Porquinho-da-índia: roedores domésticos que requer atenção e cuidados

Foto-Thaynara Caroline

Quem assistiu ao filme Força-G, com certeza, deve se lembrar dos agentes Darwin, Juarez, Speckles e Detonador, uma equipe de espiões disfarçados do FBI, formada por roedores sendo três deles porquinhos-da-índia. Eles são Peludos, fofinhos e bonitinhos e, com tantas qualidades, é difícil não se apaixonar por esses pequenos roedores, conhecidos como cobaias, coelhos-da-índia ou mais popularmente porquinho-da-índia.

Se você acha que eles vieram da Índia, está enganado. Como explica Gracila Heitor de Oliveira, bióloga e médica veterinária especialista em animais silvestres e exóticos, os porquinhos-da-índia são originários da América do Sul, porém existe um motivo para o nome. “Eles tiveram esse nome, pois vieram originalmente das famosas Índias Ocidentais. Quando Colombo achou na América, acreditava que estava na Índia, mas, na verdade, ele não estava. Eles receberem esse nome, mas tem como origem o continente Americano”, explica Oliveira.

Os porquinhos-da-índia são roedores. De acordo com a veterinária, eles têm várias raças. Algumas são mais peludas, outras têm o pelo mais baixo, mas existem também aquelas sem pelo. “As raças que têm o pelo um pouco mais longo o certo é não tosar e, sim, sempre deixar aparado. As clinicas que trabalham com animais exóticos têm o costume e sabe exatamente até onde pode corta os pelos”, destaca Oliveira.

A tosa não é o único cuidado que o dono de um porquinho-da-índia deve ter com o seu animal. “O banho a gente pode até fazer. Precisa ter cuidado com os produtos que vão usar, porque pode levar a uma intoxicação. É importante acostumar o animal desde filhote. Aqueles que não têm o costume podem ter um estresse muito grande. Aí o banho não seria indicado. Eles têm o costume de se limpar. O ideal mesmo é a higienização da gaiola”, comenta Oliveira.

Eles gostam de viver acompanhados, mas podem ser criados sozinhos também, mais isso exige um pouco mais de atenção dos donos. “Eles podem ser criados sozinhos, porém o tutor precisa ter um tempinho para gastar com o animal, para que ele não fique tão sozinho. Precisa colocar o animalzinho para brincar, colocar algum tipo de brinquedo para eles”, ressalta a veterinária.

“Se o animal vai ficar somente em gaiola, o ideal é que seja uma gaiola grande. Agora se ele vai ter espaço em uma área aberta, é sempre importante que tenha um abrigo para se esconder caso fiquem assustado. Se for deixar o animal na gaiola, é importante tirá-lo para poder andar e brincar, senão ele pode desenvolver um quadro de estresse e deixar o animal debilitado e chegar a vir a óbito”, comenta.

A alimentação do porquinho-da-índia precisa ser bem variada, com ração, verdura e legumes frescos, frutas, feno e também muita água. “Ração não pode ser a única alimentação. É muito importante que a gente suplemente também com frutas, principalmente com as verduras e o feno é à vontade, todos os dias. O feno é importante, pois ajuda na parte digestiva e desgaste dos dentes. A ração ideal é a própria do porquinho-da-índia, pois têm os nutrientes específicos”, comenta Oliveira.

Os porquinhos vivem em média de 4 a 6 anos. Os machos chegam em média a ter até um quilo e a fêmea 800 gramas. Eles podem se reproduzir o ano todo e a gestação varia de dois meses a dois meses e meio. A média de filhote por linhada é três a quatro e a partir dos dois meses já podem estar se reproduzindo. “Se a pessoa tem um casal e não que ter filhotes, o certo é castrar um deles, pois a reprodução deles começa bem cedo e eles têm vários cios no ano. Então em pouco tempo pode ser que tenha vários filhotes”, alerta a veterinária.

A estudante de jornalismo e fotógrafa freelancer Thaynara Carolina de Souza, de 20 anos, sabe muito bem como os porquinhos-da-índia têm facilidade para se reproduzir. A estudante comenta que chegou a ter 32 porquinhos. “Eu ganhei o primeiro e, depois, eu comecei a gostar deles. Ganhei o primeiro que era um macho em 2011 de uma amiga da família que também tinha vários. Depois de alguns meses, minha mãe pegou uma fêmea pra fazer companhia, foi aí que começou a aumentar a população de porquinhos da índia em casa”, comenta.

Hoje, Thaynara só tem um porquinho-da-índia. Ela conta que devido às despesas, precisou doar alguns e vendeu outros. O atual porquinho da estudante é macho e tem quase dois anos. Como ela tinha muito, o porquinho acabou ficando sem nome. “Esse último tem a companhia de uma cadelinha vida lata que eu tenho. A gente se preocupa bastante com o bem-estar deles, por isso a gente cria eles soltos no quintal que é gramado e com árvores”, comenta.

“É importante que o tutor esteja sempre de olho no comportamento do animal e se tiver qualquer alteração, por mínima que seja, é importante que procure algum veterinário.  Esse animais são sensíveis, as vezes uma coisa simples não sendo tratada no começo pode levar eles a óbito e sempre importante procurar um veterinário especializado, pois esses animalzinho são bem diferenciados”, finaliza Oliveira.

Por Leandro BRITO

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