Poupança registra em 2018 melhor resultado em cinco anos

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A caderneta de poupança, aplicação financeira mais popular do país, fechou o ano de 2018 no azul. Os depósitos superaram os saques em R$ 38,2 bilhões no ano passado. A informação é do Banco Central. É o melhor resultado para a aplicação desde 2013, quando o saldo da poupança ficou positivo em R$ 71,048 bilhões.

Ao longo do ano passado, os depósitos somaram R$ 2,252 trilhões e os saques, R$ 2,214 trilhões. Com o ingresso de recursos na poupança, o estoque dos valores depositados, ou seja, o volume total aplicado somava R$ 797,2 bilhões em dezembro do ano passado.

Dados mostram uma recuperação. Em 2015, quando a crise econômica começou a se agravar, a poupança registrou uma saída de R$ 53,6 bilhões. No ano seguinte, a aplicação perdeu R$ 40,7 bilhões, já descontados todos os depósitos.

“A taxa básica de juros da economia, a Selic, permaneceu alta em 14,25% por mais de um ano, entre o final de 2015 e final de 2016. Neste período, muitas famílias, já endividadas anteriormente devido ao estímulo do consumo por meio de isenções fiscais e manobras com bancos estatais, se tornaram inadimplentes”, explicou o economista e agente autônomo de investimento, Diogo Sanches Júnior.

Segundo dados apresentados pelo profissional rio-pretense, em dezembro de 2017, 62,2% das famílias brasileiras estavam endividadas e 25,7% inadimplentes. Com base no levantamento de dezembro do ano passado, estas taxas caíram para 59,8% e 22,8%. “Isso explica parte do fluxo de capitais que migrou para poupança ao longo de 2018.”

Diogo Sanches contou que quase 40% deste fluxo capitais ocorreram no mês de dezembro, momento em que as famílias recebem totalmente seu décimo terceiro salário e acabam poupando um pouco mais, para pagarem contas de começo do ano. “As cadernetas de poupança registraram em dezembro uma captação líquida de R$ 14,606 bilhões, menor que os R$ 19,373 bilhões do ano passado, mesmo assim, foi um dos melhores resultados para dezembro da caderneta”, conclui.

 

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Mais atraente que fundos

 

O cenário atual é bom para a poupança. Além da melhora do emprego e da renda, quando sobra mais dinheiro para poupar, a taxa básica de juros — a Selic — está no menor patamar histórico. Com os juros em queda, os fundos de investimentos estão com retorno menor, e a caderneta de poupança volta a ser atraente.

 

— A poupança ganha de vários fundos que têm a Selic como referência. Porque essas aplicações ainda têm dedução de Imposto de Renda e taxa de administração, o que não existe na poupança. Em 2019, a tendência é a poupança continuar apresentando depósitos maiores que saques — disse Miguel de Oliveira, diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).

 

Hoje a poupança é remunerada pela Taxa Referencial (TR), que está próxima de zero, mais 70% da Selic. A Selic, por sua vez, está em 6,5% ao ano desde março de 2018. Essa regra de remuneração vale sempre que a Selic estiver abaixo dos 8,5% ao ano. Quando estiver acima disso, a poupança é atualizada pela TR mais uma taxa fixa de 0,5% ao mês (6,17% ao ano). Essa remuneração mais elevada deixou de valer em setembro de 2017, quando a Selic passou a ficar abaixo do nível de 8,5%.

Por Vinicius MAIA

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