Prefeitura divulga dados do levantamento de famílias da favela Vila Itália

Para a secretária de habitação, Fabiana Zanqueta, estar na favela não significa ter priorização em programas habitacionais

Após ter sido prorrogado por três vezes o prazo dado pela Defensoria Pública para o mapeamento da situação da favela Vila Itália, a prefeitura de Rio Preto divulgou hoje levantamento da situação das famílias que vivem pelo local. A ocupação que começou em 2013 com apenas oito barracos, atualmente conta com 201 barracos.

Foram entrevistadas 172 famílias, que vivem em situação precária em barracos feitos de madeira e lona. Essas famílias somam um total de 460 pessoas, número esse que pode ser maior, já que nem todos os moradores da favela foram entrevistados pelos funcionários da prefeitura. O trabalho de campo ainda identificou e numerou 212 áreas, sendo 11 áreas vagas (sem construção) e 201 com habitações precárias. Quanto à origem dos ocupantes da favela, ficou constatado que apenas 12% dos moradores são naturais de Rio Preto.

Dessas 460 pessoas que foram cadastradas, 269 são adultos, 93 crianças (creche 0-5), 77 crianças (escola 6-14), 21 adolescentes, cinco idosos, quatro gestantes e quatro pessoas com deficiência. Como atualmente não há nenhum programa habitacional a ser oferecido pelo governo municipal, a prefeitura presta o acolhimento assistencial a essas famílias por meio das secretarias, programas assistenciais e do cadastramento no CRAS .

Para a secretária de habitação, Fabiana Zanqueta, um dado que chama a atenção nesse levantamento é que grande parte dos moradores da favela não possuem cadastro na Emcop (Empresa Municipal de Construção Popular), que é responsável por executar os projetos de habitação popular da cidade, “Um dado dentro do questionário que nos chamou muito a atenção é que 75% dessas famílias não estão inscritas em programas habitacionais do município”, ressaltou Zanqueta.

A prefeitura mantém a ação de reintegração de posse e como se trata de uma área de preservação ambiental, não tem como continuar mantendo essas famílias pelo local. “Esse local é uma área de interesse ambiental, uma área de proteção do córrego Piedade, inclusive estratégico no sentido de drenagem, para que a gente faça uma preservação. A secretaria do Meio Ambiente vai atuar na remediação, na recuperação dessa área, para que a gente possa voltar inclusive a mata que tinha ali naquele local”, disse a secretária de habitação.

Outra parte da área da favela pertence a uma propriedade particular e o proprietário também já entrou com ação de reintegração de posse. As ações agora seguem para a Justiça, que decide se as famílias devem deixar ou não o lugar e até o momento nenhuma data ou ação está definida.

Favela Brejo Alegre

Outra favela instalada na cidade de Rio Preto, a do Brejo Alegre possui 60 barracos, que abrigam cerca de 100 pessoas.

Na última sexta-feira (12), o Tribunal Regional Federal suspendeu por mais 60 dias a liminar de reintegração de posse da área. O recurso havia sido solicitado pela Defensoria Pública da União. O prazo é para que a concessionária Rumo/ALL e a prefeitura elaborem um plano de realocação das famílias que estão alojadas na favela.

Por Priscila Carvalho

SEM COMENTÁRIOS