarcialÍ Gonçalves Fonseca, ressalta a importância de debater o assunto da prematuridade comemorado no dia 17 de novembro, representado pela cor roxa, que tem o objetivo de redobrar o cuidado com nascimentos antecipados. “É importante o assunto, pois a maior causa de mortes em bebês é a prematuridade. Isso requer maior cuidado com os bebês e maior custo. A maioria morre nos primeiros seis dias de vida, mas se estende em outro período também, em alguns casos até em crianças de 5 anos”, conta.
De acordo com a pediatra, os cuidados devem ser redobrados com os prematuros para diminuir o risco de sequelas neurológicas, oculares, auditivas. “O ideal é não nascer prematuro, mas se nasceu prematuro, a gente vai dar para este bebê um olhar diferente e mais cuidadoso, principalmente com os bebês mais prematuros, pois é maior o risco”, explica a pediatra.

A médica pondera também que “É preciso uma equipe bem preparada para estes cuidados, com enfermeiros treinados que consigam tratar destes bebês. Hianney nasceu com 440 gramas e ela não precisou ser entubada ou ficar com um suporte invasivo, por conta do cuidado da enfermagem”.

Um suporte psicológico é dado aos pais de todos os prematuros internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Criança (HCM), que atualmente tem com 14 bebês na UTI e da Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) com 17 bebês. “Quando eu soube que teria que fazer o parto precoce foi um choque pra mim. Então veio a psicóloga, veio a assistência social me darem apoio. Graças a Deus estamos aqui”, conta a mãe de Hianney.

De acordo com a pediatra, os casos de prematuridade podem ser classificados entre peso baixo – que seria extremo e prematuro extremo. “Entre os dois casos, a idade gestacional ainda é mais importante que o peso, porque ele é mais formado, quanto mais o bebê imaturo mais possibilidades de complicações”.

Motivos que ocasionam à prematuridade

Os motivos que levam ao bebê nascer prematuro podem ser desencadeados ainda no pré-natal por complicações de saúde da mãe ou no próprio bebê. “Geralmente, é hipertensão materna, mãe cardiopata, com problemas renais, lúpus, diabéticas, problemas na placenta, gemelares, só por serem gêmeos já têm chance de nascerem prematuros”, explica a pediatra.

É recomendado um pré-natal adequado a fim de reverter problemas apontados nos exames. Durante a gestação, os especialistas orientam o não uso de álcool, além disso, as mães devem ter refeições saudáveis e em horários adequados.

A idade da mãe muito jovem ou mais avançada também são fatores de prematuridade. “Mães muito adolescentes ou então mães já com a idade mais avançada podem ter risco, fora o problema do próprio bebê”, finaliza Fonseca.

 

Por Mariane Dias

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