População deve se atentar ao acúmulo de gordura abdominal

Com certeza você deve conhecer algum gordinho hoje em dia, tanto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a obesidade como a epidemia global do século XXI. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 50% da população brasileira está acima do peso.

Dados como esse têm preocupado médicos e, principalmente cardiologistas. A gordura abdominal é uma grande vilã e pode estar relacionada a um maior risco de desenvolver problemas cardiovasculares, devido ao aumento da pressão arterial, diabetes e colesterol alto, entre outros fatores. Estudos sugerem que essa gordura pode ser medida pela relação numérica entre a circunferência abdominal e a do quadril, sendo considerada a mais perigosa para saúde.

Dhoje Interior

De acordo com José Carlos Aidar Ayoub, cardiologista do IMC/HMC de Rio Preto, a medição da circunferência abdominal, utilizando fita métrica, pode ser considerada uma boa ferramenta para diagnosticar fatores de riscos. “Os resultados da relação cintura-quadril variam de acordo com o sexo, devendo ser de no máximo 88 cm para mulheres e 102 cm para homens, segundo a sétima diretriz de hipertensão arterial. Resultados iguais ou superiores a esses valores indicam alto risco para doenças cardiovasculares, sendo importante lembrar que quanto maior o valor, maior o risco”, explica o cardiologista. Ele ainda afirma que a principal forma de “tratamento” indicado para esse problema, é a perda de peso. “A perda de peso implica em uma dieta bem planejada e na prática de exercícios físicos regulares sob orientação médica.”

Há cerca de um ano, após uma lesão na coluna, o biólogo Celso Mourão, de 38 anos, resolveu ter uma atitude e mudar de vida. Foi quando começou a fazer academia, muay-thai e ter o acompanhamento de uma nutricionista. Com os novos hábitos ele perdeu 34 quilos. “Minha medida de circunferência abdominal em abril era de 127 cm, já em junho a medida reduziu para 110 cm”, contou Mourão.

Ele comenta que atualmente os professores da academia o ajudaram com a lesão e reeducaram a postura, melhorando a coluna, além de também seguir as indicações da nutricionista. “Como salada, comida saudável, tudo que a nutricionista me indica, eu sigo a risca”, finalizou o biólogo.

 

Aumento do sobrepeso faz crescer a preocupação com as doenças bucais

Em dez anos a obesidade no Brasil passou de 11,8% para 18,9%. O dado, que compreende o período entre 2006 e 2016, faz parte da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada pelo Ministério da Saúde. De acordo com o estudo, um em cada cinco brasileiros está obeso e, o mais preocupante, 53,8% da população adulta tem excesso de peso.

Esses quilos a mais na balança são fatores de riscos para diversas doenças e a saúde bucal deve receber atenção. Doenças crônicas como a obesidade podem aumentar o risco de problemas bucais como a erosão dentária, a diminuição do fluxo salivar, a cárie dentária, a doença periodontal, entre outros.

Uma possível relação entre a obesidade e as doenças bucais ocorre principalmente por causa da ingestão excessiva de alimentos ricos em gordura e açúcar, como os doces, farináceos e alimentos industrializados. Essas substâncias têm alto teor de carboidratos simples e aderem mais facilmente à superfície do dente. Se a higiene bucal não for adequada, o risco de desenvolvimento de cáries aumenta consideravelmente.

Outra doença comum em pessoas acima do peso é a periodontite. De acordo com Paula Midori Castelo, cirurgiã-dentista membro de Câmara Técnica do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), “Estudos sugerem que o tecido adiposo libera citocinas e hormônios pró-inflamatórios, especialmente o tecido adiposo abdominal, que ao chegar ao periodonto podem favorecer ou exacerbar o processo inflamatório”.

Ainda segundo Paula Castelo, outro fator a ser observado é o comportamento mastigatório e alimentar. Um estudo do seu grupo mostrou que adolescentes com excesso de peso apresentaram mais alterações mastigatórias que aqueles com peso normal, favorecendo a ingestão de um bolo alimentar malformado, sem antes triturá-lo corretamente entre os dentes. “A mastigação inadequada por levar a alterações nutricionais”.

Cirurgia bariátrica

Para tratar a obesidade grave algumas pessoas recorrem à gastroplastia(cirurgia bariátrica), pois ela é capaz de melhorar ou reverter o problema, além de estar associada a uma melhora nos fatores psicossociais e de qualidade de vida. Para estes pacientes, a atenção à saúde bucal é primordial já que consequências nocivas, como o aumento da incidência de cárie dentária e doença periodontal tem sido relatadas em alguns estudos. Além disso, a diminuição temporária do fluxo salivar, refluxo gastresofágico e vômitos podem predispor a ocorrência de lesões na mucosa oral e erosão dentária. Estes pacientes também inspiram cuidados nutricionais para o metabolismo ósseo, pois a absorção de nutrientes como ferro, vitamina D e cálcio fica comprometida, podendo ocorrer perda de massa óssea o que aumenta as chances de osteoporose.

Qualidade de Vida

Evitar essas complicações depende bastante da perda de peso. A prática regular de atividades físicas e a reeducação alimentar são os pilares para o tratamento e controle do excesso de peso, com o aumento no consumo de fibras, vitaminas (como a C e a D) e minerais, além da ingestão adequada de líquidos. Vale ressaltar que é sempre recomendável acompanhamento profissional no processo de emagrecimento.

 

Por Priscila Carvalho