Prefeitura de Votuporanga abre sindicância no caso dos ‘bebês dopados’ em creche

Alunos de creche denunciada foram hospitalizados

O prefeito de Votuporanga, João Eduardo Dado Leite de Carvalho, instaurou processos administrativos contra quatro servidoras públicas, acusadas por pais de doparem crianças da Cemei Prof. Valter Peresi. As portarias foram publicadas no Diário Oficial do Município nesta quinta-feira, dia 11, mas os nomes foram suprimidos. Apenas as iniciais das servidoras foram divulgadas, todas professoras da unidade. A publicação menciona o processo de sindicância, 3 de maio de 2019, e afirma que, após a apuração dos fatos, através das inúmeras diligências realizadas pela Comissão Sindicante, bem como pelos depoimentos das testemunhas que foram colhidos na instrução processual restou suficientemente comprovada a necessidade de apuração de possível falta funcional por parte das servidoras públicas. O relatório final emanado pela Comissão Sindicante, presidida pelo Procurador do Município designa para que seja instaurado processo administrativo disciplinar em face da servidora pública A.G.B e processo de sindicância em face das servidoras públicas A.A.B.N, J.F.O e J.V.L. O caso, noticiado em abril de 2019, envolvia uma criança que passou mal e, após ser levada para o hospital e passar por exame toxicológico, médicos encontraram uma substância tranquilizante no organismo da paciente, o clonazepam, que só pode ser usada em crianças com orientação e acompanhamento médico. Na época, outras cinco crianças apresentaram o mesmo sintoma, mas os pais não registraram boletim de ocorrência. Segundo a advogada que acompanha as mães das crianças, durante as investigações, as imagens das câmeras de monitoramento mostram exatamente aquilo que havia sido relatado pelas genitoras das crianças durante os depoimentos no inquérito, conduzido pela DDM. Até o momento, cerca de dez mães já foram ouvidas pelo Ministério Público. A advogada questiona a Prefeitura de Votuporanga sobre a demora para investigar a conduta das profissionais, já que os primeiros relatos são referente aos anos de 2017 e 2018. Segundo ela, caso medidas tivessem sido tomadas logo após a primeira denúncia, outras crianças não teriam sido prejudicadas. Ela acusa a Prefeitura de ser conivente com a atitude das servidoras. A comissão processual disciplinar terá um prazo de até 60 dias para a conclusão dos trabalhos contados da data da instalação, ficando assegurado o direito ao contraditório e ampla defesa. A advogada acredita que um das servidoras deverá ser exonerada e, as demais, devem sofrer punições administrativas.

 

Dhoje Interior

Por Jaqueline BARROS